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Rio: moradores de Santa Teresa protestam pela volta do bondinho

27 ago 2013
21h41
atualizado às 21h46
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Dois anos depois do acidente que interrompeu o serviço de bondes no bairro de Santa Teresa, na zona sul do Rio, moradores fizeram um protesto em frente à rua onde fica a moradia do governador do Rio, Sérgio Cabral, no Leblon, zona sul. Os manifestantes levaram uma réplica em tamanho reduzido do antigo bonde e fizeram uma passeata ao longo da orla do bairro.

<p>Com réplica de bonde, moradores de Santa Teresa protestaram em frente à casa de Cabral, no Rio, cobrando a retomada do serviço</p>
Com réplica de bonde, moradores de Santa Teresa protestaram em frente à casa de Cabral, no Rio, cobrando a retomada do serviço
Foto: Ale Silva / Futura Press

Os moradores reclamam principalmente da demora na entrega dos novos bondes e da falta de discussão com a comunidade. "A manifestação aqui é para o governador lembrar que hoje faz dois anos que houve seis mortes causadas pela falta de manutenção dos bondes de Santa Teresa. Vamos ficar mais um ano sem bondes e os carros novos são um estropício. Queremos o mesmo tipo de bonde, com a mesma ambientação, identidade e cultura do bairro", disse o presidente da Associação dos Moradores de Santa Teresa (Amast), Paulo Saad.

O líder comunitário também criticou a ausência de discussão aprofundada com os moradores sobre que tipo de serviço o bairro poderia ganhar. "A sociedade até foi ouvida, mas foi simplesmente ignorada. Ele já nos prometeu para várias datas e acho que isso não vai ficar pronto nem no próximo ano."

A moradora do bairro Débora Lerrer destacou que a falta dos bondes tem prejudicado a comunidade, que perdeu o seu principal meio de transporte. "Enfrentamos um péssimo atendimento de transporte, com humilhações cotidianas, pois os ônibus (que substituem os bondes) vivem lotados, em um desrespeito à população. Antes íamos para o centro de forma muito mais rápida. Agora aumentou o trânsito no bairro e ficou difícil até de andar a pé", declarou Débora, que é professora de sociologia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Procurada para comentar a crítica dos moradores sobre a demora na volta do serviço, a assessoria da Casa Civil do governo do estado respondeu que, logo após o acidente, foi feita uma auditoria completa no sistema de bondes de Santa Teresa, quando foi observada a necessidade de se fazer uma vasta intervenção no sistema. Ressaltou que foram necessários cuidados extras na reformulação do serviço, que é tombado como patrimônio histórico.

O governo rebateu a avaliação dos moradores de que o assunto não foi debatido com profundidade com a comunidade. "A Amast foi recebida no Palácio Guanabara pelo chefe de gabinete da Secretaria da Casa Civil, Arthur Bastos, e pelo subsecretário Rodrigo Vieira. Além deste encontro, a (empresa) Central, responsável técnica pelo projeto, recebeu por diversas vezes não só a Amast, como as outras duas associações de Santa Teresa, para discussões técnicas", diz a nota.

O sistema de bondes do bairro foi interrompido depois do acidente, em 27 de agosto de 2011, quando um dos bondes descarrilou, causando seis mortes e deixando 48 pessoas feridas. O governo do estado encomendou novos bondes, mais modernos, mas a escolha é motivo de discussão. 

Agência Brasil Agência Brasil
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