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Linha 6-Laranja do Metrô: como estão as obras de cada estação a 6 meses da entrega da 1ª etapa

Inauguração de trecho entre estações Brasilândia e Perdizes está prevista para outubro deste ano

28 abr 2026 - 12h12
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Prometida há quase 18 anos, a Linha 6-Laranja, que vai conectar as zonas norte, oeste e central de São Paulo, deve ser inaugurada em outubro deste ano.

O que antes eram tapumes com pichações, agora começa a ganhar a aparência de estação de metrô. Faltando seis meses para a inauguração do primeiro trecho (entre Brasilândia e Perdizes), cerca de 88% da obra está pronta. Para concluir o trabalho a tempo, a concessionária Linha Uni tem estendido os trabalhos nos canteiros até de madrugada.

O grupo, cujo acionista majoritário é a espanhola Acciona, determinou trabalhos ininterruptos desde outubro passado até a conclusão das obras. "Durante a noite, são priorizadas atividades que causem o menor impacto possível à vizinhança", informou em nota.

2ª fase — previsão de outubro de 2027

  • Maristela: 64,79%
  • PUC-Cardoso de Almeida: 81,98%
  • Faap-Pacaembu: 71,28%
  • Higienópolis-Mackenzie: 65,28%
  • 14 Bis-Saracura: 15%
  • Bela Vista: 72,74%
  • São Joaquim: 68,81%

A estação Água Branca, onde haverá conexão com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante, é a mais avançada.

A mais atrasada da primeira entrega é a Itaberaba-Hospital Vila Penteado, na zona norte, com 72% da obra pronta. A estação será a mais profunda de São Paulo, a 66 metros do chão, ultrapassando a Santa Cruz, da Linha 5-Lilás.

Obra da futura estação Perdizes, na zona oeste de São Paulo, em maio de 2024.
Obra da futura estação Perdizes, na zona oeste de São Paulo, em maio de 2024.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Essas são as profundidades das estações da 6-Laranja:

  • Brasilândia: 28,17 m
  • Maristela: 39,22 m
  • Itaberaba-Hospital Vila Penteado: 65,71 m
  • João Paulo I: 41,45 m
  • Freguesia do Ó: 39,92 m 
  • Santa Marina: 30,14 m
  • Água Branca: 47,80 m
  • Sesc-Pompeia: 31,72 m
  • Perdizes: 29,05 m
  • PUC-Cardoso de Almeida: 60,51 m
  • Faap-Pacaembu: 45,71 m
  • Higienópolis-Mackenzie: 64,86 m
  • 14 Bis-Saracura: 38,33 m
  • Bela Vista: 60,68 m
  • São Joaquim: 52,08 m

Linha 6-Laranja foi anunciada em 2008

Prédio da entrada da estação Perdizes, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona oeste de São Paulo, em abril de 2026.
Prédio da entrada da estação Perdizes, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona oeste de São Paulo, em abril de 2026.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Conhecida como Linha das Universidades, o metrô ganhou esse apelido por passar por várias instituições de ensino superior, como PUC, Faap, Mackenzie, Unip, FMU, Uninove e Centro Universitário São Camilo.

O ramal promete reduzir o tempo de deslocamento entre a Brasilândia e a São Joaquim de 1h30 para 23 minutos. A previsão é de 633 mil passageiros diários no trecho completo.

A construção foi anunciada em dezembro de 2008. Na época, a previsão era gastar cerca de R$ 2 bilhões e iniciar as obras até 2010. A licitação para construção e operação só foi concluída em novembro de 2013, com proposta única. Foi a primeira parceria público-privada (PPP) integral de metrô.

O valor da PPP já era significativamente superior ao do anúncio: R$ 9,6 bilhões, divididos entre o Estado e a concessionária — já considerando os 25 anos de operação da linha.

Entrada da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo, em novembro de 2025.
Entrada da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo, em novembro de 2025.
Foto: Beatriz de Souza Silva/Estadão / Estadão

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável por fiscalizar o contrato, afirma que o valor "é compatível com o escopo definido à época, incluindo obras civis, sistemas, material rodante e operação".

