Mais de um terço da água distribuída no Brasil não é cobrado
Cerca de 37,5% da água distribuída no Brasil não é remunerada, de acordo com estudo feito pelo Instituto Trata Brasil. Os dados, relativos ao ano de 2010, são referentes a vazamentos, roubos e ligações clandestinas, além de falta de medição ou medições incorretas no consumo de água em todo o País. O desperdício é apontado como um dos principais entraves para o avanço do saneamento básico do País, além de agravar o risco de escassez hídrica no Brasil.
De acordo com Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, na infraestrutura nacional, o saneamento básico está entre as áreas mais atrasadas. "A situação do Brasil não condiz com a da sexta maior economia do mundo. Apenas um terço do esgoto no Brasil é tratado e cerca de oito milhões de brasileiros não têm sequer banheiro, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU)”, disse.
O estudo aponta que uma redução de apenas 10% nas perdas agregaria R$ 1,3 bilhão à receita operacional com água, equivalente a 42% do investimento realizado em abastecimento de água em 2010.
O levantamento concluiu que a perda financeira com água distribuída e não faturada faz com que o setor de saneamento perca recursos financeiros fundamentais para a expansão do sistema de esgoto no País.
Rudinei Toneto Júnior, professor do departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), afirma que são necessários R$ 270 bilhões para a universalização dos serviços de água e esgoto no País, o que demandaria cerca de R$ 16 bilhões ao ano, para se chegar a esse objetivo em 2030.
"O que se investe hoje é cerca de metade desse valor. O que ampliará o tempo dessa universalização em pelo menos mais 20 anos. Nesse ritmo, somente em 2050 é que será possível alcançar a universalização", disse ele.