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Panteão do Patriarca da Independência será restaurado e terá estátua com conceito 'instagramável'

Obras custarão R$ 1,5 milhão e um dos objetivos é incentivar visitantes a tirar fotos e selfies junto à escultura de José Bonifácio de Andrada e Silva

23 jun 2022 10h10
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SOROCABA - O Panteão dos Andradas, monumento que homenageia o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, e seus irmãos, começará a ser restaurado até o fim deste mês, em Santos, no litoral de São Paulo. A revitalização do monumento, inaugurado no dia 7 de setembro de 1923, um ano após o centenário da Independência, deve ficar pronta até setembro deste ano, quando serão comemorados os 200 anos da Independência.

Nascido em Santos, em 13 de junho de 1763, Andrada e Silva teve papel decisivo para o rompimento dos laços entre o Brasil colônia e o reino de Portugal, na época. O projeto de restauro conservativo do panteão, elaborado pelo arquiteto Ney Caldatto, da Secretaria de Infraestrutura e Edificações da Prefeitura de Santos, prevê a integração do monumento à Praça Barão do Rio Branco, no centro da cidade. O local vai ganhar uma estátua de José Bonifácio, com conceito "instagramável", permitindo que as pessoas façam fotos e selfies junto à escultura.

Obra inclui uma estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva, na Praça Barão do Rio Branco, em Santos
Obra inclui uma estátua de José Bonifácio de Andrada e Silva, na Praça Barão do Rio Branco, em Santos
Foto: Prefeitura de Santos/Divulgação / Estadão

O restauro do monumento inclui a reconstituição de partes de alto-relevo em gesso e placas de mármore, limpeza e polimento das paredes e do piso em mármore, bem como a recuperação do telhado. Sob as telhas originais, de barro, será colocada uma sub cobertura com telha metálica, para proteção contra infiltrações. Os serviços envolvem ainda a criação de iluminação cênica para valorizar os ambientes internos e externos.

A obra, orçada em R$ 1,5 milhão, será custeada pela empresa Santos Brasil, que se responsabilizará também pela aquisição da escultura em bronze do Patriarca, em tamanho real, e pela instalação na Praça Barão do Rio Branco. O custeio corresponde a medidas compensatórias pelo funcionamento de um Centro Logístico e Industrial Aduaneiro (Clia) da empresa, no bairro Alemoa, na região conhecida como Marginal Sul da Anchieta.

O Panteão dos Andradas tem arquitetura eclética, com inspiração neocolonial de caráter nacionalista, em decorrência do nacionalismo motivado pelas comemorações do centenário da Independência. O prédio ocupa o espaço da antiga portaria do Convento do Carmo e conta com monumento projetado pelo escultor Rodolfo Bernardelli, um dos maiores nomes da escultura brasileira entre o fim do Império e o início da República. No local, estão os restos mortais de José Bonifácio e de seus irmãos Antônio Carlos, Martim Francisco e padre Patrício Manuel, o primogênito da família Andrada.

O restauro do espaço faz parte de um conjunto de obras e ações que estão sendo definidas pela Comissão do Bicentenário, designada pela Prefeitura de Santos para as comemorações dos dois séculos da Independência. Também integram a comissão representantes do Instituto Histórico e Geográfico, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Movimento Pró-Memória José Bonifácio, universidades e a Comissão Especial dos Vereadores do Bicentenário.

Panteão dos Andradas, inaugurado em 1923, vai passar por um amplo restauro para o bicentenário da Independência
Panteão dos Andradas, inaugurado em 1923, vai passar por um amplo restauro para o bicentenário da Independência
Foto: Prefeitura de Santos/Divulgação / Estadão

Tutor de D. Pedro II

O santista José Bonifácio de Andrada e Silva é mais conhecido por ter sido o tutor do futuro imperador D. Pedro II, após a abdicação de D. Pedro I e seu retorno para Portugal, em 1831. Político e estadista, foi também ministro do Reino e do Império. Por ter atuado de forma incisiva pela independência do Brasil, ficou conhecido como o Patriarca da Independência. Em 11 de janeiro de 2018, foi declarado oficialmente patrono da Independência.

Além de sua atuação política, teve uma destacada carreira como naturalista, notadamente no campo da mineralogia, tendo recebido reconhecimento internacional ainda em vida. Descobriu quatro minerais, incluindo a petalita, que mais tarde permitiria a descoberta do elemento lítio, e a andradita, batizada em sua homenagem.

Estadão
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