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Anhangabaú vira 'point' de esportes sobre rodas antes de inauguração oficial

Praticantes de patins, skate e outras modalidades adotaram espaço para manobras e treinos nos últimos meses; obra não tem data de entrega, mas grande parte da área está liberada para acesso

6 jun 2021 05h13
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Após quase dois anos de uma obra ainda não inaugurada e oficialmente entregue, o novo Vale do Anhangabaú se tornou um ponto de encontro informal dos praticantes de esportes sobre rodas de São Paulo e cidades do entorno. Os maiores adeptos são ligados aos patins e ao skate, mas há quem vá também de bicicleta, patinete e até carrinho de rolimã.

É o caso da gerente de loja Ketty dos Santos, de 36 anos. Moradora de Itaim Paulista, no extremo leste paulistano, costuma marcar passeios no local cerca de uma vez por semana com outros patinadores amadores da cidade e de municípios vizinhos, como Guarulhos.

"O Vale do Anhangabaú acabou se tornando um ponto de encontro, um marco para todos patinadores", comenta. Segundo ela, o principal motivo é o piso liso que substituiu a pedra portuguesa. "Antes era inviável, o piso não era bom para os patins."

O professor de educação física Marco Antonio de Almeida, de 42 anos, o Macoy, costuma ir ao vale com a esposa, Tatiana, e os filhos Davi, de 7, e Arthur, de 11, duas vezes por mês, hábito que adotou após a obra. Os adultos vão de patins, enquanto as crianças levam também skate e patinete.

Antes da obra, conta, só passava pela região por cima dos viadutos. "Uma das coisas que me fez frequentar mais também foi o fechamento dos parques (por causa da pandemia). Mesmo com a marquise do Ibirapuera fechada, a gente andava na ciclovia e em outros parques da zona leste", explica.

Entre os novos frequentadores, também estão atletas, como o patinador Erick Mello, de 25 anos. Ele se mudou para São Paulo neste mês, mas já frequentava o vale desde o fim do ano passado, mesmo estando no Rio. "No Instagram, ficou muito conhecido no mundo dos patins", conta. "Virou o ponto de encontro fixo dos patinadores."

A procura é tanto pela pista mais livre quanto por obstáculos, como escadas, corrimãos, bancos e ladeiras. Outro motivo que percebe para a popularização é que o centro oferece acesso fácil e opções de restaurantes e lojas com preços acessíveis.

'Precisava de uma reforma mais radical'

Embora o resultado seja elogiado por parte dos frequentadores, outros seguem críticos à obra, pelo custo (cerca de R$ 105 milhões) e pelas interferências no projeto anterior, da arquiteta paisagista Rosa Kliass e do urbanista Jorge Wilheim. Entre eles, está o skatista e produtor cultural Murilo Romão, de 32 anos, que chegou a fazer um abaixo-assinado para que a prática do skate não fosse excluída do novo projeto.

"Já era um lugar muito tradicional de skate, um ponto de encontro", comenta. "Não concordo com essa reforma, precisava de uma, mas foi radical e com muito dinheiro gasto."

Diferentemente do patins, o skate tinha adeptos que frequentavam o vale antes da obra. O resultado do movimento foi uma intervenção feita a partir do granito rosa das arquibancadas antes utilizadas por esportistas no local, dando origem a um espaço para manobras. "Pra gente, é um memorial, uma homenagem, ao que foi Anhangabaú para o skate."

Consórcio com a maior oferta desclassificado

Quase cinco meses após a divulgação do resultado, o consórcio que fez a maior oferta para gerir os espaços do Vale do Anhangabaú por dez anos foi desclassificado pela Prefeitura de São Paulo neste mês por não apresentar toda a documentação exigida. O grupo que ficou em segundo lugar é formado pelas empresas Urbancon, Nacional Shopping Planejamentos e Reestruturação de Shopping Center LTDA e B. Internacional Real Estate Ltda. Está previsto o pagamento de R$ 6,5 milhões.

Estadão
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