Parque Augusta: Como está o local um ano após a inauguração?
Número de visitantes ultrapassou marca de 1,6 milhão; espaço virou ponto de encontro de moradores também de outras regiões da cidade
O Parque Augusta completa um ano neste domingo, 6, após ultrapassar a marca de 1,6 milhão de frequentadores. Do gramado com status de "prainha" à arquibancada-plateia para artistas de rua, o espaço no centro de São Paulo se consolidou como um "point" tanto para moradores de diferentes regiões da cidade quanto para atividades propostas pela vizinhança, de ponto de paquera a rodas de meditação.
"Todo mundo quer conhecer, o que é bastante significativo para um espaço de 23 mil m²", comenta o gestor do parque, Heraldo Guiaro, de 63 anos. Em 2022, o espaço atraiu um público mais de cinco vezes superior ao do vizinho Parque Buenos Aires, de dimensões semelhantes (18,7 mil m²), e equivalente ao do Parque Aclimação (de 112,2 m²), ambos também na região central, segundo dados da Prefeitura.
Antes gestor do Parque do Ibirapuera, Guiaro percebe algumas semelhanças na relação afetiva do público com os dois espaços, apesar das diferenças de porte. "O pessoal falava do Ibirapuera como um amigo, e acho que o Augusta está indo para esse caminho", compara. Ele cita o caso de uma criança de 5 anos que desenhou o parque como o quintal da escola, localizada no entorno.
O administrador comenta que o parque chega a atrair cerca de 20 mil pessoas nos domingos, grande parte dispostas no gramado, em banhos de sol, piqueniques e grupos de amigos. Além disso, atividades culturais, esportivas e voltadas ao bem-estar são realizadas junto à arquibancada e em outras pontos. Todas são voluntárias e, em parte, oferecidas pela própria vizinhança.
Nas redes sociais, espalham-se retratos e fotos de grupos dispostos na "prainha" (gramado) nos fins de semana, por vezes com trajes de banho. O clima democrático e de diversidade costuma ser citado por frequentadores, que dizem se sentir mais à vontade no Augusta do que em outros parques, principalmente no caso de mulheres e da comunidade LGBT+.
Entre os que não moram tão perto, alguns emendam passeios a outros espaços do entorno, como barzinhos, festas e restaurantes do Baixo Augusta, da Vila Buarque e da Praça Roosevelt. Por outro lado, novos edifícios se multiplicaram pelo entorno nos últimos anos, atraindo novos moradores e turistas e mudando a característica do fluxo nas calçadas, com menos comércios. O funcionamento é das 5 às 21 horas.
"A gente estende uma canga no chão, senta, conversa, às vezes bebe um pouquinho. Geralmente vou para encontrar amigos ou em um "date" (encontro)", descreve o estudante Merques Rodrigues de Lima, de 21 anos. Morador da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, conta que o Augusta se tornou o parque que visita com mais frequência, cerca de uma vez ao mês. "É confortável, tem um espacinho para tomar sol. Além disso, é um parque bem voltado para o público LGBT, então a comunidade geralmente se junta lá."
A educadora Hajla Shanti, de 47 anos, também decidiu implantar uma atividade voluntária no parque, com aulas de ioga nas quartas-feiras, às 7h30. Com um estúdio na vizinhança, ela conta que alguns participantes inicialmente estranhavam a prática em meio de uma área tão urbanizada, latidos de cachorro e barulho de obra, mas destaca que se trata de "ioga de verdade". "O mundo não para. A prática é se concentrar em você."
A professora explica que a prática ao ar livre permite diferentes estímulos, como o contato com a grama, o sol, o vento e as árvores. "É uma experiência única para quem mora nos centros", avalia. Também aponta a troca de experiências propiciada ao reunir participantes de diferentes faixas etárias, dos anos 20 aos mais de 70 anos.
As aulas recebem uma média de 20 a 30 pessoas semanalmente, mediante inscrição pela internet (em instagram.com/yoga_humanidade/). Segundo Hajla, a doação de alimento não perecível, roupa ou livro é sugerida, mas não obrigatória.
O Augusta também foi escolhido para os encontros mensais do grupo de tai chi chuan e zazen (meditação) que a professora Paula Faro, de 45 anos, organiza em conjunto com a monja Waho Degenszajn. Antes, as atividades eram itinerantes, em diferentes espaços abertos, mas parte do grupo participou anos atrás de uma intervenção durante o movimento pela abertura do parque.
"O espaço mais aberto, as pessoas se conectam mais. Tem muita interação com as pessoas que estão no parque, de pessoas que se juntam, rola uma troca", comenta Paula. Em comparação, diz que, no Parque do Ibirapuera, por exemplo, pelas características, separado por nichos, o grupo acaba ficando mais isolado.
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