O contrato foi assinado em dezembro de 2013. A abertura do primeiro trecho, entre a Brasilândia e a Água Branca, era prevista para 2018. Já a conclusão completa, para 2020.

As obras começaram em 2015. "É interesse do próprio concessionário entregar antes, porque quanto mais cedo ele entregar, mais cedo ele começa a operar a linha", disse Alckmin à imprensa em setembro daquele ano, ao acompanhar os trabalhos de construção. Mas a Lava Jato mudou os planos.

Todas as empresas do consórcio contratado foram alvo da operação. O grupo tentava conseguir um financiamento de longo prazo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sem sucesso devido ao envolvimento na investigação. As máquinas pararam em setembro de 2016, por falta de recursos.

Portas de segurança no embarque e desembarque da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo. Obras em novembro de 2025.
Portas de segurança no embarque e desembarque da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo. Obras em novembro de 2025.
Foto: Beatriz de Souza Silva/Estadão / Estadão

Em 2017, o consórcio começou a tentar vender a concessão. O Estado chegou a anunciar a rescisão do contrato em 2018. Em novembro de 2019, antes da conclusão do processo, a empresa espanhola Acciona comprou a operação e assumiu a conclusão das obras.

A Acciona assinou o contrato de R$ 15 bilhões para construção do ramal em julho de 2020. O prazo contratual para finalização era outubro de 2025.

A Artesp diz que houve atualizações do escopo do projeto, revisões técnicas, reprogramações de cronograma e períodos de paralisação, além de correção monetária dos valores ao longo do tempo.

Crateras e achados arqueológicos

As obras foram retomadas em outubro de 2020. Mas o projeto foi marcado pelo aparecimento de crateras.

Em fevereiro de 2022, o asfalto cedeu ao lado do canteiro da linha na Marginal do Tietê, próximo à Ponte do Piqueri, na zona oeste, após o rompimento de um tubo de esgoto. No local, era construído um poço de ventilação e saída de emergência da linha.

Em maio de 2024, um buraco surgiu na quadra esportiva de um prédio na Freguesia do Ó, na zona norte, durante a passagem do tatuzão — equipamento de perfuração de túneis.

Cratera aberta, em fevereiro de 2022, na Marginal Tietê, próximo à obra na Linha 6-Laranja do Metrô.
Cratera aberta, em fevereiro de 2022, na Marginal Tietê, próximo à obra na Linha 6-Laranja do Metrô.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Já em dezembro de 2025, um muro desabou e uma cratera se abriu no canteiro da futura estação Bela Vista.

A estação 14 Bis quase foi excluída do projeto pela demora após ser descoberto o sítio arqueológico Quilombo Saracura no terreno da estação. O achado levou a estação a ser rebatizada para 14 Bis-Saracura.

O projeto também encontrou maior complexidade no solo da Higienópolis-Mackenzie. O imprevisto causaria um atraso de mais de mil dias, acarretando a entrega apenas em 2028.

O governo decidiu mudar o formato de escavação, para, segundo a gestão, acelerar o processo.

A mudança na tecnologia de escavação acarretou um custo extra de R$ 3,6 bilhões. Mas a Artesp informou ao Estadão que, sem a medida, o gasto pelo imprevisto teria sido ainda maior: de R$ 4,4 bilhões.

Escadas da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo. Obras em novembro de 2025.
Escadas da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja de metrô, na zona norte de São Paulo. Obras em novembro de 2025.
Foto: Beatriz de Souza Silva/Estadão / Estadão

Em nota, a concessionária Linha Uni afirmou que "as definições são amparadas técnica e juridicamente, seguindo estritamente o contrato estabelecido entre as partes".

Atualmente, o custo total de construção da linha é de R$ 19 bilhões, segundo a Artesp. "O custo atual reflete a atualização dos valores contratuais, a incorporação de ajustes técnicos e operacionais, além de impactos decorrentes de eventos inesperados", afirma a agência.

Estadão
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