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PM foi 'truculenta' ao reprimir protesto, diz metroviário preso em SP

O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres, classificou como 'arbitrária' sua prisão

7 jun 2013
16h59
atualizado às 20h43
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O presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres, preso na noite desta quinta-feira por participar dos protestos contra o aumento das tarifas do transporte público na capital paulista, afirmou, nesta sexta-feira, que a ação da Polícia Militar contra os manifestantes foi “truculenta” e sua prisão, “arbitrária”.

<p>Para presidente do Sindicato dos Metroviários, ação da PM foi 'truculenta' </p>
Para presidente do Sindicato dos Metroviários, ação da PM foi 'truculenta'
Foto: Gabriela Biló / Futura Press

“Minha prisão foi absurda e arbitrária. Eu não estava fazendo nada. Fui conversar com os policiais para perguntar como as pessoas sairiam do shopping e me apresentei como presidente do Sindicato dos Metroviários e eles simplesmente me detiveram”, afirmou Altino, em entrevista coletiva realizada na sede do sindicato, no Tatuapé, zona leste da capital paulista. 

Segundo o presidente do sindicato, a PM o prendeu sem embasamento, e o encaminhou ao 78º Distrito Policial (Jardins) sem acusação. “Nem B.O. (boletim de ocorrência) eles fizeram”, afirmou. “O comandante reconheceu que não havia acusação. Agora, por que me detiveram, eu não sei. Parece que para ter repercussão”, acusou. 

Para Altino, a PM precisa “repensar a maneira de agir com os movimentos sociais”. Segundo ele, a polícia errou ao usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter a população. “Não precisava. (...) Houve pânico nas pessoas, que corriam de um lado para o outro, e algumas sequer estavam participando da manifestação.”

Altino afirmou ainda que o sindicato está a favor do movimento contra o aumento na passagem e que os responsáveis pelos atos de vandalismo precisam ser responsabilizados. “Vamos debater e nos organizar, mas não queremos que as pessoas quebrem tudo.”

Polícia prende 15 após protestos
Ao todo 15 pessoas foram detidas por conta do protesto. A Polícia Militar (PM) informou que os detidos foram encaminhados para o 78º DP (Jardins). O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres, faz parte do grupo.

Desses suspeitos, nove foram ouvidos e liberados em seguida, incluindo o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino Prazeres . Os outros seis detidos passaram a noite na delegacia, segundo informações do Bom Dia SP.

Dos que continuaram detidos, segundo o delegado de plantão Severino Pereira, quatro foram liberados no início da manhã, após pagamento de fiança. Alguns tiveram que arcar com o pagamento de um salário mínimo (R$678), por terem causado pequenos danos ao patrimônio. Outros, que causaram danos maiores, pagaram fiança de R$ 3 mil.

Pela estimativa policial, aproximadamente 2 mil pessoas participaram do protesto - a organização Passe Livre, que liderou a passeata, indicou que o evento reuniu cerca de 5 mil.

Nesta quinta-feira, os manifestantes fecharam a bifurcação entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, na região do Terminal Bandeira, no centro de São Paulo, por volta das 19h, e interditaram as vias queimando caixotes e itens de sinalização de trânsito. Os manifestantes entraram no Terminal Bandeira e, de acordo com a PM, danificaram e picharam ônibus. A polícia então utilizou munições químicas, como gás lacrimogêneo, e balas de borracha.

Aumento da tarifa
As tarifas de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no domingo. A prefeitura informou que a proposta de reajuste, de 6,67%, foi enviada em 22 de maio à Câmara de Vereadores. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota. A previsão é que haja pagamento de R$ 1,25 bilhão em subsídios ao sistema de ônibus em 2013.

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) também alegou que o reajuste é menor que a inflação no período de janeiro de 2012 a maio de 2013, que foi de 7,2%. "Ao comprar uma passagem no Metrô, o passageiro tem acesso aos 74,3 quilômetros da malha metroviária e aos 260 quilômetros da rede ferroviária da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)", disse a empresa em nota.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou, junto com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que o preço abaixo da previsão é um esforço feito para colaborar com o governo federal, que enfrenta dificuldades para manter a inflação no teto da meta estabelecida (6,5%).

Ele também havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as passagens de ônibus, trem e metrô. O decreto foi publicado na semana passada, mas não houve manifestação da administração municipal.

Fonte: Terra
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