Mãe é impedida de sair de mercado após falha de pagamento no Pix e filhos autistas entram em crise
Segundo a mulher, ao tentar sair do mercado com as comprar, foi acusada de roubo; mercado reconhece falha no sistema de pagamentos
A dona de casa Amanda de Souza Gomes, de 39 anos, afirma ter sido impedida de sair de um supermercado atacadista, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, após pagar as compras via Pix. Os funcionários do local teriam afirmado à ela que a transação não constava no sistema e ela precisou esperar por mais de duas horas para sair do local. Nesse período, seus filhos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), entraram em crise.
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O caso ocorreu no último dia 13 de julho, na unidade do Atacadão da Vila Guilhermina. Ao Terra, ela afirma que foi constrangida e chegou a ser cercada por funcionário no local, que tentaram barrá-la de deixar o estabelecimento. Em nota, a empresa lamentou o ocorrido e declarou que uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de Pix deixou a transação pendente e impediu a conclusão da compra (veja abaixo na íntegra).
A mãe conta que chegou ao local, juntos dos filhos de 20 e 3 anos, por volta das 19h30. Depois de selecionar os itens, teve dificuldades para encontrar um caixa preferencial vazio. Ela conversou com a gerência e, depois de insistir, abriram um outro caixa para passar as mercadorias.
Ela pagou duas compras, uma de R$ 234,46 e outra de R$ 186,01, no Pix. Na segunda, houve um erro na impressão da nota, mas o valor havia sido debitado de sua conta bancária. Nesse momento, o atendente chamou o fiscal, que pediu para que ela esperasse para ver se o valor não seria estornado.
Amanda chegou a entrar em contato com o banco para confirmar se as quantias haviam mesmo sido debitados. No entanto, segundo a dona de casa, a fiscal do mercado afirmou que aquilo não tinha validade nenhuma naquela situação, portanto, ela não poderia sair de lá com os itens. “Ela falou que valeria o que computador deles computaram”, relembra.
Impedida de sair
Numa tentativa de resolver logo o caso, Amanda disse que deixaria seu RG, comprovante de residência e telefone para que, caso o dinheiro fosse estornado, ela voltaria ao estabelecimento para pagar. Outro funcionário foi chamado e novamente disse que ela não poderia sair dali.
“Ele disse que era o protocolo do mercado, que iria reservar a mercadoria para eu retirar outro dia. Falei que ia embora com as compras, que já estava pego, conforme o comprovante. Aí no que eu saí com o carrinho, ele segurou”, afirma.
A dona de casa pediu para que o funcionário não fizesse qualquer escândalo, pois seus filhos poderiam ter uma crise, e a deixasse ir embora, mas ouviu a negativa. “‘A ordem é não deixar a senhora sair’. Então, a partir das 21h31, que foi quando o sistema baixou, ele proibiu a minha saída, não queria me deixar sair, mandou dois fiscais ficarem na porta, impedindo a minha saída”, alega.
Cerca de 1h30 depois, ela decidiu ligar para a Polícia Militar, que não compareceu ao local. A essa altura, segundo a dona de casa, os filhos já estavam em crise, e ela decidiu ir embora e registrar o caso em uma delegacia.
“Quando eu fui chamar um carro de aplicativo, o rapaz falou assim: ‘A senhora não vai sair, você não pagou, isso é roubo. Se a senhora sair daqui com as compras, vai configurar roubo’.”
Amanda alega ainda que, depois de acionar o pai de sua filha, foram cercados por funcionários no estacionamento do local. Eles só conseguiram sair do mercado após as 23h30. Ela nos confirmou, por meio de comprovante, que os valores não foram estornados.
Na última segunda-feira, 20, ela procurou o 2º DP de Praia Grande, onde o caso foi registrado como calúnia. “Que nós mãe e nem crianças sofram mais esse tipo de constrangimento”, desejou. A mãe afirma ainda que vai acionar o Ministério Público futuramente para que o estabelecimento respeite as normativas do Estatuto da Pessoa com Deficiência.
O que diz o Atacadão
"O Atacadão esclarece que, na noite de 13 de julho, a cliente foi prontamente atendida e direcionada a um caixa de atendimento ágil na unidade. No momento do pagamento, uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de PIX deixou a transação pendente e impediu a conclusão da compra.
A equipe da loja explicou a falha no sistema e informou que o estorno seria realizado automaticamente. Mesmo assim, a cliente acionou a Polícia Militar e deixou o local com as mercadorias antes da chegada da viatura. A gerência da unidade recebeu os policiais e prestou todos os esclarecimentos sobre os fatos.
A rede lamenta o transtorno causado pela indisponibilidade no sistema de pagamentos e reforça seu compromisso com o respeito ao consumidor e a transparência."
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