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Quem é o homem apontado como tesoureiro do PCC que transportava R$ 150 mil por dia e foi preso em SP

Segundo investigadores, Alex Amaro de Oliveira, conhecido como 'Barba', tinha carro com fundo falso para levar dinheiro das biqueiras à cúpula da facção. Defesa não foi localizada

30 jun 2025 - 15h28
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O homem apontado pela polícia como tesoureiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) levava uma vida de luxo e ostentação com o dinheiro do tráfico, segundo a Polícia Civil. Ex-morador de favela, Alex Amaro de Oliveira, o 'Barba', foi preso no último dia 24, em um apartamento de alto padrão no Morumbi, bairro nobre de São Paulo. Com ele foram apreendidos dinheiro, joias, relógios e dois carros de luxo.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Alex Amaro. Anotações e livros de contabilidade apreendidos no local mostram que, pelas mãos do suspeito, passavam até R$ 150 mil por dia provenientes apenas dessas franquias.

De acordo com o delegado Leonardo Rivau, titular da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), o suspeito era o "resumo da rifa", na linguagem da facção: o homem incumbido da tesouraria do PCC. 'Barba' fazia a conferência do dinheiro das 'biqueiras' e repassava o montante correspondente às "mensalidades" para a cúpula da facção.

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Além de coletar o dinheiro que traficantes da Baixada Santista pagavam ao PCC, 'Barba' tinha suas próprias 'biqueiras' em comunidades de São Paulo que funcionavam como uma espécie de franquias do tráfico.

"A contabilidade no celular dele dava conta de que cada uma dessas franquias rendia de R$ 40 mil a R$ 50 mil. E nós identificamos pelo menos três delas", diz, ao Estadão. Os valores eram, em parte, utilizados na compra de imóveis, carros e outros bens, caracterizando práticas de lavagem de dinheiro.

A investigação mostrou que tesoureiro ganhava muito bem para exercer a função. No apartamento luxuoso que ocupava, foram apreendidos uma coleção de relógios caros, colares de ouro e joias de grifes famosas, além e dois carros avaliados em mais de R$ 600 mil. Os policiais também apreenderam celulares, chips de telefonia e notebooks, segundo o registro da ocorrência.

Lareira, central de monitoramento e piso de cumaru

O tesoureiro do PCC ocupava um amplo apartamento em condomínio localizado em uma região privilegiada do Morumbi. O imóvel, com varanda integrada à cozinha, tinha acabamento de altíssimo padrão - o piso é de cumaru, madeira amazônica -, sala de estar com lareira e área de lazer com churrasqueira.

O local contava com uma central de monitoramento com câmeras instaladas em favelas onde funcionavam pontos do tráfico. "Ele ostentava: ora estava com uma (Range Rover) Velar, ora com um Tesla", diz o delegado.

A prisão de 'Barba' no Morumbi foi o resultado de investigações realizadas na Baixada Santista. Rivau conta que a equipe monitorou um veículo suspeito de levar o dinheiro do tráfico para a capital paulista. Uma sacola onde seria levado o dinheiro foi entregue ao ocupante de um automóvel BMW, depois identificado como o 'Irmão Vinicius", o braço-direito do tesoureiro. Ele foi preso. A partir daí, foi possível chegar ao apartamento do Morumbi, onde 'Barba' residia.

Quando o carro foi apreendido, os policiais descobriram que ele tinha um fundo falso que só abria com o uso de um cartão magnético.

"Havia um botão camuflado no painel e era preciso acionar o botão e, ao mesmo tempo, usar o cartão em um dispositivo, no banco traseiro, que abria o compartimento secreto. Era bem tecnológico", diz. Foram apreendidos outros três carros com as mesmas características.

Conforme o delegado, a polícia analisa o material apreendido na casa do suspeito para chegar às possíveis conexões de 'Barba', inclusive com integrantes da cúpula do PCC. Será retirada a criptografia dos celulares apreendidos para acesso ao conteúdo.

A investigação também apura a situação do apartamento ocupado pelo suspeito. "O imóvel estava em nome de terceiro. Nós achamos que o apartamento é dele, mas não foi passado em seu nome para evitar a perda em caso de prisão. Isso está sendo investigado", disse.

De acordo com o delegado, a apuração indicou que 'Barba' cresceu em meio a traficantes, na Favela da Felicidade, comunidade carente da zona sul da capital, e ascendeu rapidamente na facção. Com a morte do antigo tesoureiro, Alexsandro Roberto Pereira, o 'Palito', em novembro de 2024, ele assumiu a contabilidade do tráfico. 'Palito' foi executado por dois homens em uma moto, em seu bar, na capital paulista.

A operação que prendeu os suspeitos mobilizou policiais civis de 24 cidades da área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 6), que cobre a Baixada Santista e o Vale do Ribeira. A Polícia Civil investigou as ações dos suspeitos durante mais de um mês. Durante a investida policial, 36 pessoas foram presas em flagrante e 11 adolescentes foram apreendidos por suspeita de ligação com o tráfico de drogas.

Estadão
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