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Protestos contra morte de João Alberto ocorrem em 6 cidades

Atos foram convocados em diversas cidades brasileiras, como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza

20 nov 2020
18h53
atualizado às 21h42
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O assassinato de João Alberto, homem negro de 40 anos, por seguranças no Carrefour Passo D'Areia, em Porto Alegre, gerou protestos em diversos locais do Brasil nesta sexta-feira. Manifestantes entraram em unidades do supermercado.

Na capital do Rio Grande do Sul, a manifestação começou no início da tarde, em frente à unidade onde aconteceu o crime. Com cartazes, bandeiras e faixas destacando que "vidas negras importam", milhares de manifestantes exigiram Justiça pelo assassinato . A realização do protesto ganhou adeptos nas redes sociais e eclodiu em frente ao hipermercado.

Manifestantes de seis cidades protestam contra morte de João Alberto em unidades do Carrefour
Manifestantes de seis cidades protestam contra morte de João Alberto em unidades do Carrefour
Foto: Fernando Alves / Estadão Conteúdo

Cruzes e flores em homenagem a João Alberto também foram colocadas no local. Lideranças negras e políticas se revezavam no caminham de som. "Acabou o amor, isso aqui vai virar Palmares. Racistas, fascistas não passarão", gritavam os manifestantes no ato. A fachada também foi pichada em protesto: "Assassinos". Rojões também foram arremessados contra o mercado. No meio do ato, um coro de Fora Bolsonaro foi entoado pelos manifestantes.

O ato contou com forte aparato policial. Após a morte de João Alberto na quinta-feira, o Carrefour amanheceu com as portas fechadas. Mesmo em meio a pandemia, aglomerações foram registradas no ato. A maioria dos integrantes usava máscara de proteção facial. O trânsito foi bloqueado no local. Os motoristas que passavam pela região buzinam em apoio aos manifestantes.

São Paulo

Em São Paulo, manifestantes se concentraram no vão do Masp por volta das 16h. Cerca de duas horas depois, um grupo de mais de 600 pessoas iniciou uma caminhada em direção ao Carrefour da Pamplona. Todo o trajeto foi acompanhado pela polícia, que não interferiu em nenhum momento. Ao chegar no local, a manifestação concentrou-se na rua, mas não demorou para que avançasse ao estacionamento que fica em frente ao supermercado.

Uma pequena parte dos manifestantes pegou pedras dos vasos do estacionamento e arremessou contra os vidros do supermercado. O grupo de seguranças do Carrefour não resistiu à invasão - a própria Polícia Militar não interveio.

Um grupo invadiu o supermercado atirando objetos no chão ou quebrando-os. Por ora, não houve registro de saques. A ação durou pouco mais de 10 minutos (sem nenhuma interferência da Polícia Militar ) . Lideranças da manifestação chegaram a pedir que não houvesse quebra-quebra ou invasão - mas os pedidos não foram atendidos por esse pequeno grupo. A polícia só se aproximou quando todos os manifestantes já tinham saído do supermercado. Até o momento não existe registro de prisões ou feridos.

Rio

No Rio, dezenas de manifestantes fizeram um protesto no supermercado Carrefour da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Aos gritos de "Assassino, Carrefour", eles chegaram a protestar até mesmo dentro do supermercado, pedindo para que a unidade fechasse. Antes, o grupo se posicionou no estacionamento que fica em frente ao supermercado e exibiu faixas com dizeres como "Parem de nos matar" e "Sem Justiça, sem paz". A manifestação foi pacífica.

Brasília

Em Brasília, as manifestações se concentraram no Carrefour localizado na Asa Sul. O ato começou na rua e depois entrou na unidade para pedir seu fechamento.

João Alberto foi espancado e morto por dois homens brancos no estacionamento do Carrefour Passo D'Areia, na zona norte da capital gaúcha, na quinta-feira, véspera do Dia da Consciência Negra. Os dois seguranças foram detidos.

