Operação mira esquema de lavagem de dinheiro do tráfico e bloqueia mais de R$ 100 milhões no RS
Investigação aponta uso de compra e venda fictícia de gado para ocultar recursos ilícitos
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), a Operação Boi Fantasma, terceira fase da Operação Convergência Nacional RS. A ação tem como alvo uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas por meio da simulação de comércio de bovinos inexistentes na região da Fronteira Oeste do Estado.
Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva. As ações ocorreram em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também foi determinado o bloqueio judicial de R$ 100,7 milhões, além do sequestro de 15 veículos e de um imóvel. Ao todo, cerca de 30 pessoas são investigadas por participação no esquema.
Segundo as investigações, desenvolvidas ao longo de dez meses, o grupo utilizava propriedades rurais arrendadas em Alegrete para simular atividades pecuárias. A apuração apontou que notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs) eram emitidas para registrar supostas negociações de gado que, na prática, nunca existiram.
Monitoramentos realizados pelas equipes, inclusive com o uso de drones, constataram a ausência de rebanhos nas áreas investigadas, apesar da intensa movimentação documental registrada pelos suspeitos.
Conforme o Ministério Público, a organização criminosa era liderada por um traficante conhecido como "rei do gado", que comandava as operações de dentro de um presídio. O esquema contava com participação de familiares e terceiros responsáveis pela movimentação financeira, emissão de documentos e ocultação de patrimônio.
As investigações indicam que apenas cinco integrantes do núcleo principal movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos. Parte dos recursos teria sido direcionada para empresas e plataformas de apostas, utilizadas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
A apuração também identificou indícios de falsidade ideológica, uso de pessoas interpostas, vendas simuladas e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Além das prisões e buscas, o líder da organização será transferido para o Módulo de Segurança Máxima da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC).
De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, Rogério Meirelles Caldas, a operação tem como foco atingir a estrutura financeira das facções criminosas e enfraquecer os mecanismos utilizados para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas.
A operação é coordenada pelo 9º Núcleo Regional - Campanha do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Brigada Militar, Polícia Penal e do Ministério Público de Santa Catarina.
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