Egípcio é autorizado a entrar no Brasil após 51 dias retido em aeroporto de SP e reencontra a família
Abdallah Montaser estava na área restrita do Aeroporto de Guarulhos desde abril após solicitar refúgio
Após permanecer 51 dias na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, aguardando a análise de um pedido de refúgio, o egípcio Abdallah Montaser, de 30 anos, recebeu autorização da Justiça Federal para ingressar no Brasil. A decisão possibilitou que ele deixasse o aeroporto e reencontrasse a esposa, que está grávida, e os dois filhos na madrugada deste sábado, 30.
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O processo tramita em segredo de Justiça, mas a informação foi confirmada ao Terra pelo advogado de Abdallah, Willian Fernandes. "Recebemos [a decisão] com alívio e com um sentimento de justiça. Mais do que uma conquista para uma única família, vemos a decisão como uma afirmação de que a dignidade da pessoa humana e o devido processo legal valem para todos, brasileiros e estrangeiros, sem distinção", disse.
Abdallah chegou ao Brasil em 8 de abril acompanhado da esposa grávida e dos dois filhos, de 5 e 2 anos. A família desembarcou no País em busca de refúgio diante das instabilidades provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. Apesar de possuírem visto, tiveram a entrada negada. "Eles foram classificados como pessoas perigosas", afirmou o advogado na ocasião, destacando que a justificativa não foi apresentada de forma transparente.
Em 8 de maio, após um mês retida no Aeroporto Internacional de Guarulhos, a família do egípcio obteve autorização parcial para ingressar no Brasil. A decisão permitiu a entrada da esposa e das duas crianças, mas manteve Abdallah impedido de acessar o território nacional.
Segundo a defesa, ao longo do processo foi sustentado que uma medida tão severa quanto impedir o ingresso no País e separar uma família por mais de 50 dias não poderia se basear em alegações genéricas, sem a apresentação de elementos concretos, especialmente quando a própria Justiça exige essas comprovações.
"Defendemos a prevalência dos direitos humanos, a proteção à família e à criança, o direito à reunião familiar e o princípio de que atos de segurança e de controle migratório, embora legítimos, estão sempre sujeitos ao controle do Judiciário e à exigência de prova", explicou Fernandes.
De acordo com o advogado, após deixar a área restrita do aeroporto, Abdallah finalmente reencontrou a esposa, que está na fase final da gestação, e os dois filhos. "Foi um reencontro de enorme emoção. Semanas de medo e incerteza deram lugar, quase de um momento para o outro, ao alívio simples e profundo de voltar a estar junto. Pelo que a família nos transmite, o que mais pesou em todo esse período não foi a dificuldade material, mas a separação. E o reencontro devolveu a eles algo que a angústia havia tirado: a sensação de segurança e a coragem que só a presença de quem se ama é capaz de restaurar", afirmou a defesa.
Fernandes também informou que a autorização de ingresso é provisória e que o caso continua em andamento. O pedido de refúgio será analisado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça responsável por decidir sobre solicitações de refúgio no Brasil. Enquanto a análise não é concluída, a família tem o direito de permanecer no País em respeito ao princípio do non-refoulement, também conhecido como princípio da não devolução, que proíbe o retorno de uma pessoa a um território onde sua vida, liberdade ou integridade possam estar em risco.
"A defesa seguirá atuando para assegurar a unidade familiar e a permanência regular do Abdallah, inclusive sustentando a decisão caso haja recurso", destacou o advogado.
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