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Caso Vitória: MP denuncia Maicol e pede novo inquérito para apurar participação de 2° suspeito

Medida foi tomada após material genético de outro homem ser encontrado em carro usado no dia do crime. Jovem foi torturada e morta em fevereiro

29 abr 2025 - 13h11
(atualizado às 23h53)
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O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou por feminicidio nesta terça-feira, 29, Maicol Sales dos Santos, preso pela morte de Vitória Regina de Souza, de 17 anos, e solicitou a instauração de um novo inquérito para investigar se ele teve a ajuda de outra pessoa para ocultar o corpo da jovem.

Ao Estadão, a defesa de Maicol afirmou que ainda não teve acesso à denúncia oferecida e que, portanto, não vai se pronunciar neste primeiro momento.

Vitória foi torturada e assassinada em fevereiro deste ano em Cajamar, região metropolitana de São Paulo. Segundo MP, o material genético de outro homem foi encontrado em uma das portas traseiras do carro usado para cometer o crime.

"Foi feito um pedido para que seja instaurado um novo inquérito policial em relação ao crime de ocultação de cadáver, porque, entre os elementos colhidos durante a investigação, há indicativos de que, para essa conduta, o Maicol pode ter tido a participação de uma terceira pessoa", diz o promotor de Justiça Jandir Moura Torres Neto.

Segundo ele, a solicitação também foi feita por conta de outras informações não divulgadas - o inquérito está sob sigilo. O entendimento é que Maicol, que tem 26 anos, agiu sozinho na abordagem, mas pode ter contado com ajuda para higienizar o carro após o crime e tentar ocultar o corpo da vítima.

Denúncia contra Maicol

Maicol foi denunciado à Justiça por quatro crimes:

  • sequestro qualificado;
  • feminicídio;
  • ocultação de cadáver;
  • fraude processual (por três vezes).

"Pelo que foi apurado, ele teria alterado tanto as condições do veículo, quanto do local em que a Vitória foi morta e do celular dele durante as investigações", diz Torres Neto. As penas desses crimes, somadas, podem chegar a cerca de 50 anos.

Segundo a polícia, Maicol confessou ter matado da jovem. As investigações apontam que ele vinha perseguindo a vítima com táticas de stalking (crime de perseguição). A polícia diz ainda ele desenvolveu uma "obsessão" pela garota. Fotos dela foram encontradas em seu celular.

Até ser preso, Maicol morava na mesma região que a família da vítima, no bairro de Ponunduva, em Cajamar, onde todos se conhecem. Apesar disso, ele não tinha proximidade com a família de Vitória.

Tortura e assassinato

A jovem foi arrebatada quando fazia a caminhada a pé para casa, após descer no ponto de ônibus mais próximo de casa. Segundo a investigação, o Toyota de Maicol foi visto na cena do crime.

Vitória desapareceu no trajeto à casa da família, na noite de 27 de fevereiro, e foi encontrada morta, com marcas de violência, no dia 5 deste março. O corpo, sem cabelo e quase degolado, foi localizado em uma mata da região, a 5 km da casa.

O Corolla de Maicol foi visto na cena do crime. Dentro do veículo, testemunhas relataram terem visto uma pessoa usando capuz, do tipo balaclava. A polícia identificou a compra de um item similar no celular de Maicon, adquirido por meio de um site de compras.

A contradição no depoimento de Maicol também pesou contra ele. O suspeito afirmou que passou a noite do crime em casa com a esposa, mas ela desmentiu sua versão, dizendo que dormiu na casa da mãe e não esteve com o marido naquele dia.

Estadão
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