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Professora passa oito dias na prisão por crime que ocorreu quando ela tinha 10 anos

Samara foi detida enquanto lecionava em uma escola de Rio Bonito, no Rio de Janeiro; família se mobilizou para mostrar o equívoco à Justiça

1 dez 2023 - 13h26
(atualizado às 14h26)
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Professora passa oito dias na prisão por crime que ocorreu quando ela tinha 10 anos
Professora passa oito dias na prisão por crime que ocorreu quando ela tinha 10 anos
Foto: Freepik

A professora Samara de Araújo Oliveira, de 23 anos, foi presa na semana passada enquanto lecionava em uma escola de Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A jovem foi detida por um crime que ocorreu quando ela tinha apenas 10 anos, sendo inimputável perante a lei, segundo O Globo

Conforme o jornal, o crime aconteceu em 2010, em São Francisco, cidade do interior da Paraíba. O funcionário de um mercado do município recebeu uma ligação de um desconhecido que o ameaçou de morte, dizendo que duas pessoas numa moto o vigiavam. Para não ser morto, ele deveria fazer oito transferências de R$ 1.000 para sete contas diferentes e não podia sequer desligar o telefone. 

Com medo, a vítima cumpriu o que foi pedido pelos criminosos. Mas, durante as investigações, foi descoberto que a ligação era um golpe e não tinha ninguém em frente ao mercado para matar o funcionário. Com a quebra dos sigilos bancários, a Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba identificaram os donos das contas, que eram do Rio de Janeiro.

Segundo a publicação, duas acusadas, Cirlene de Souza e Josina Padilha, dona das contas, foram encontradas. Uma disse que desconhecia o valor depositado, enquanto a outra afirmou que não tinha conta bancária. As duas foram condenadas a cinco anos e quatro meses de prisão e a pena teve início em regime semiaberto.

No entanto, dois acusados ainda precisavam ser localizados. Eram Ricardo Campos dos Santos e Samara. O juízo determinou que o MP da Paraíba tentasse mais uma vez descobrir os endereços dos acusados e, em 20 de janeiro deste ano, foi decretada a prisão de Samara de Araújo Oliveira. 

Conforme O Globo, em um cadastro nacional de dados de pessoas físicas há nove nomes iguais ao da professora, que foi presa no último dia 23 e levada para o Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Desde então, a família dela se mobilizou para mostrar o equívoco à Justiça paraibana.

"Minha filha estava em sala de aula. Ela é professora de Matemática. Fiquei sabendo pela mãe dela que os policiais a levaram durante a aula como se fosse uma criminosa", disse o pai da jovem, o encarregado de transporte Simario Araújo, de 48 anos.

"Ela nunca pisou na Paraíba. Minha filha é uma menina doce, estava se graduando em Matemática. Não foi nem à formatura dela, no sábado passado, porque estava presa", acrescentou.

Somente na quarta-feira, 29, a família, por meio de um advogado, conseguiu provar o erro e o juiz substituto Rosio Lima de Melo, da 6ª Vara Mista da cidade de Sousa, decidiu expedir o alvará de soltura da professora.

De acordo com o jornal, ao tomar conhecimento sobre o caso, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio tirou Samara da cela que dividia com outras 13 detentas ontem e manteve na sala da direção até sair o alvará de soltura. O documento, no entanto, atrasou e só chegou nesta sexta-feira, 1º. 

Samara foi solta por volta das 9h15 após oito dias na prisão. "Não está nem conseguindo falar comigo, está muito abatida", disse o pai da jovem ao reencontrá-la.

"Ela é uma inocente que foi julgada e culpada por um crime que alguém roubou os documentos dela, cometeu um crime quando ela ainda era criança, e a Justiça fez um procedimento totalmente errado, então, certamente a gente vai expor isso, mas no momento certo", disse ele.

O Terra procurou o Ministério Público e a Justiça da Paraíba em relação ao caso e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestações. 

Fonte: Redação Terra
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