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Clubes voltam a ter movimento em final de semana após reabertura

Final de semana de sol e medidas preventivas adotadas pelas instituições trouxeram sócios de volta, mas movimento ainda ficou abaixo do período anterior à pandemia

12 jul 2020
17h23
atualizado às 19h29
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Depois de amargar espaços vazios ao longo da semana, quando a frequência dos sócios esteve abaixo do permitido pelo protocolo da prefeitura, os clubes sociais ficaram mais cheios neste primeiro final de semana após a reabertura.

Os dias de sol, com temperaturas perto do 28 graus, e as medidas de prevenção contra o coronavírus deixaram as pistas de atletismo e as quadras de areia (únicas áreas liberadas) com mais sócios no sábado e no domingo, 12. Os números, no entanto, ainda estão bem distantes do início do ano, antes da pandemia. Muitos frequentadores mudaram os hábitos com medo da contaminação pelo novo coronavírus.

A tendência de aumento da frequência no final de semana foi a mesma em clubes como Esporte Clube Pinheiros, Paineiras do Morumby e Hebraica, na zona oeste, ou em endereços mais populares, como Corinthians e Juventus, na zona leste. O Estadão acompanhou os momentos distintos dessa movimentação, desde quinta-feira (9) até este domingo.

Depois de receber a média diária de 500 sócios ao longo da semana, os representantes da Hebraica estavam satisfeitos no sábado, quando 650 pessoas giraram as catracas. Neste domingo, o número passava de 766 às 15h. A procura também foi maior no Esporte Clube Pinheiros, na mesma região. O clube recebeu cerca entre de 1000 a 1300 pessoas por dia ao longo da semana, e os números se mantiveram ou subiram no final de semana. No sábado, o clube alcançou o recorde da semana: 1731. Neste domingo, o número voltou para perto de mil, com 944 presentes. Os dois clubes cobram mensalidades que oscilam entre R$ 450 nos planos individuais e ofereceram descontos na pandemia.

Em todos os casos, a frequência atual está distante do limite máximo exigido pela prefeitura, que se refere a 40% do público total estabelecido pelo alvará de funcionamento de cada clube. A Hebraica poderia receber em torno de 5000 pessoas, por exemplo - a frequência está em torno de 20% desse montante. No caso do clube Paineiras do Morumby, na zona sul, a conta é quase a mesma. O clube também pode receber também cerca de 5000 mil pessoas, mas recebeu em torno de 400 ao longo da semana e o dobro neste final de semana. O Pinheiros tem uma capacidade ainda maior, pois poderia receber cerca de 15 mil pessoas.

O cenário de lenta retomada é o mesmo para os clubes mais populares. O Juventus, endereço tradicional da Mooca, na zona leste, recebeu em média 100 pessoas de terça a sexta, mas viu o número dobrar no final de semana. O Palmeiras abriu as portas, em média, para 250 pessoas por dia (terça a sexta-feira) e informa que a frequência aumentou cerca de 20%. O Corinthians não informou a quantidade de associados que está recebendo no Parque São Jorge.

Em todos os casos, o movimento ainda está bem distante daquele verificado antes da pandemia. O Pinheiros informa que costumava receber cerca de seis mil pessoas antes da pandemia; a Hebraica, duas a três mil. "Estamos retomando aos poucos, mas a frequência tem sido menor do que a capacidade permitida pela prefeitura para os clubes neste momento", afirma Paulo Cesar Movizzo, também presidente do Sindi Clube (Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo).

Em função do receio de contaminação, os hábitos dos visitantes mudaram. Antes da pandemia, a aposentada Nazaré Lande, de 65 anos, costumava passar boa parte do dia no Pinheiros. Corria, nadava, almoçava e encontrava os amigos. Desde terça-feira (7), a ex-triatleta já foi ao clube três vezes, mas reduziu o tempo de permanência por ali. Na sexta-feira (10), ela foi apenas jogar uma partida de beach tennis, que durou cerca de duas horas, e já ia para casa. "Eu sou do grupo de risco. Jogo e vou embora. Ainda tenho um pouco de receio. Estou voltando aos poucos", diz a sócia.

Também com receio de se contaminar nas quadras de tênis, seu esporte favorito, a aposentada Marina Precoppe, de 61 anos, mudou de atividade e foi jogar futebol com os netos. Ela encontrou um campo diferente, adaptado ao novo normal. Para facilitar o distanciamento social, o gramado foi dividido em minicampos de 30m x 8,5m. Cada família pode ficar só no seu quadrado (ou melhor, retângulo). O futebol ainda está proibido.

A restrição das modalidades é um dos fatores que ajuda a explicar o retorno lento dos associados. De acordo com o protocolo municipal, os clubes podem utilizar as áreas abertas para atividades ao ar livre. Mas existe uma limitação. Os esportes de contato, como futebol e basquete, continuam proibidos, assim como as áreas infantis (parquinhos).

