Por que a Sabesp vai retirar menos água do Cantareira
Sistema formado por cinco reservatórios atingiu volumes inferiores a 40% por causa da falta de chuvas; companhia também reduziu a pressão na distribuição
Por causa da falta de chuva e da redução do nível dos reservatórios do Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai passar a retirar do sistema em setembro até 27 metros cúbicos por segundo (m³/s), em vez dos 31 m³/s autorizados até agosto.
A redução foi determinada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas). O sistema formado por cinco reservatórios (Jacareí, Jaguari, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) atingiu volumes inferiores a 40% em agosto, e nesta sexta-feira registrava 35,23% de seu volume útil.
A redução segue critérios definidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada após a crise hídrica de 2014/2015. A norma estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume acumulado no Sistema Cantareira, conferindo previsibilidade às condições operativas e maior segurança hídrica para a região metropolitana de São Paulo e para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Como medida de mitigação, a Sabesp poderá utilizar a vazão bombeada do reservatório de Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, para chegar ao limite outorgado de 33 m³/s.
Na segunda-feira, 25, a Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) determinou o início de um regime de prevenção e contingência, com ações para preservar os níveis dos reservatórios. Essas ações estão sendo acompanhadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e pela Defesa Civil no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas.
O regime deliberado pela Arsesp prevê que a Sabesp promova, na região metropolitana coberta pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), a prática de gestão de demanda noturna pelo prazo de oito horas, de 21h às 5h, garantindo uma economia de 4 metros cúbicos por segundo. A redução na pressão na distribuição de água é válida até que sejam recuperados os níveis dos reservatórios que abastecem a região metropolitana. A agência também solicitou à concessionária que apresente um Plano de Contingência específico para a região metropolitana de São Paulo.