Quem é a 'dama do crime', jovem suspeita de chefiar grupo ligado ao PCC no Tocantins
Organização criminosa do Tocantins foi alvo da Operação Asfixia, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira, 4
Uma organização criminosa do Tocantins foi alvo da Operação Asfixia, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira, 4. A suspeita é que os investigados tenham envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, e atuassem em crimes como tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
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De acordo com as investigações, quem chefiava as ações do grupo no Tocantins era Lúcia Gabriela Rodrigues Bandeira, de 25 anos. Em conversas encontradas em grupos de mensagens intitulados “Lojistas”, ela era identificada como “Dama do Crime”.
Em entrevista à CNN, o delegado Alexander Costa, da 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc-Palmas), afirmou que Lúcia Gabriela atuava como intermediária entre os traficantes da região e uma facção do PCC em São Paulo.
O delegado destacou que ela administrava uma loja de roupas online. Ele ressaltou que, até o momento, não há evidências de que o negócio tenha sido utilizado para lavagem de dinheiro. No entanto, as investigações sugerem que a loja poderia funcionar como uma fachada para esconder o papel de liderança que ela desempenhava na organização criminosa.
Em junho do ano passado, a “Dama do Crime” foi presa pela polícia com aproximadamente R$ 300 mil em drogas. No entanto, ela foi liberada no dia seguinte, após audiência de custódia.
Após sua soltura, segundo as investigações, a mulher teria feito publicações nas redes sociais em tom de ironia sobre a operação policial. De acordo com o delegado, Lúcia atuava na função desde o final de 2023 e tinha como uma de suas responsabilidades receber as drogas enviadas de São Paulo para o Tocantins.
Segundo a polícia, os entorpecentes eram transportados por meio de “formigas”, termo utilizado pelos criminosos para se referir aos indivíduos que levavam as drogas na bagagem de ônibus. Essas mesmas pessoas também eram encarregadas de entregar armamentos aos traficantes da região.
De acordo com o delegado, a “Dama do Crime” guardava as drogas em “casas bombas” situadas em Paraíso, município localizado a aproximadamente 63 km de Palmas.
Essas casas, que serviam como pontos de armazenamento de drogas, eram vigiadas por câmeras de segurança. De acordo com o delegado, Lúcia e membros da facção do PCC em São Paulo tinham acesso ao sistema de monitoramento.
Com uma estrutura que a polícia descreveu como “empresarial”, Lúcia Gabriela era responsável por distribuir as drogas enviadas de São Paulo para traficantes em todo o estado. Nas conversas interceptadas pelas investigações, esses traficantes eram chamados de “lojistas”.
Segundo o delegado Alexander Costa, a “Dama do Crime” cobrava dos lojistas uma prestação de contas detalhada. Os dados eram organizados em planilhas e encaminhados aos traficantes de São Paulo.
Lúcia foi detida novamente em dezembro de 2024, durante a Operação Lady’s Fall. Mesmo já estando presa, ela foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva, cumprido nesta terça-feira.
Ao Terra, o advogado Barcelos Filho, que defende Lúcia Gabriela, afirmou que ainda "está analisando as acusações e buscando ter ciência na íntegra sobre os fatos que motivaram a prisão preventiva".
Operação Asfixia
A Operação Asfixia cumpriu 15 mandados de prisão, e dois suspeitos ainda estão foragidos. Além disso, foram realizados mandados de busca e apreensão e bloqueios de contas bancárias. Os alvos da operação estavam localizados no Tocantins (Palmas, Araguaína, Paraíso e Porto Nacional) e em São Paulo (capital, Praia Grande e Barueri).
As investigações são conduzidas pelos delegados Alexander Pereira Costa e Thyago Busttorf, da 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc-Palmas). O delegado Alexander Costa ressaltou que o principal objetivo da operação é asfixiar o núcleo financeiro dessa célula criminosa.
“Nos últimos dois anos, foi identificada uma movimentação financeira de R$ 20 milhões. Ao bloquear as contas dos principais laranjas, vamos interromper o fluxo financeiro decorrente da lavagem de dinheiro oriunda do tráfico de drogas dessa célula, que é vinculada à uma facção paulista com atuação em vários estados da federação”, destacou o delegado.
De acordo com as investigações, além do Tocantins, o grupo criminoso atua nos estados do Piauí, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte, mas seus líderes estão sediados em São Paulo.
“As investigações apontaram que o grupo age de forma estruturada e organizada com atuação em diversos estados da federação. Foi identificado que essa organização além do tráfico de drogas remete armas para esses estados e acaba fomentando a guerra de facções. Inclusive as investigações apontaram que diversas pistolas de origem turca que foram apreendidas em Palmas, foram remetidas por essa organização e foram usadas por facções durante a disputa de poder que resultou em vários homicídios no primeiro semestre de 2023, em Palmas”, explicou o delegado em nota divulgada pela Polícia Civil.
A Operação Asfixia contou com o apoio de diversas unidades, incluindo a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco); a Denarc Araguaína; as Divisões Especializadas de Combate ao Crime Organizado (Deics) de Palmas, Paraíso e Porto Nacional; a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas; a Delegacia Especializada de Polícia Interestadual, Capturas e Desaparecidos (Polinter-Palmas); o Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote); e a Polícia Civil de São Paulo (Dise, Denarc/PCSP, Deinter/6º PCSP e GOE/PCSP).