 

Belo Horizonte

A manifestação em Belo Horizonte aconteceu em frente a uma das lojas do grupo no Centro da cidade. O supermercado teve as portas fechadas logo depois do início do protesto, por volta das 15h. A Polícia Militar acompanhou toda a manifestação. Depois do ato em frente ao Carrefour do Centro, os manifestantes seguiram em caminhada até outra loja do grupo, também no Centro e, desta vez, entraram no estabelecimento. Não houve registro de nenhum tipo de ocorrência policial relacionada ao protesto.

O ato foi organizado por entidades que representam a população negra, como o Núcleo Rosa Egipsíaca Negros, Negras e Indígenas. A integrante do coletivo Nzinga, de mulheres negras, Etiene Martins, de 37 anos, afirma que já seria muito ruim se esse tipo de violência ocorresse apenas nesta época, nas comemorações do Dia da Consciência Negra. "Mas acontece todos os dias. Nesse caso, foi filmado, divulgado, e ajuda a denunciar. Só que nem sempre é assim. Muitas vezes acontece e ninguém vê", aponta.

Etiene argumenta que a violência contra o negro acontece sob vários aspectos. "Por mais que a gente não viva em uma cidade com segregação, como ocorre nos Estados Unidos, o corpo negro é segregado, é oprimido, mesmo quando é cliente", argumenta. A representante do Nzinga avalia que o racismo segue em tanta expressão na sociedade brasileira que ainda há pessoas que afirmam que ele não existe. "Acontece muito, até mesmo em departamentos públicos, quando você vai fazer uma queixa, e querem te convencer de que você está errada, que entendeu mal".

A morte de João Alberto acontece em um momento, segundo Etiene, em que ainda se falava sobre a vitória de candidatas negras às Câmaras Municipais nas eleições de domingo, 15. "Durante um segundo a gente comemora, mas em seguida vê que nosso povo continua morrendo. E muitas vezes com a conivência da própria Justiça", reclama.

Fortaleza

Em Fortaleza, houve dois protestos, o primeiro, que já estava organizado, ocorreu em frente à Secretaria de Segurança Pública e o segundo em frente ao supermercado Carrefour, no bairro Aldeota, zona nobre da capital cearense. Conforme imagens de um vídeo que foi compartilhado por whatsapp, uma das militantes denunciava a atuação de policiais que, supostamente, tentaram interromper o ato.

Antônia Araujo, professora, militante do Movimento Negro Unificado (MNU) e Ouvidora Geral Externa da Defensoria Pública, comenta que o primeiro ato já estava organizado, e reivindicava melhores condições no sistema penitenciário do Ceará. Segundo Antônia, policiais tentaram dispersar os manifestantes de forma truculenta, com balas de borracha e spray de pimenta. Três pessoas foram detidas.

"A manifestação era pacífica. As pessoas estavam em direito pleno de se manifestar e a polícia jamais poderia utilizar uma força desproporcional. Foi muito grave. Estamos preocupados com as pessoas que foram detidas, que assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência e foram liberados, mas a exposição foi muito grande. Infelizmente, o que vimos foi um uso desproporcional de forças", explica.

No segundo ato realizado em frente ao Carrefour, os movimentos de uniram para manifestar contra o racismo, lembrando a violência que resultou na morte de João Alberto.

"Os movimentos foram chamando. Todos estão em um momento de exaustão. Outras pessoas já estão sendo assassinadas e sofrendo violência brutal, seja da seguranças privadas ou o próprio estado, mas com cunho racista e as pessoas estão denunciando justamente por compreenderem que chegou o limite da exaustão e que medidas precisam ser adotadas com urgência para evitar que se instale um processo mais violento ainda do que vem acontecendo no Brasil e no Ceará", desabafa Antônia. /COLABORARAM LEONARDO AUGUSTO E LÔRRANE MENDONÇA, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

 

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