Angra dos Reis importa técnica para conter desabamentos
Mais de 20 municípios fluminenses que ainda enfrentam o problema de desmoronamentos, em razão da chuva que caiu em vários períodos este ano, têm um exemplo a seguir para conter as encostas. Em Angra dos Reis está sendo utilizada, pela primeira vez no Brasil, a técnica das barreiras flexíveis, muito comum na Itália.
Malhas de aço presas a vigas fincadas a sete metros de profundidade resistem ao impacto de blocos de pedras. As obras devem durar seis meses. A demolição de 500 casas no Morro do Carmo, no Centro da cidade, não será necessária, como estava previsto. "Este é o lucro social que conseguiremos. Não vamos demolir as casas", festejou o prefeito Tuca Jordão.
O que está sendo planejado para o Morro do Carmo tem o aval do engenheiro civil Luiz Francisco Muniz da Silva, da empresa de engenharia Muniz e Espada, e de técnicos da Tecnosonda e da Geomecânica, que já veem trabalhando nas contenções em Angra. O prefeito Tuca Jordão garante que "essa barreira suporta todo o desmonte de blocos de rocha, árvores e material argiloso". Para a implantação das barreiras flexíveis será preciso fazer o desmonte de blocos rochosos. As barreiras suportam blocos de até 6 metros cúbicos e no morro do Carmo existem blocos três vezes maiores, sendo necessário, então, trincar as rochas para provocar a fragmentação.
Importação
A Prefeitura de Angra, através da Secretaria de Meio Ambiente, está importando da Itália todo o material utilizado na obra, que deve chegar em outubro. A previsão é que a as barreiras flexíveis só fiquem prontas depois da temporada de verão, o que multiplica a preocupação das autoridades de Angra dos Reis, que pedem aos desabrigados da chuva que só voltem às residências depois de construída a contenção. O prefeito Tuca Jordão busca recursos para realizar outras obras. Para a contenção é necessária uma verba de R$ 40 a R$ 50 milhões, já que a prefeitura só dispõe dos R$ 30 milhões conseguidos na emergência.
Arraial
Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, também sofre com problemas de encostas. No ano passado, a Defesa Civil do município fez um mapeamento de áreas de risco para detectar a ocorrência de deslizamentos de terra e pedras. Foi constatado que o perigo está nas encostas do morro da Cabocla, Pontal do Atalaia, Prainha e morro da Boa Vista. A secretaria de Obras priorizou um muro de contenção na entrada da cidade, onde o acesso de pedestres estava parcialmente interrompido.
O secretário de Obras, Reginaldo Mendes, atestou que, "há nove anos, várias famílias corriam risco de morte; toda a área já estava condenada e prestes a desabar", explicou. Além da preocupação com a segurança das pessoas, a secretaria procurou melhorar a entrada da cidade. Outras obras de contenção serão realizadas no município, ainda este ano, começando pelo morro da Cabocla.
Piraí
Ao mesmo tempo em que realiza trabalhos de prevenção nas encostas de vários bairros do município, com investimentos da ordem de R$ 2 milhões, a prefeitura de Piraí, em parceria com o governo do Estado, reuniu representantes das 29 associações de moradores com a finalidade de mapear as áreas onde já houve deslizamentos e as de possíveis riscos. A secretária Sheila Valle explicou que a ¿partir de agora, as prefeituras só terão direito a receber recursos do Estado, para soluções dos problemas de deslizamentos, se apresentarem o mapa de risco que será produzido pelo DRM¿.
Durante a reunião, as associações de moradores mostraram, no mapa do Google, as áreas com ocorrência de deslizamentos, e, ainda, onde foram realizadas obras ou, ainda, há ameaça de queda. "Com o relatório do DRM teremos o quadro real, para que possamos nos preparar melhor, esperando a próxima temporada de chuvas. O mais importante, no entanto, é garantir segurança e tranquilidade aos moradores", frisou a secretária Sheila Valle. Como medida de prevenção, a prefeitura já vem realizando a construção de mais de 20 muros de contenção e trabalhos nas encostas de vários bairros.