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Em meio a preocupação com a segurança, Prefeitura testa projeto Ruas Abertas na Avenida São João

Piloto teve show de chorinho, apresentação de banda de rock e aula de dança. Moradores comemoram, mas não há unanimidade em relação à ação

21 jan 2024 - 17h07
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A Avenida São João, no centro de São Paulo, recebeu neste domingo, 21, um evento teste do Programa Ruas Abertas, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que abre para a população, aos domingos e feriados, trechos de vias públicas, a exemplo do que ocorre com a Avenida Paulista e ruas do bairro da Liberdade.

Movimento de pedestres na Avenida São João, na região central de São Paulo, neste domingo, 21 de janeiro
Movimento de pedestres na Avenida São João, na região central de São Paulo, neste domingo, 21 de janeiro
Foto: Roberto Sungi/Ato Press/ estadão Conteúdo / Estadão

A proposta, que está em discussão com a população desde o dia 8 de janeiro, é interditar cerca de 1,5 Km da avenida, das 9h às 16h, no trecho que vai entre o Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão, ao Largo do Paissandu.

A reportagem do Estadão esteve na São João entre às 9h e 13h30 deste domingo. A região, que enfrenta um clima de tensão por conta da proximidade com a Cracolândia e com a presença de dependentes químicos, aparentava tranquilidade, com pessoas andando, correndo ou pedalando na avenida fechada para carros.

O clima também era bastante diverso e democrático. Na esquina com a Rua Aurora, uma tenda da Prefeitura abrigava um grupo de chorinho. Já no cruzamento com a Pedro Américo, um palco montado por uma academia abrigava uma aula de dança ao som do grupo de pagode baiano É o Tchan. Na outra ponta da avenida, no Largo do Paissandu, em frente à Galeria do Rock, um grupo de metal se apresentava para um pequeno público.

A segurança no local estava reforçada. Ao longo da avenida era possível ver policiais militares andando a pé ou em viaturas. O mesmo ocorreu com membros da Guarda Civil Metropolitana. Diferentemente do que ocorre na Paulista e na Liberdade, não havia vendedores ambulantes na São João.

A reportagem presenciou apenas um incidente. Na esquina da famosa esquina da Ipiranga com a São João, um homem em situação de rua esbarrou com um pedestre que estava parado. Os dois trocaram xingamentos. Já do outro lado da rua, o homem que esbarrou no pedestre tirou da roupa um punhal e fez ameaças de longe. No momento, uma viatura da PM passou pelo local, mas não parou.

A Avenida São João guarda dois símbolos da violência na cidade de São Paulo. Em dezembro de 2023, o Bar Brahma, que há 75 anos fica na esquina da São João e Ipiranga, foi atacado com pedradas por uma gangue após um frequentador reagir a um assalto. Antes, em abril de 2023, frequentadores da Cracolândia saquearam uma farmácia na São João. O estabelecimento segue fechado, com tapumes nas portas e janelas.

A violência é uma preocupação dos moradores e comerciantes da região. Inês Sene mora há 40 anos em um prédio na São João e participa de comissões locais desde que o fluxo da Cracolândia passou um tempo na Rua Helvétia. Ela estava esperançosa em ver a avenida com outra cara neste domingo.

"Conversei com moradores e comerciantes que estão contentes com o projeto", diz. Ela confirma que a falta de segurança e a presença dos dependentes químicos, de fato, são os maiores problemas da região. "Com policiamento, as pessoas se sentem seguras e passam a ocupar a rua. Isso é importante", afirma a moradora.

O piloto do Ruas Abertas foi uma proposta da Associação Pró-Centro SP, acolhida pela Prefeitura, que abriu uma consulta pública online e fez duas audiências públicas, uma no Bar Brahma e outra na Galeria do Rock.

Fábio Redondo, vice-presidente da Pró-Centro e proprietário de sete hotéis na região, diz que notou que um número de pessoas de patins, skates e bicicletas que passavam pelo local aos sábados vinham da ciclofaixa do Anhangabaú e iam para o Minhocão, que fica fechado aos finais de semana. "Achei que era uma ligação natural de dois pontos de lazer", afirma Redondo, que fez a proposta para a Prefeitura em 2022.

Redondo conta que muitas lanchonetes, restaurantes e outros comércios que não funcionam aos domingos se dispuseram a abrir, em adesão ao piloto do programa, caso do Salada Record e da Galeria do Rock.

"Isso traz segurança, oportunidades e lazer para a população. Não dá para ficar parado e não fazer nada porque há usuários de drogas na região. A Paulista também tem furto de celular e as pessoas não deixam de ir para lá. É preciso retomar o centro", diz Redondo.

O comerciante Mario Kamei, comerciante há 37 anos na Rua das Motos, como popularmente é conhecida a Rua General Osório, procurou a reportagem do Estadão para dizer que está satisfeito com o projeto. Ele disse que o Ruas Abertas pode contribuir para revitalizar também a Rua das Motos. Ele afirmou que os comerciantes planejam um evento temático com feira e exposição de motos para os domingos.

Atrações se espalharam ao longo da avenida que teve policiamento reforçado
Atrações se espalharam ao longo da avenida que teve policiamento reforçado
Foto: Tiago Queiroz/ Estadão / Estadão

O secretário da Casa Civil da Prefeitura de São Paulo, Fabrício Cobra, esteve na São João no início da tarde de domingo. De acordo com ele, a Prefeitura considerou levar para avenida atrações menores, como o grupo de chorinho, denominadas de fluição, que não possibilitem aglomerações.

"Foi a própria sociedade civil que pediu (o Ruas Abertas). 95% das pessoas que ouvimos são favoráveis. Vamos analisar o estudo, o resultado deste piloto. Depois, os técnicos vão dizer se é positivo ou não. Por fim, caberá ao prefeito e seus secretários decidirem se o projeto será implementado", diz Cobra.

Nem todos estavam satisfeitos. Lourenço Volpone, conselheiro da Associação Geral do Centro, teme que episódios de violência como o ataque ao Bar Brahma se repitam na região. Ainda há um pequeno fluxo de dependentes químicos na Praça Júlio de Mesquita.

"Há a gangue de bicicleta. É um problema constante. Não há investimento público aqui. Os moradores não foram ouvidos. Só os que têm acesso à Prefeitura e os comerciantes", diz Volpone. Ele diz que conversou informalmente com 16 síndicos de prédios e nove são contra o fechamento da avenida. "Aqui é um caos", diz.

De acordo com Henrique Bekis, gerente da CET, que acompanhava a operação de perto, 30 agentes da companhia foram destacados para coordenar e avaliar o impacto do trânsito na região. A Polícia Militar não respondeu ao questionamento do Estadão sobre quantos policiais foram mobilizados para acompanhar o projeto piloto na São João.

Estadão
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