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Pandemia gerou mudanças no deslocamento

Pesquisa mapeou como isolamento afetou o regime de trabalho, a mobilidade e a qualidade de vida dos brasileiros

29 mai 2022 05h11
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Quais mudanças ocasionadas pela pandemia têm persistido no cenário que se vislumbra a partir de agora, com a vida "voltando ao normal"? Será que as pessoas vão retornar ao modelo de trabalho daquele longínquo 2019, quando covid ainda era uma palavra inexistente? E os deslocamentos: como se darão após dois anos em que muitos evitaram o transporte compartilhado por causa dos riscos de contaminação?

Uma pesquisa encomendada pelo Estadão para a Offerwise Brasil dá pistas sobre o comportamento do brasileiro. E, de fato, muita coisa não voltará a ser como antes.

"De bate-pronto, a gente já percebeu que 70% das pessoas sofreram algum tipo de alteração no regime de trabalho e que dois em cada três brasileiros tiveram mudança na forma de se deslocar para trabalhar. Alterações que aconteceram na pandemia, mas que persistem", afirma Julio Calil, executivo de contas estratégicas da Offerwise Brasil.

O estudo, que ouviu 1,5 mil pessoas das classes A, B e C espalhadas por todo o País, mapeou o modelo de trabalho atual dos brasileiros, investigou os impactos da pandemia no deslocamento para o trabalho, e avaliou mudanças relacionadas à qualidade de vida.

Quanto ao regime de trabalho, 70% dos participantes tiveram alguma alteração - sendo que, entre eles, a maioria está atualmente no formato híbrido: 32%. Outros 24% voltaram ao escritório; 22% atuam exclusivamente em home office; e 22% não estão trabalhando. O modelo mais comum de trabalho híbrido tem sido aquele que prevê de dois a três dias presenciais, relatado por 63% dos entrevistados.

Os dados referentes a mobilidade mostram aumento do uso de transporte particular e uma diminuição do de transporte público. Enquanto a utilização de ônibus e metrô caiu 35% e 23%, respectivamente, a de veículos particulares subiu 59% e a de carros por aplicativos, 47%.

Nos três tópicos - regime de trabalho, mobilidade e qualidade de vida no pós-pandemia -, as mudanças são mais frequentes nas classes socioeconômicas mais altas. É a população das classes A e B que mais migrou para o remoto, que mais adotou transportes individuais e mais se engajou em atividades físicas e cuidados com a alimentação.

"Pelo tipo de trabalho que as pessoas das classes mais altas tendem a executar, menos braçal e mais intelectual - infelizmente ainda temos essa discrepância -, elas foram mais favorecidas nas questões mobilidade, qualidade de vida e regime de trabalho", analisa Calil.

E agora? Se, por um lado, a pesquisa mostra que o trabalho híbrido deve se estabelecer de forma perene, o que significa menos veículos na rua, por outro, acende o sinal de alerta sobre a troca do modal - quase 60% das pessoas aumentaram o uso do carro particular.

Ciro Biderman, professor do programa de pós-graduação em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é categórico: o carro é o grande vilão, responsável por 80% dos congestionamentos.

Tirar os veículos da rua, diz ele, implica duas frentes de ação. A primeira é diminuir o estímulo ao uso - com rodízio, taxa de congestionamento e redução de velocidade -; a segunda é investir em transporte público de qualidade. "O que pode fazer os indivíduos descerem do carro é o transporte público abundante e frequente."

Estadão
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