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Homem que atirou em policiais se escondeu em cama box e colocou arma no ralo

Corretor filiado a clube de tiro feriu dois agentes em junho durante briga por venda de veículo na Vila Clementino. Corporação realizou varredura e não localizou suspeito na data. Ele está preso e poderá responder por tentativa de homicídio

12 jul 2019
20h45
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SÃO PAULO - O homem que atirou contra dois policiais militares da janela do seu apartamento na Vila Clementino, no dia 24 de junho, disse que se escondeu dentro da cama box do quarto do seu pai enquanto a polícia o procurava. Os disparos efetuados após uma briga envolvendo a venda de veículo levou a Polícia Militar a fazer uma varredura no prédio em busca do suspeito, que não foi localizado na data. Ele se apresentou no dia 1.º de julho e poderá responder por tentativa de homicídio.

O Estado obteve informações relativas ao inquérito que apura o caso. A investigação aponta que o corretor de imóveis Renato Pisani Alves, de 39 anos, tinha uma pistola 380 registrada em seu nome e que era frequentador assíduo de um clube de tiro. Na versão que deu à polícia, ele disse que os disparos foram efetuados para "dispersar" os policiais. A defesa, em pedido de habeas corpus feito à Justiça, disse que ele "atirou para acertar e não matar os agentes", contrapondo a acusação de que ele atirou para "matar, mas errou o alvo".

A investigação aponta todo o caminho que levou aos disparos efetuados por Alves. Naquela tarde, ele tentava devolver o carro que havia comprado por supostamente ter encontrado defeitos mecânicos. O antigo dono do veículo foi até o seu prédio e se recusou a concretizar a devolução diante de problemas na lataria do carro. A discussão acabou na delegacia depois de Alves ter impedido que o ex-proprietário do veículo e sua mulher deixassem o local com um outro carro.

A Polícia Militar foi acionada e acabou também se tornando vítima de Alves. Da janela do banheiro do apartamento onde estava, no segundo andar do prédio localizado na Rua Estado de Israel, ele atirou contra o grupo. O cabo Bruno Araújo Campelo da Costa foi atingido no braço esquerdo e o soldado Marcos Vinícius Oliveira Laranja, próximo ao ombro direito. Eles foram socorridos e passam bem. Um terceiro disparo atingiu o teto de um veículo, mas não deixou outros feridos.

Depois dos disparos, os agentes solicitaram reforço e iniciaram uma busca intensa por Alves no interior do prédio. A operação envolveu batalhões especializados da polícia, como o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate),contou com ajuda do helicóptero da corporação, mas terminou, à noite, sem a localização do suspeito. Ele se entregou à polícia uma semana depois e explicou a sua versão do que aconteceu.

No depoimento, Alves conta que, ao ver o veículo do casal saindo do prédio, pegou sua pistola e efetuou três disparos na direção da rampa da garagem. Disse que sua intenção era "dispersar os policiais militares que estavam na frente e dentro do seu prédio, sendo que na ocasião estava em pânico por não ver onde seu pai estava e pelo prejuízo que estava sofrendo com o automóvel". Ele disse que não sabia que os policiais haviam sido atingidos.

A partir daí, ele teria desmontado a pistola e guardado uma parte dela no ralo do banheiro e outra no spot de gesso do teto do quarto do seu pai. Depois, narrou ter entrado "na repartição da cama box do quarto do seu pai e permanecido ali escondido enquanto policiais militares realizavam as buscas pelo local". Ele disse ter esperado algumas horas e saiu após notar que o apartamento não estava sendo mais vasculhado.

Para sair do prédio durante a madrugada, a polícia acredita que o homem tenha contado com a ajuda do pai. Imagens de câmeras do local mostram o senhor cobrindo o equipamento com um tapete. Depois de sair do prédio, Alves contou que foi para um hotel na Rua da Consolação e seguiu para uma chácara na cidade de São Roque.

Antes de se entregar à polícia, a sua defesa tentou obter um habeas corpus preventivo no dia 27 de junho. À Justiça, os advogados Rafael Leite Mentoni Pacheco e Vanessa Bruno Raya Lopes voltaram a narrar os eventos e disseram que Alves chegou a ser ameaçado pelo ex-proprietário do veículo. Os disparos, disseram, aconteceram com intuito de autoproteção.

"Ainda receoso das ameaças que tinha recebido de X (nome protegido), assustou-se com a situação e, com o intuito de proteger-se e assegurar sua segurança e de seu pai efetuou, da janela do banheiro de seu quarto, dois disparos de arma de fogo", detalharam no pedido. "Frise-se que os disparos foram efetuados pela janela do banheiro do quarto de Renato com o intuito único e exclusivo de assustar aqueles que ali estavam, sem a intenção de atingir alguém", acrescentaram.

A defesa destacou que Alves é frequentador assíduo de clube de tiro e proprietário de arma de fogo registrada regularmente. "Inequívoco então que se realmente tivesse a intenção de atingir e/ou ferir alguém, certamente teria o feito, ainda mais de distância tão próxima, já que estava no segundo andar do edifício", apontaram os advogados, que ressaltaram que Alves supostamente não sabia onde estava atirando.

Com o argumento, a defesa tenta afastar a possibilidade de o homem ser denunciado por tentativa de homicídio, como ocorreu no indiciamento feito pela polícia. "Por tratar-se de uma pessoa com horas e mais horas de curso de tiro, seria mais crível acreditar que ele atirou para acertar e não matar os agentes, ainda mais em razão da pouca distância, do que atirou para matar, mas errou o alvo."

No pedido de liberdade, a defesa destacou que Alves permaneceu no interior do apartamento. "Senhor julgador, pasme, durante as mais de 7 horas que as autoridades estiveram atrás de Renato (Alves), este em momento algum saiu de dentro do apartamento." A liminar do pedido foi negada.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o inquérito foi relatado à Justiça com indiciamento por tentativa de homicídio. A autoridade policial fez o pedido de prisão preventiva, quando não há prazo para concessão da liberdade. Segundo a polícia, o homem permanece preso. Os policiais vítimas dos disparos já retornaram às atividades operacionais.

Estadão
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