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Inteligência Artificial brasileira já ajudou a polícia a esclarecer mais de 7 mil casos em quatro estados

A tecnologia desenvolvida pela Pax cruza milhões de informações em segundos, acelera investigações policiais e já contribuiu para 4,7 mil prisões e a recuperação de 2,1 mil veículos em cerca de 18 meses

29 out 2026 - 22h59
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Resumo
Desenvolvida por talentos nacionais experientes em grandes empresas de tecnologia, uma inteligência artificial brasileira tem transformado o trabalho policial ao acelerar investigações de dias para poucas horas. A ferramenta inovadora já foi fundamental para esclarecer mais de 7 mil casos criminais em quatro estados do país, otimizando a elucidação de delitos e aumentando a eficiência da segurança pública.

Em aproximadamente 18 meses, uma tecnologia brasileira de inteligência artificial já auxiliou as forças de segurança no esclarecimento de mais de 7 mil casos policiais, contribuindo para 4,7 mil prisões e a recuperação de 2,1 mil veículos, segundo levantamento da empresa. Os resultados foram registrados em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, onde as polícias usam uma plataforma desenvolvida pela Pax, empresa brasileira de inteligência artificial para segurança pública. A tecnologia permite cruzar grandes volumes de informações, identificar suspeitos, reconstruir trajetos e localizar veículos, acelerando investigações que antes poderiam exigir horas ou dias de trabalho policial.

Os episódios ilustram como o cruzamento de informações pode acelerar investigações complexas, especialmente em situações que envolvem múltiplos veículos, deslocamentos e diferentes localidades
Os episódios ilustram como o cruzamento de informações pode acelerar investigações complexas, especialmente em situações que envolvem múltiplos veículos, deslocamentos e diferentes localidades
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Os números ajudam a dimensionar uma transformação em curso na segurança pública: o uso da inteligência artificial não apenas para monitorar imagens, mas para transformar dados dispersos em pistas concretas. A proposta é ampliar a capacidade de atuação dos policiais, permitindo que informações antes analisadas separadamente sejam relacionadas em poucos instantes, sem substituir a avaliação humana ou as decisões dos investigadores.

O avanço acompanha o que a população espera da segurança pública. Em pesquisa nacional da Quaest encomendada pela Pax, feita em setembro com 2.004 entrevistas, a violência aparece como o principal problema do país para 28% dos brasileiros, à frente da corrupção e da economia. Para 86%, o uso de inteligência artificial na segurança pública é positivo, e 93% consideram efetiva a integração entre câmeras, IA e polícia. O apoio passa de 95% quando a tecnologia é usada para encontrar pessoas desaparecidas, recuperar veículos roubados e localizar foragidos.

"O policial sempre teve a experiência e o conhecimento necessários para investigar. O que faltava eram ferramentas capazes de analisar, em segundos, um volume de informações que levaria dias para ser processado. A inteligência artificial amplia essa capacidade, conecta pistas que antes estavam dispersas e permite que os policiais atuem com muito mais rapidez. Nosso objetivo é colocar a tecnologia mais avançada do mundo a serviço de quem está na linha de frente do combate ao crime"

, afirma

David Peixoto

, CEO e cofundador da Pax.

Como a inteligência artificial transforma o trabalho policial

A plataforma da Pax funciona como um assistente de investigação. Em vez de depender exclusivamente da análise manual de milhares de imagens, boletins de ocorrência, registros de veículos e diferentes bases de dados, o policial pode realizar buscas em linguagem natural, descrevendo o que procura. A inteligência artificial cruza as informações disponíveis, identifica possíveis conexões e apresenta pistas que serão verificadas pelos investigadores.

O sistema consegue, por exemplo, localizar um veículo mesmo quando não se conhece sua placa, identificar trajetos percorridos por suspeitos, reconhecer padrões de deslocamento e relacionar informações aparentemente desconectadas. Uma característica pouco relevante isoladamente, como a cor de uma roupa, um adesivo ou um detalhe de um automóvel, pode se transformar no ponto de partida para uma investigação.

A evolução mais recente da plataforma incorpora modelos de inteligência artificial capazes de interpretar imagens, textos e descrições, conhecidos como modelos de visão e linguagem (VLMs). A tecnologia permite realizar buscas mais complexas e identificar relações entre pessoas, veículos, locais e deslocamentos. Entre as funcionalidades estão a identificação de locais frequentemente visitados por veículos investigados e a análise de automóveis que circulam juntos em determinados trajetos.

Na prática, a principal mudança está na velocidade e na capacidade de processamento. Informações que antes precisavam ser consultadas separadamente passam a ser analisadas de forma integrada, permitindo que os policiais concentrem seus esforços na checagem das evidências e na atuação em campo. A plataforma não realiza prisões nem determina a culpabilidade de suspeitos: funciona como uma ferramenta de apoio ao trabalho das forças de segurança.

Investigações que antes levavam dias podem avançar em horas

Casos concretos ajudam a explicar o impacto da tecnologia na rotina policial. Em Goiânia, criminosos invadiram uma joalheria pelo sistema de ar-condicionado e fugiram após trocar de roupa e de veículo mais de uma vez. As informações iniciais disponíveis aos investigadores eram limitadas: uma descrição física dos envolvidos e a identificação de uma picape branca. Com o auxílio da inteligência artificial, os policiais conseguiram reconstruir aproximadamente dois quilômetros do trajeto de fuga, relacionar os deslocamentos e identificar os envolvidos. Três suspeitos foram presos no mesmo dia.

Em outra ocorrência, 32 aparelhos celulares foram furtados durante um show em Goiânia. A investigação partiu do sinal de um dos equipamentos e, com o apoio da tecnologia, os policiais reduziram progressivamente o universo de veículos investigados até identificar o deslocamento dos suspeitos para outro estado. A operação terminou em Brumado, na Bahia, com a prisão de um suspeito e a recuperação de 28 aparelhos escondidos em um fundo falso de um veículo, na noite seguinte ao crime.

Os episódios ilustram como o cruzamento de informações pode acelerar investigações complexas, especialmente em situações que envolvem múltiplos veículos, deslocamentos e diferentes localidades.

Talentos brasileiros com experiência nas maiores empresas de tecnologia do mundo

Fundada em 2024, a Pax reúne uma geração de talentos brasileiros com experiência em algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Palantir, Meta, Nubank e Brex. Sua equipe conta com especialistas formados em instituições de referência internacional, como ITA, Harvard, Stanford e MIT, incluindo profissionais que desenvolveram carreiras no exterior e retornaram ao Brasil para aplicar seu conhecimento ao desenvolvimento de inteligência artificial voltada à segurança pública.A empresa combina essa experiência internacional com o conhecimento de profissionais das forças de segurança brasileiras para desenvolver ferramentas adaptadas à realidade das investigações policiais. A proposta é colocar tecnologias avançadas de inteligência artificial a serviço de um dos maiores desafios do país: o combate à criminalidade.

Perfil Brasil
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