Nova Iguaçu investiga despejo de resíduos tóxicos
A Prefeitura de Nova Iguaçu investiga o risco de contaminação do lençol freático e dos moradores do bairro da Posse devido ao despejo de resíduo de origem metalúrgica. A denúncia é do ambientalista Helio Vanderlei, que acredita em alto risco de contaminação por metais pesados, como cromo, cobre, zinco e chumbo. Preocupada, a Secretaria de Meio Ambiente recolheu material para análise e o resultado deverá ficar pronto nesta sexta.
Relatório feito pela secretaria aponta que "a chance de contaminação do lençol freático é alta, assim como o perigo de acidentes com pessoas, notadamente crianças que brincam no local". O despejo deixou moradores amedrontados. Teresa Ricce, 45 anos, teme principalmente pelas crianças. "Não sabemos os riscos", disse.
A prefeitura de Nova Iguaçu cancelou ontem a licença ambiental da empresa contratada para dar destinação adequada ao resíduo. Segundo a prefeitura, o material é lodo galvânico, retirado de uma metalúrgica desativada no bairro de Santa Rita. Grande quantidade de lixo hospitalar, segundo a prefeitura, também teria sido despejada pela empresa no terreno.
Ainda segundo a prefeitura, a empresa será notificada e o fato será comunicado ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à empresa de reciclagem Grande Rio, que adquiriu o terreno da antiga metalúrgica. O Inea seria responsável pelo credenciamento da empresa para o serviço.
O engenheiro Paulo Biondi, da Grande Rio, disse que uma análise já constatou que não existem metais pesados ou perigosos no lodo. Ele afirmou que a empresa contratada é licenciada pela prefeitura, que teria também autorizado o despejo para secagem. Mas reconhece que a empresa contratada deveria ter levado o resíduo, que serviria de corante para uma indústria de cerâmica.
Segundo ele, foram retirados cerca de 100 caminhões de lodo, mas o passivo ambiental seria da metalúrgica. O Inea informou que vai colher o material para análise na terça-feira.