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PM e manifestantes entram em confronto em protesto em Brasília

A Polícia Militar usou spray de pimenta e armas taser para conter os protestantes, que entraram no espelho d'água e tentaram subir a rampa do Congresso

17 jun 2013
18h08
atualizado em 18/6/2013 às 10h52
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<p>Um grupo conseguiu furar o bloqueio da PM e subiu no prédio do Congresso Nacional pela lateral do edifício</p>
Um grupo conseguiu furar o bloqueio da PM e subiu no prédio do Congresso Nacional pela lateral do edifício
Foto: Gustavo Gantois / Terra

Manifestantes e policiais militares entraram em confronto na tarde desta segunda-feira em Brasília depois que um grupo tentou subir a rampa do Congresso Nacional. A Polícia Militar usou spray de pimenta e armas taser (não letal) para conter alguns protestantes, que entraram no espelho d'água. Dois manifestantes foram presos. Cerca de 5 mil pessoas participaram do ato.

Um grupo conseguiu furar o bloqueio e subiu no prédio do Congresso Nacional pela lateral do edifício. A PM respondeu com bombas, mas os manifestantes retornaram em maior número e ocuparam o local onde ficam as abóbadas invertidas. Eles gritavam frases como "aha-uhu, o Congresso é nosso". Do lado de baixo, no gramado, manifestantes cantavam o hino nacional segurando os celulares acesos.

Um outro grupo protestava em frente à chapelaria do prédio quando um manifestante jogou um martelo contra o vidro, que rachou. O clima era tenso entre os jovens e a polícia. Uma manifestante desmaiou e foi atendida dentro da chapelaria após policiais jogarem gás de pimenta do lado de fora. Por volta das 22h30, poucas centenas de manifestantes permaneciam no local.

O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Sérgio Sampaio, se reunia por volta das 21h30 com o diretor da Casa Militar do DF, coronel Rogério Leão, nas dependências da Câmara para tentar um acordo com os manifestantes que ocupavam a frente do Congresso.

Os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Paulo Paim (PT-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) se dispuseram a conversar com representantes dos manifestantes, mas o diálogo não aconteceu. "Não houve clima. Não houve quem se apresentasse como liderança do movimento para conversar", disse Inácio Arruda.

O presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), tentou conversar com manifestantes que protestavam em frente ao Congresso. Na tentativa de evitar ser reconhecido, Vargas saiu da Câmara sem paletó e gravata, mas não conseguiu conversar com os manifestantes.

Segundo o deputado, a falta de liderança no movimento dificulta o diálogo. "O movimento não tem pauta organizada nem líderes. Se tivesse, aqui é a casa do dialogo. Chegamos à conclusão que o movimento majoritário é pacifico e está querendo nos dizer algo. Vamos tentar interpretar o que o movimento quer", disse.

Assim, a única preocupação dos parlamentares e do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), com quem Vargas esteve reunido hoje, é garantir a segurança dos envolvidos. "Manifestantes, jornalistas, servidores da Casa. Temos que trabalhar para garantir a integridade física e o patrimônio público", afirmou. Mesmo sem líderes e pauta de reinvindicações definida, Vargas disse que os protestos são legítimos.

Manifestantes entraram em espelho d'água
Mais cedo, a PM havia feito um cordão de isolamento entre o espelho d'água e o Congresso. O comandante informou que, se os manifestantes ultrapassassem a área, a polícia reagiria. Logo depois, um grupo jogou água contra os policiais, que entraram no espelho d'água e prenderam dois jovens. Um manifestante desmaiou e foi carregado por PMs até uma viatura.

Os manifestantes que estavam na grama eram incentivados pelos demais a cruzar o espelho d'agua e subir a rampa do Congresso. Alguns foram atingidos por spray de pimenta, incluindo jornalistas.

Os organizadores do evento afirmaram que os manifestantes que tentaram invadir o Congresso são cerca de 15 a 20 anarcopunks que não fazem parte do movimento. A organização tentava tirá-los do espelho d'água para que não provocassem os policiais.

Os protestantes ocuparam todas as faixas da pista que dá acesso ao Congresso Nacional. A promessa era de que o protesto passaria por três pistas (duas para os manifestantes e uma para os carros e policiais), mas os manifestantes ocuparam as seis faixas. Em seguida, eles se dirigiram ao canteiro central em frente ao Congresso Nacional.

A polícia estimou em 700 o número de protestantes no início do ato, que começou por volta das 17h. Os organizadores, por sua vez, contabilizavam em 1,5 mil. Os carros que passam ao lado buzinavam e gritavam em apoio ao protesto.

Os manifestantes de Brasília foram às ruas para apoiar os atos que acontecem em São Paulo contra o aumento da tarifa do transporte público e a favor do passe livre. A multidão afirmava que os policiais são explorados também, pediam o fim da corrupção e aplicação dos investimentos em saúde, educação e segurança.

Os manifestantes gritavam "Fora, Renan" e "Fora, Feliciano", em alusão ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Pastor Marco Feliciano.

Um dos organizadores, Jimmy Carreiro Lima, 17 anos, estava com a mãe no ato. Ela incentivou o filho sob condição de não haver agressões, depredações e violência. “Participei do (movimento do início dos anos 90) Caras-Pintadas e vim apoiar o meu filho”, disse ela, que tentava negociar com os manifestantes para que deixassem as três faixas da pista livres.

Colaboraram com esta notícia os internautas Santini Iskra e Maria Luiza Ribeiro Pereira, de Brasília (DF), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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Fonte: Terra
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