AM: testemunhas acusam Samu de negar atendimento a idoso bêbado
Samu afirma que morador de rua negou atendimento e colocou em risco integridade de equipe médica
O morador de rua Raimundo Leite, 71 anos, morreu no início da noite de ontem após o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ter se negado a atendê-lo depois de constatar que ele estava embriagado, de acordo com testemunhas. A coordenação do Samu nega que tenha omitido socorro.
Segundo testemunhas que denunciaram a suposta omissão de socorro, o idoso começou a passar mal no início da tarde de quarta-feira no momento em que caminhava pela rua 28 de Março, no bairro de Adrianópolis, na zona centro-sul de Manaus.
"Ligamos para o 192 e quando a ambulância do Samu chegou colocaram o Raimundo dentro. Aí disseram que ele estava em coma alcoólico e que era só deixar ele quieto por umas duas ou três horas que ficaria normal. Como ele estava bêbado, perguntei se não iriam aplicar glicose, mas disseram que não era necessário e foram embora", relatou a autônoma Laudete Ramos.
Um outro morador, que pediu para não ser identificado, disse ter ligado uma segunda vez para o Samu para que uma equipe retornasse ao local pois o idoso estaria morrendo. No entanto, segundo ele, uma atendente do 192 teria ameaçado chamar a polícia por falsa comunicação e afirmado que nenhuma ambulância seria encaminhada para a ocorrência.
Segundo a dona de casa Nazaré Costa, depois que o Samu deixou o local, a vítima foi colocada sentada em um colchão sobre uma calçada. De acordo com ela, o idoso tinha espasmos. Por volta das 18h30, ele faleceu.
"Ninguém quis socorrer ele. Era um ser humano e morreu como um cachorro. Isso é um absurdo. A gente chama os médicos e não tem atendimento", reclamou a dona de casa.
Raimundo Leite deu entrada no Instituto Médico Legal (IML) com suspeita de morte natural. Segundo o delegado Afonso Lobo, da Delegacia de Crimes Contra o Idoso, se a denúncia for formalizada oficialmente, será investigada.
O coordenador do Samu em Manaus, Enzio Monteiro, disse que, de acordo com uma apuração preliminar, não houve omissão de socorro pela equipe que atendeu a ocorrência.
"A viatura esteve no local e tentou atender o paciente. Ele que se negou a receber atendimento e, como estava embriagado, colocou em risco nossa equipe, que se retirou do local", disse o coordenador do Samu.
Segundo o médico, as gravações telefônicas das duas chamadas pedindo socorro ao idoso serão analisadas. "Não nos negamos a atender ninguém, mas precisamos resguardar a integridade de nossa equipe. No entanto vamos investigar melhor o desenrolar dessa ocorrência", disse Monteiro.