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Museu não sai do papel e mirante histórico perto da Av. Paulista pode ter novo projeto; veja onde é

Prefeitura rompeu contrato firmado com a Sociedade Veteranos de 1932 para uso de espaço sobre o Túnel 9 de Julho e busca novos parceiros; entidade nega que tenha abandonado a área

3 set 2025 - 14h41
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Cartão-postal do centro de São Paulo, o Mirante 9 de Julho — ponto turístico marcado por longos períodos de abandono — volta a viver momentos de incerteza quanto ao seu futuro. No último dia 13, a Subprefeitura da Sé encerrou, por "descumprimento de obrigações" contratuais, o termo de cooperação firmado com a Sociedade Veteranos de 1932 - MMDC, então responsável pelo espaço. A organização rebate as acusações e nega que o espaço foi abandonado (leia mais abaixo).

A parceria entre a Prefeitura e a Sociedade Veteranos de 1932 - MMDC havia sido estabelecida em dezembro de 2023, com a previsão de que a associação gerisse o mirante por três anos, garantindo serviços de segurança, limpeza, zeladoria e jardinagem, além da construção do Museu da História da Revolução Constitucionalista de 1932, destinado a expor acervo sobre o levante paulista contra o governo de Getúlio Vargas.

Mirante 9 de julho fica atrás do Masp, na região central da capital.
Mirante 9 de julho fica atrás do Masp, na região central da capital.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O contrato previa investimento de R$ 72 mil. A relação, no entanto, foi rompida antes do segundo ano de validade. Segundo a Prefeitura, o MMDC não cumpriu as obrigações previstas, e o espaço, localizado na região central da cidade, voltou ao controle municipal. Agora, a administração estuda abrir um edital de chamamento público para selecionar novo parceiro.

"As chaves do espaço foram devolvidas e uma equipe da subprefeitura faz a segurança do local. A abertura de um chamamento público está em estudo para firmar uma nova parceria", informou o Executivo municipal, sem especificar uma data.

A Sociedade Veteranos de 1932 - MMDC rebateu as acusações. À reportagem, o presidente da entidade, Carlos Romagnoli, afirmou que não abandonou os cuidados com o mirante e que chegou a conseguir, sem custos, "limpeza periódica e segurança 24 horas para o local". "A escadaria era utilizada para consumo de todo tipo de drogas antes de assumirmos", declarou.

Romagnoli acrescentou que já havia elaborado, de forma gratuita, um projeto para o museu e buscava recursos para sua execução. "A Sociedade Veteranos de 32 - MMDC, desde que assumiu o Mirante 9 de Julho, nunca, repito, nunca deixou de trabalhar incansavelmente para a implantação do museu", reforçou o presidente.

Embora afirme que tenha cuidado do espaço e empenhado esforços para a instalação do museu, Carlos Romagnoli diz que o grupo não impôs resistência ao fim da parceria.

Passado de abandono

O Mirante 9 de Julho integra, junto ao túnel da Avenida 9 de Julho e ao Obelisco do Ibirapuera, o conjunto de símbolos paulistanos da Revolução Constitucionalista de 1932 — movimento armado liderado por São Paulo em resposta ao autoritarismo do governo provisório de Getúlio Vargas. A sigla MMDC é uma homenagem aos paulistas Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, que foram os primeiros mortos pela causa constitucionalista, em 23 de maio de 1932 .

Os insurgentes defendiam uma nova Constituição para o País, que veio a ser promulgada em 1934. Meses após o início do levante, em 9 de julho de 1932, o conflito terminou com a rendição paulista, em 1º de outubro daquele ano.

Escadarias que levam ao mirante estão bloqueadas por faixa zebrada.
Escadarias que levam ao mirante estão bloqueadas por faixa zebrada.
Foto: TABA BENEDICTO Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Inaugurado em 1938, o espaço fica localizado no bairro Bela Vista, na Rua Carlos Comenale, mais precisamente atrás do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp, na Avenida Paulista. O mirante está sobre o Túnel 9 de Julho.

Após sua inauguração, ele permaneceu abandonado por mais de 70 anos. Em 2015, foi restaurado e reaberto como centro cultural, passando a ser cedido à iniciativa privada dentro de um programa de ocupação de espaços públicos ociosos.

Construção faz parte do complexo urbano conhecido no passado como Belvedere Trianon.
Construção faz parte do complexo urbano conhecido no passado como Belvedere Trianon.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Em 2019, o espaço passou a ser administrado pelo restaurante Mira. O estabelecimento funcionou até dezembro de 2021, mas, após 18 meses fechado em razão da pandemia de covid-19, encerrou as atividades por falta de renovação do termo de cessão com a Prefeitura.

O mirante voltou a ficar desocupado até ser entregue, há dois anos, à Sociedade Veteranos de 1932, que tinha como compromisso a criação do museu. A Prefeitura, porém, alega que o acordo não foi cumprido e retomou o espaço, que segue sem uso após o encerramento do contrato com o grupo. Os portões que dão acesso ao Mirante estão fechados e as escadarias interditadas por faixas zebradas.

Local era cuidado pelo MMDC, que perdeu a gestão do espaço após a Prefeitura entender descumprimento de obrigações contratuais.
Local era cuidado pelo MMDC, que perdeu a gestão do espaço após a Prefeitura entender descumprimento de obrigações contratuais.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Futuro do museu

Fundada em 1954, a Sociedade Veteranos de 32 - MMDC é responsável por reunir o acervo da Revolução Constitucionalista. A expectativa era de que o museu fosse inaugurado no mirante ainda em 2024, mas o plano não se concretizou. A entidade alega reunir apenas um pequeno grupo de associados e afirma "não possuir verba própria para levar adiante projeto tão audacioso como o que pretendíamos".

Ao Estadão, Carlos Romagnoli reiterou que o museu sairá do papel, ainda que em outro endereço. "Nunca a Sociedade Veteranos de 32 - MMDC deixou o local abandonado ou gerando despesas para a Prefeitura", disse. "Tínhamos o sonho de entregar à nossa cidade o Museu/Casa da Memória da Revolução Constitucionalista de 1932, mas ainda o faremos, só que em outro local."

Entre as peças que deveriam ser expostas no mirante estão capacetes de aço desenvolvidos especialmente para os combatentes paulistas, com base em modelos ingleses e franceses da Primeira Guerra Mundial, além de granadas, munições, fardas e medalhas. Já entre os documentos, estão diplomas concedidos aos maiores doadores da Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo - com o metal precioso foram comprados material bélico e munição para as tropas.

Estadão
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