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Presidente do Maksoud Plaza fala em possibilidade de novo endereço e reabertura do Frank Bar

Henry Maksoud Neto diz estar em 'negociações avançadas' com incorporadoras para levar marca de hotelaria para novo espaço em São Paulo

7 dez 2021 18h08
| atualizado às 18h21
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O fechamento do hotel Maksoud Plaza após 42 anos pode não ser o fim definitivo do ícone paulistano de hotelaria. O presidente da marca, Henry Maksoud Neto, de 46 anos, diz estar em "negociações avançadas" com incorporadoras e construtoras parceiras para a reabertura em um novo endereço.

Ao Estadão, Maksoud Neto afirma que o premiado Frank Bar também está nos planos de reinauguração. O acervo de obras de arte e mobiliário do hotel será preservado. Ele costuma destacar que trabalhou no hotel desde os 15 anos, décadas antes de assumir a presidência, após a morte do avô Henry Maksoud, idealizador do espaço, em 2014. Nos últimos anos, o hotel foi alvo de disputas judiciais variadas. Uma delas culminou no leilão do tradicional endereço, arrematado pelos empresários Fernando Simões e Jussara Elaine Simões, cujos planos para o edifício ainda não foram divulgados.

Aberto em 1979, o hotel foi um dos mais luxuosos do País, com auge nos anos anos 1980 e 1990, quando recebeu astros da música, autoridades e celebridades em geral, de Frank Sinatra aos Rolling Stones, de Margaret Thatcher a Kofi Annan. Veja a entrevista a seguir:

No comunicado do fechamento, é citado que a marca Maksoud Plaza será mantida. Há planos de reabrir o hotel em outro espaço?

O hotel encerrou hoje (nesta terça) as suas atividades em seu endereço histórico, mas as atividades da empresa que o administrava, a HM Hotéis, prosseguem. Fizemos pesquisas e sabemos que temos mercado para a nossa marca em empreendimentos hoteleiros e imobiliários, dos quais poderemos ser sócios, gestores de projeto de engenharia e arquitetura (área onde atuou por muitos anos, a nossa controladora, a Hidroservice) e gestores hoteleiros. Retornamos, portanto, às nossas origens, que é a prestação de serviços. Temos o Frank Bar, referência internacional na arte da coquetelaria. Todo esse know-how segue conosco. Estamos com algumas negociações avançadas e, em breve, vamos anunciar essas parcerias, que serão importantes para nos manter gerando empregos e honrando com os compromissos que ainda restaram na RJ (recuperação judicial).

Como se deu a venda do endereço atual do hotel? Foi um acordo com os empresários que arremataram em 2011? Como os recursos serão empregados?

Foi um acordo para validar o arremate do prédio, ocorrido em 2011, mas que vinha sendo discutido em diversos recursos judiciais. Esse tema era fundamental para o sucesso de nossa recuperação judicial. Tanto que o próprio juiz que cuidava da nossa RJ (recuperação judicial) abriu um incidente dentro do processo determinando uma mediação entre as partes. Era um processo que se arrastava na Justiça, com recursos de ambos os lados, há mais de 10 anos. Os Simões (Fernando Simões e Jussara Elaine Simões) alegavam que participaram de boa-fé do leilão, o que é verdade. E o nosso ponto é que a Justiça do Trabalho teria de ter cancelado a validade do leilão (o que chegou a fazer, em uma primeira decisão), já que ele foi motivado por uma dívida que foi paga por nós dentro do prazo. Mas não havia garantia para nós de que iríamos vencer. Poderíamos perder o prédio do hotel de qualquer forma, ao final do processo. Além disso, a nossa RJ prevê uma série de leilões de imóveis que compõem o patrimônio do grupo, fundamentais para a redução das dívidas. Esta disputa judicial com os Simões colocava em risco esses negócios, já que muita gente não quer negociar com quem tem uma pendência desse tamanho. Portanto, por esses motivos, resolvemos fazer um acordo, encerrar a disputa e focar no nosso processo de reestruturação e eliminação de dívidas, no que o pagamento feito pelos Simões, atualizado para valores de hoje vai ajudar bastante. O prédio havia sido arrematado por R$ 70 milhões, valor que atualizado atinge R$ 132 milhões. Os recursos serão utilizados para cumprir nossos compromissos com os credores na recuperação judicial e também para nossos investimentos futuros.

O que será do acervo de peças de arte, móveis e outros bens icônicos do hotel?

Vamos preservar o acervo do hotel, é claro. Espero que em breve ele esteja em nosso novo endereço.

Como está a situação das dívidas? Ainda restará um passivo?

As dívidas não eram do hotel, mas herdadas de outras empresas do grupo que não estão mais operando, como a Hidroservice, que chegou a ser a maior empresa de projetos de obras de infraestrutura de grande porte (como a Usina de Itaipu), mas que encerrou suas atividades em função da crise fiscal, que secou os recursos públicos para este tipo de obra. Existiam vários tipos de dívidas. As dívidas que estavam no processo de recuperação judicial eram de R$ 110 milhões. Graças aos dispositivos legais da Lei de Recuperação Judicial, conseguimos reduzir esta parte da dívida para R$ 60 milhões, a serem pagos em 23 anos, com exceção da parte trabalhista, que será paga em 12 meses, três parcelas já foram pagas. Havia também R$ 420 milhões em dívidas tributárias, que foram reduzidas, após negociação com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e com a Prefeitura de São Paulo, para R$ 170 milhões, a serem pagos em dez anos. Havia mais R$ 315 milhões em dívidas em disputa na Justiça, mas a maioria está prescrita e devemos pagar apenas R$ 70 milhões, em caso de perda de todas as ações. Ou seja, no total devíamos R$ 845 milhões, mas conseguimos reduzir para R$ 300 milhões. Mas o grupo tem imóveis - fora o Hotel, que foi arrematado por R$ 132 milhões - avaliados em R$ 191 milhões, que serão vendidos para abater a dívida restante.

Há planos de reabrir o Frank Bar em outro endereço?

Sim, o Frank Bar é uma marca e um know-how nosso. No nosso novo endereço, ele com certeza estará presente.

Quantos funcionários trabalhavam no hotel?

São 170 colaboradores, que seguem trabalhando até o dia 31 de dezembro. Esperamos aproveitar boa parte deles em nossos novos empreendimentos.

Estadão
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