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Rituais da Semana Santa voltam a ter lotação máxima em cidades mineiras e paulistas

Prefeituras e paróquias comemoram presença de fiéis, que estiveram ausentes nos últimos dois anos em razão dos protocolos da pandemia de covid-19. Celebrações seguem até o próximo domingo com a Páscoa

15 abr 2022 - 18h17
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SOROCABA - Suspensas desde 2020 devido à pandemia de covid-19, as celebrações da Semana Santa deste ano têm movimentado as cidades históricas de Minas Gerais e São Paulo. As prefeituras e paróquias comemoram a volta de turistas e fiéis para acompanhar alguns dos mais antigos rituais da Igreja Católica. Iniciada no último domingo, 10, com a celebração de Ramos, marcando a entrada de Jesus em Jerusalém, a Semana Santa se encerra neste domingo, 17, com a Páscoa.

Em Ouro Preto, ao menos 20 mil turistas, segundo a prefeitura, já estão na cidade para acompanhar as liturgias em meio ao casario colonial e igrejas históricas. As encenações da Via-Sacra, que revive a agonia de Jesus desde a oração no Horto das Oliveiras até o sepultamento, após a morte na cruz, começaram de madrugada. Os 60 atores saíram da Igreja de Nossa Senhora das Dores e seguiram até a Capela do Senhor do Bonfim, acompanhados por centenas de turistas.

A chegada das cruzes às costas de peregrinos é o ponto alto da Semana Santa em Pirapora do Bom Jesus, na região metropolitana de São Paulo. Os romeiros fazem penitência e pagam promessas
A chegada das cruzes às costas de peregrinos é o ponto alto da Semana Santa em Pirapora do Bom Jesus, na região metropolitana de São Paulo. Os romeiros fazem penitência e pagam promessas
Foto: Gilberto Labriola/Santuário/Divulgação / Estadão

A secretária paroquial de Nossa Senhora das Dores, Celina Santana, disse que, embora o uso da máscara tenha sido liberado, muitos fiéis e turistas ainda usam a proteção. "Fica ao gosto de cada pessoa. O importante é que lotem as igrejas, pois o País precisa de orações", disse.

Ela contou que a procissão do fogaréu, uma tradição do século 18, aconteceu entre o fim da noite e a madrugada de quinta-feira, 14, pela segunda vez em cem anos. O ritual foi retomado em 2019, mas parou nos dois anos seguintes devido à pandemia. Cerca de 60 pessoas vestidas de preto e com capuzes saem à rua carregando tochas de fogo, ao som de instrumentos de percussão.

Também volta a montagem dos tapetes de rua, suspensa na pandemia. A prefeitura disponibilizou serragem e material para a confecção dos desenhos que vão cobrir o percurso da procissão da ressurreição, neste domingo de Páscoa, da Basílica de Nossa Senhora do Pilar até o adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde haverá missa festiva. "O objetivo desses tapetes é homenagear o Santíssimo Sacramento que é conduzido em procissão, solenemente, pelas ruas de nossa cidade", explicou o padre Adilson Umbelino Couto, da paróquia de Pilar.

A montagem começa na noite deste sábado e mobiliza, além de voluntários, muitos turistas. No domingo, as janelas das casas coloniais de Ouro Preto serão enfeitadas com tapetes coloridos para a passagem da procissão. O costume remonta ao século 18. As toalhas de cores claras e rendadas, geralmente em branco, lembram a ressurreição de Cristo.

Essas tradições são mantidas também em Mariana, Tiradentes, Congonhas e São João Del Rei. Em Congonhas, os turistas aproveitam o intervalo entre as celebrações para apreciar as esculturas dos profetas de Aleijadinho, esculpidas em pedra sabão, em tamanho real.

O professor Abgar Campos Tirado, músico e comentarista sacro, disse que algumas celebrações, como o Ofício das Trevas, em São João Del Rei, são rituais únicos. "É uma tradição de mais de 300 anos, com os cânticos em gregoriano, latim e rococó, algo que não se vê em outro lugar", disse.

Fiéis lotam catedral de Aparecida

No Estado de São Paulo, no Santuário Nacional de Aparecida, os fiéis lotaram as dependências externas e parte da catedral, que tem capacidade para 30 mil pessoas. O arcebispo dom Orlando Brandes presidiu a missa da Ceia do Senhor, no altar central, na noite de quinta-feira, 14, com o templo quase lotado. No ano passado, devido à pandemia, a maioria das celebrações não teve presença de público.

Na tradicional cerimônia do Lava-Pés, que lembra a instituição do sacramento da eucaristia, Brandes disse que lavar os pés é um ato de humildade de amor ao próximo. "Lava pés significa um chute na discriminação e também um chute em todo tipo de exclusão. Lava pés é para que ninguém seja indiferente diante de toda realidade que nós vivemos", disse na celebração.

Nesta Sexta-Feira Santa, único dia do ano em que a missa não é celebrada, houve a encenação da Via Sacra, o caminho percorrido por Jesus até sua morte.

Na reflexão, o padre Lucas Emanuel lembrou as vítimas da covid-19. "Nós vivemos a dor da morte para sentirmos o quando nos faz falta a presença de Deus", disse. A atriz Ana Cecília Menezes, que fez o papel de Maria, mãe de Jesus, comemorou a volta da encenação sem máscara. "Depois de dois anos, estamos mostrando o rosto e representando melhor a dor da mãe que vê o sofrimento do filho", disse.

Peregrinos chegavam a Pirapora do Bom Jesus de várias cidades do interior carregando o símbolo da Paixão de Cristo
Peregrinos chegavam a Pirapora do Bom Jesus de várias cidades do interior carregando o símbolo da Paixão de Cristo
Foto: Gilberto Labriola/Santuário/Divulgação / Estadão

Em Pirapora do Bom Jesus, na região metropolitana de São Paulo, havia um "congestionamento" de cruzes, na manhã desta sexta. Peregrinos chegavam de várias cidades do interior carregando o símbolo da Paixão de Cristo.

"Depois de dois anos que ficaram sem vir, os fiéis voltaram com muita fé. Não haverá espaço para tanta cruz e elas serão distribuídas entre as comunidades", disse a secretária paroquial Denise Monteiro. Com a suspensão das missas, o Santuário realizava orações de hora em hora, desde as 5 da manhã.

O mecânico Edno Cristiano de Moraes chegou às 7 da manhã com um grupo de Sorocaba e uma cruz de 5 metros. "É pesada, mas a gente se revezou para carregar", disse, contando que participa da romaria há mais de dez anos para pagar uma promessa. "Foi uma graça muito grande, um milagre, a saúde da minha filha. Alugamos um lugar para passar a noite, pois vamos assistir o Sermão das Sete Palavras e acompanhar a Procissão do Senhor Morto", disse.

Em Itu, a professora aposentada Firmina Fonseca do Amaral participou da vigília do Santíssimo no Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus, como faz há 30 anos. "No ano passado e em 2020, por causa da pandemia, fiz a vigília em casa. É bom estar de volta para agradecer por estar aqui e rezar pelos que se foram. Eu mesma perdi alguns parentes", disse.

Ela ainda participaria da Meditação das Sete Palavras e da Procissão de Enterro, à noite, na Igreja de Nossa da Candelária. "Sábado temos a vigília pascal, tudo isso em igrejas centenárias, com um patrimônio cultural imenso", disse.

Estadão
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