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Crianças mortas, assassino preso: o que se sabe sobre o ataque a creche em Blumenau

Homem de 25 anos invadiu uma creche, matou quatro crianças e feriu outras cinco nesta quarta-feira, 5, em Santa Catarina

5 abr 2023 - 18h55
(atualizado às 18h56)
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O que se sabe sobre o ataque a creche em Blumenau
O que se sabe sobre o ataque a creche em Blumenau
Foto: CartaCapital

Uma creche foi alvo de um ataque na manhã desta quarta-feira, 5, em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Quatro crianças foram mortas, sendo três meninos e uma menina, entre 4 e 7 anos, e outras cinco ficaram feridas. 

O ataque aconteceu no período da manhã, na creche Cantinho Bom Pastor, que fica na rua dos Caçadores, no bairro Velha. A unidade de ensino particular atende crianças do berçário até a pré-escola.

Segundo o Corpo de Bombeiros, havia 40 crianças na creche no momento do ataque. Entre os feridos, quatro crianças --duas meninas de 5 anos e dois meninos de 5 e 3 anos-- foram levadas para o Hospital Santo Antônio. Uma delas está em estado grave, outra em quadro "intermediário" e duas com ferimentos leves.

O que aconteceu em Blumenau

De acordo com a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), um homem de 25 anos aleatoriamente pulou o muro da creche e atacou as crianças com uma machadinha. As vítimas, que brincavam no parquinho da unidade escolar, foram atingidas na cabeça. Aproximadamente 40 crianças estavam no local no momento do ataque.

Professores da creche revelaram que tentaram trancar os bebês em uma sala para salvá-los do assassino. Ao ver funcionários chamando as crianças para dentro do prédio, o suspeito pulou o muro e deixou o local.

Após o ataque, o homem se entregou no 10º Batalhão de Polícia de Blumenau. O homicida tem passagens pela polícia por porte de drogas, lesão e dano, segundo a Polícia Civil. Ele já esfaqueou o padrasto e um cachorro da família. 

De acordo com o governador do estado de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), o homem estaria em surto psicótico.

Quem são as vítimas do ataque em Blumenau

Quatro crianças foram mortas no ataque, sendo três meninos e uma menina com idades de 4 a 7 anos. São eles:

  • B. P. C. - 4 anos
  • L. M. T. - 7 anos
  • E. M. B. - 4 anos
  • B. C. M. - 5 anos

Pelo menos quatro crianças --duas meninas de 5 anos e dois meninos de 5 e 3 anos-- foram levadas para o Hospital Santo Antônio. 

"Elas foram atendidas pela equipe de urgência e emergência e as famílias estão recebendo apoio da equipe multiprofissional da instituição", disse o hospital em nota.

A quinta criança foi levada pela mãe para o Hospital Santa Isabel, segundo a Prefeitura de Blumenau. A vítima apresentava ferimentos leves.

Quem é o autor do ataque a creche em Blumenau 

Segundo informado por representantes da Polícia Civil em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 5, o agressor já prestou depoimento e deverá ser indiciado por quatro homicídios duplamente qualificados e por quatro tentativas de homicídio triplamente qualificados. Mas, de acordo com o delegado-geral, Ulisses Gabriel, esta não é a primeira vez que ele comete crimes.

A autoridade policial informou que o homem já esfaqueou o padrasto e o cachorro que fica na casa da família. O crime aconteceu em 1º de março de 2021. 

"No dia 11 de julho de 2022, ele foi abordado e estava na posse de cocaína, e acabou sendo autuado. No dia 8 de dezembro de 2022, ele quebrou um portão da casa do padrasto e esfaqueou um cão que estava no local", acrescentou Gabriel.

Em 2016 ele também foi abordado por policiais militares, após se envolver em uma briga em uma casa noturna.

Ainda de acordo com o delegado-geral, o suspeito passou por um breve interrogatório logo após a prisão desta quarta. A quebra dos sigilos telefônico e telemático já foi solicitada.

"Inclusive nas redes sociais, do grupo Meta [Facebook e Instagram], que no primeiro momento da ocorrência já nos conectou e contatou, e disse que está disponível para passar todas as informações", revelou.

O que dizem as autoridades sobre o ataque

O governo do Estado de Santa Catarina cancelou as aulas na cidade de Blumenau nesta quarta, 5, e quinta-feira, 6, e declarou luto oficial de três dias pelo assassinato das crianças. Nas redes sociais, o governador Jorginho Mello (PL) lamentou o ataque. 

Jorginho Mello também informou que determinou imediata ação das forças de segurança. "Deixo aqui a minha total solidariedade. Que Deus conforte o coração de todas as famílias neste momento de profunda dor", acrescentou.

Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também lamentou o ataque. Chamando o caso de 'monstruosidade', o petista se solidarizou com as famílias das vítimas e com a comunidade da região. "Não há dor maior que a de uma família que perde seus filhos ou netos, ainda mais em um ato de violência contra crianças inocentes e indefesas", disse Lula.

Flávio Dino e Camilo Santana

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou um edital de R$ 150 milhões do Fundo Nacional da Educação Básica, para que estados e municípios fortaleçam as rondas escolares feitas pela Polícia Militar ou Guarda Municipal. O ministro da Educação, Camilo Santana, participou do ato.

Dino também anunciou investigações da Polícia Federal sobre ameaças na internet, após reunião com líderes do movimento estudantil. 

“Recebi documentos relativos a essa preocupação das entidades estudantis com a violência nas escolas e universidades. Essa preocupação antecede a esse terrível evento em Blumenau, mas foi, infelizmente, reforçada por esta tragédia”, afirmou o ministro. 

Polícia Civil

Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, disse que esse foi um ataque isolado e que não há relação com jogos ou redes sociais. 

"Entrevista prévia realizada indica que é um fato isolado, que não tem relação com outras práticas criminosos - não é fato coordenado por jogo ou rede social entre criminosos", disse o delegado.

Creche

Depois do ataque, a creche Cantinho do Bom Pastor, de Blumenau, divulgou uma nota de pesar em que se solidariza com as famílias, colaboradores, professores e amigos. A unidade escolar se comprometeu a trabalhar "incessantemente" com as autoridades para apurar os fatos e exigir punições duras aos envolvidos. 

Como os pais reagiram ao ataque em creche

Segundo o Corpo de Bombeiros, os pais das crianças foram ao local e o clima era de desespero. Logo após o ataque, uma multidão se formou na frente da creche, em busca de informações sobre as vítimas.

O pai de uma das quatro crianças mortas, que não quis se identificar, não conseguiu esconder a emoção ao deixar a instituição Cantinho do Bom Pastor, com o material escolar do filho.

"Só sobrou a mochila do meu filho", relatou ao jornal O Estado de S. Paulo, após o corpo do filho ser encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). 

Em conversa com os jornalistas, um pai contou que o filho e um amigo chegaram na creche embalados pelo clima da Páscoa, e até ele entrou na brincadeira. "Viemos pulando de coelhinho. Vou fazer valer a pena todos os momentos", lamentou.

Fonte: Redação Terra
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