Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Contaminação em cerveja mineira afeta mercado artesanal

A cerveja suspeita responde por pelo menos 60% da capacidade de produção da Backer. Suspeita de contaminação está sendo investigada pela polícia

15 jan 2020 - 05h10
(atualizado às 08h05)
Compartilhar
Exibir comentários

A cervejaria Backer apostou alto exatamente no rótulo que é responsável pelo seu maior revés. A marca Belorizontina, que conforme a Polícia Civil de Minas teve pelo menos três lotes contaminados, é o carro-chefe da Backer. A cerveja suspeita responde por pelo menos 60% da capacidade de produção da empresa, estimada em 1 milhão de litros por mês. A polícia apura o elo entre a contaminação da bebida e 17 casos de intoxicação no Estado.

Peritos da Polícia Civil compareceram na sede da cervejaria Backer, no Bairro Olhos D'Água, em Belo Horizonte.
Peritos da Polícia Civil compareceram na sede da cervejaria Backer, no Bairro Olhos D'Água, em Belo Horizonte.
Foto: Uarlen Valério / O Tempo / Estadão Conteúdo

A Belorizontina é a grande responsável pelo salto da Backer nos últimos anos. A fábrica é hoje líder de vendas no setor artesanal no Estado. O rótulo foi criado no fim de 2017 em comemoração pelos 120 anos da fundação de Belo Horizonte. A produção inicial foi de 10 mil litros. Após pouco mais de dois anos, o meteoro Belorizontina, antes dos casos de contaminação pelo dietilenoglicol, atingia o volume aproximado de 600 mil litros, segundo estimativa do setor.

A empresa não revela dados de fabricação da Belorizontina. O preço da garrafa da cerveja nos supermercados da capital chega a R$ 5,28. Em meio às artesanais, não há nada parecido na rede varejista da cidade. O Reserva do Proprietário, outro rótulo da Backer, mais elaborado, por exemplo, custa R$ 80.

Mal começou 2020 e o cenário mudou radicalmente. O governo de Minas já registra 17 pessoas com suspeita de contaminação, incluindo um óbito. Outra morte suspeita, ainda fora do balanço da pasta, foi notificada no interior. O governo federal já fechou a fábrica e mandou recolher toda a produção desde outubro - a Backer pediu na Justiça prazo maior para essa coleta.

"Não bebam nenhum lote da Belorizontina"

Nesta terça, 14, a campanha às avessas veio da própria diretora de Marketing da empresa. "Não bebam a Belorizontina. Seja de que lote for", disse Paula Lebbos, também sócia-proprietária. "Estou sem dormir. Muito triste, assustada com tudo isso. É preciso saber a verdade o mais rápido possível", acrescentou ela, visivelmente abatida.

Dos 70 tanques da Backer, 20 foram comprados em 2019. A polícia concentra investigações em um deles, de 18 mil litros, usado exclusivamente para a Belorizontina. O equipamento tem capacidade de brassagem - a mistura colocada no tanque que, após a maturação, vira cerveja - equivalente a 33 mil garrafas. A Backer afirma não usar o dietilenoglicol em seus processos.

Estimativas do setor apontam que a Backer concentrava de 50% a 60% do mercado mineiro de cervejas artesanais, o que também não poupava a empresa de críticas pela velocidade de produção. "A pressa neste setor é inversamente proporcional à qualidade da cerveja", diz um concorrente. A avaliação dele é que a Backer, com sua escala, já não pode mais ser chamada de artesanal.

Ainda segundo estimativas do mercado local, a Backer teria contrato de fornecimento mensal de 60 mil caixas com 15 unidades de Belorizontina, por mês, para uma rede de supermercados de BH, o equivalente a aproximadamente 450 mil litros de cerveja a cada 30 dias. A rede é a mesma em que familiares de pessoas que passaram mal ao consumir o produto teriam adquirido a cerveja.

Fábrica de MG tem 600 empregados

A empresa tem 600 funcionários. Em dezembro, um deles foi demitido, ameaçou o supervisor e o caso parou até na delegacia. A polícia diz não descartar a possibilidade de sabotagem nas linhas de investigação.

O tamanho atual da equipe é bem diferente de quando o negócio, familiar, começou. Antes de se transformar em Backer, o estabelecimento fornecia chope de mesmo nome para uma casa de shows chamada Três Lobos, no início dos anos 2000. O local não existe mais. Em 2005, os atuais donos da empresa iniciaram a produção da cerveja Backer, uma das primeiras artesanais de Minas. Hoje Três Lobos é o nome de um dos 21 rótulos da fábrica - que devem rarear em bares e supermercados, ao menos enquanto durar a investigação.

Veja também: 

CES 2020: Startup lança porco vegetal e nós experimentamos:
Estadão
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade