Mãe presa por manter filho acorrentado ‘fez tudo por maldade’, diz delegada
Vítima era mantida por longos períodos sem comer ou tomar banho
A delegada Fernanda Simão afirmou que a mulher de 63 anos que mantinha o filho acorrentado em Rio Verde, cerca de 220 km de Goiânia (GO), não demonstrou nenhum arrependimento ao ser presa. O rapaz de 46 anos estava na casa da mãe desde dezembro de 2025 e chegava a ficar por longos períodos sem comer ou tomar banho.
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“Ela já foi presa, inclusive, ela é reincidente e foi condenada por um crime contra idoso. Parece que ela já respondeu por maus tratos também contra o sogro dela. É realmente uma pessoa bem ruim. Ela fez tudo [com o filho] por maldade, ela realmente não ama esse filho e estava esperando ele morrer mesmo”, declarou em entrevista ao Terra.
A prisão dela ocorreu na última sexta-feira, 15, após a equipe da Central de Flagrantes de Rio Verde - 8ª DRP receber uma denúncia de possível abandono e violência extrema na residência da família, encaminhada pela Secretaria Municipal de Assistência Social.
Os policiais e assistentes sociais seguiram para o imóvel, onde encontraram a vítima vivendo em condições “absolutamente desumanas”. A investigação aponta que o homem vivia amarrado pelos braços e pernas durante o dia, inclusive, enquanto ficava sozinho na casa.
As autoridades verificaram que ele tinha sinais aparentes de contenção prolongada nos punhos e tornozelos, além de apresentar extrema debilidade física e condições severas de falta de higiene. Ainda segundo a delegada, ao ser questionada se o mantinha mesmo amarrado, a mulher confirmou.
“Segundo ela, ele ficava agressivo, se debatia, acabava caindo da cama, tirando a fralda, ingerindo as próprias fezes, mas os policiais ali e a própria assistência constatou que ele tava numa situação que ele não seria capaz de cair da cama, porque ele tem muita dificuldade de movimentação”, esclareceu Fernanda ao explicar que o rapaz não tinha mobilidade nos braços e nas pernas, devido a um AVC.
Conforme relatos colhidos no local, o filho da suspeita ficava dias sem banho, recebia alimentação de maneira irregular e dormia em uma área externa improvisada da casa, exposto ao frio, vento e chuva.
“A testemunha relatou que ele comia as fezes porque era privado de comida, ela não o alimentava, ele ficava dias sem comer”, aponta a delegada.
A suspeita foi presa em flagrante pelos crimes de tortura e maus-tratos e teve a prisão convertida para preventida, após pedido de doutora Fernanda. A vítima foi encaminhada para atendimento médico e acolhida pela rede de proteção social.
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