No caso do Pinheiros, instituição que desenvolve mais de 70 atividades esportivas, os sócios só podem praticar as atividades de areia (vôlei, futevôlei e beach tennis) e o tênis de quadra. "Estamos em um momento de transição. Uma das nossas tarefas tem sido explicar ao sócio que, mesmo com distanciamento social, algumas atividades ainda estão vetadas de acordo com o protocolo municipal", explica Ivan Castaldi Filho, presidente do clube.

Para facilitar essa fase, o clube treinou 200 funcionários de áreas que ainda não estão em funcionamento para atuarem como receptivos. Eles orientam os sócios sobre as medidas de prevenção à covid-19 e explicam o que pode e que não pode.

Na Hebraica, os jogos de tênis ganharam medidas especiais de prevenção. As bolinhas são marcadas com cores diferentes. Cada jogador tem a sua. A marcação serve para que cada tenista manuseie somente as bolinhas de sua cor, evitando o único ponto de contato entre os tenistas. "Você manda as bolas de outra cor para os adversários 'chutando' ou 'batendo' com a raquete na bolinha", explica o advogado e administrador de empresas Sergio Gross, de 59 anos, que se diz associado da Hebraica desde que nasceu.

Há um aspecto subjetivo, além dos números e da quantidade de modalidades oferecidas no retorno aos clubes. Na Hebraica, muitos visitantes colocaram as cadeiras debaixo das árvores e conversaram, matando a saudade do convívio social. A administradora Sabrina Wagon, de 41 anos, interrompeu a corrida na pista de cooper para explicar que tinha levado toda a família para o clube. "Eu me sinto segura e confortável. Moro perto. O clube faz parte da minha história. Eu conheci meu marido aqui", diz a empresária da área de comunicação que corre, pedala e nada. "Embora com atividades parciais, o clube devolve a nossa rotina", completa Sergio Gross.

Investimentos

Os clubes adotaram várias medidas de higiene e sanitização dos ambientes para prevenção da covid-19. Daniel Bialski, presidente da Hebraica, revela que investiu R$ 100 mil. O clube foi um dos poucos a realizar a testagem de covid-19 dos funcionários. Foram cerca de 480 testes. Outro diferencial é uma cabine de desinfecção logo na entrada.

Depois de medir a temperatura corporal pelo punho, o associado entra na câmara que borrifa uma solução higienizante, eficaz contra bactérias, fungos, leveduras e vírus. "Ainda é um momento de cautela. Estamos avaliando o impacto das medidas e acolhendo os sócios. É o momento de mostrar que as medidas adotadas trazem segurança no retorno", diz o dirigente.

O Corinthians informa que também instalou dois túneis de desinfecção, em parceria com a empresa NeoBrax, nas entradas de sócios e funcionários. O Pinheiros instalou câmeras térmicas em quatro portarias para a triagem de colaboradores e associados que apresentem quadros de febre e possam estar infectados com o coronavírus. A câmera permite aferir a temperatura de um grupo de pessoas, agilizando a entrada na portaria, e dispensa o uso do termômetro individual. Existem 300 pontos de distribuição de álcool em gel espalhados pelo clube. Sem revelar valores, Castaldi diz que o "investimento foi alto".

O clube Paineiras do Morumby, na zona oeste da cidade, preparou um sistema de desinfecção chamado nebulização para tentar proteger seus 24 mil associados. Trata-se de um desinfetante à base de peróxido de hidrogênio e quaternário de amônia aplicado em várias as superfícies, como mesas, cadeiras, guarda-sóis e até nas quadras de tênis. A promessa é de eliminação de bactérias e do novo coronavírus por 72 horas, de acordo com nota 26/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Próximas semanas

Para acelerar volta os sócios nas próximas semanas, os diretores apostam na liberação de mais atividades esportivas - a abertura das academias e das piscinas externas, por exemplo, a partir desta segunda-feira (13). "No nosso caso, a liberação das piscinas pode ser a salvação", diz Antonio Ruiz Gonsalez, presidente do Juventus, que registrou um índice de 65% de inadimplência nos últimos quatro meses. "Nossa expectativa é que volte tudo (todas as atividades) o quanto antes", torce.

O problema não é só do clube da Mooca. De acordo com pesquisa do Sindi Clube, que ouviu 82 clubes de 39 municípios de São Paulo, 94% dos clubes ainda sofrem com a inadimplência.

Outra medida esperada é a ampliação do horário dos bares e restaurantes. Hoje, os estabelecimentos localizados dentro dos clubes, no entanto, seguem o protocolo específico do restante da cidade: só funcionam por seis horas e com apenas 40% da capacidade de atendimento. "O clube aberto parcialmente custa mais do que se estivesse fechado. As receitas ainda não voltaram totalmente, mas os custos, sim", argumenta Castaldi.

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Estadão
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