Adolescente denuncia abusos do padrasto e diz que ele chegou a aplicar testosterona nela
Em uma carta, vítima de 16 anos relatou estupros, que aconteciam desde os 13
Uma adolescente de 16 anos escreveu uma carta denunciando os abusos que sofria do padrasto, em São Paulo. De acordo com a vítima, o homem de 51 anos, que é um policial militar reformado, cometia os crimes desde que ela tinha 13. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, no litoral do Estado.
Segundo informações divulgadas pelo jornal A Tribuna, na carta escrita pela adolescente para denunciar os abusos para os advogados Octavio Rolim e Patrícia Britto, que a representam no caso, a jovem conta que tudo começou entre junho e julho de 2021.
O que ela diz na carta
Na época, a adolescente morava com a avó e teria ido até o apartamento onde a mãe vivia com o homem. Durante a visita, ele teria mostrado vídeos pornográficos e apresentado contos eróticos para ela, “principalmente entre enteada e padrasto”. E disse que “ela já estava na idade de saber” e que aquilo era “mais comum” do que imaginava.
“Eu nunca tinha visto e fiquei assustada com aquilo. Ele me disse que, por estar crescendo e me tornando mulher, [além] da minha mãe trabalhar o dia todo e não ter tempo de me explicar essas coisas, eu já estava na idade de saber”, escreveu a menina.
Em agosto de 2021, o homem apresentou um sobrinho dele. Durante a visita, o padrasto teria dito para ela apresentar o prédio para ele, e o menino teria beijado ela. Ao saber sobre o contato, PM fez uma série de perguntas para ela sobre o beijo.
Naquele mesmo dia, ambos voltavam de um passeio em Peruíbe, no litoral de São Paulo, quando o padrasto parou o carro para urinar na rua. Segundo o relato da adolescente, ele teria abusado dela. "Fiquei com muito medo de falar algo na hora, pois ele sempre guardava a arma debaixo do banco do motorista", alegou a vítima. "Quando cheguei em casa, só sabia chorar escondida no quarto me perguntando o porquê daquilo estar acontecendo".
Em 2022, os abusos se tornaram frequentes. "Ele aproveitava que não tinha ninguém em casa e me puxava para o quarto dele. Aconteceu várias vezes, e todas sem o uso de preservativo".
Ao jornal A Tribuna, os advogados da menina explicaram que os abusos físicos acabaram naquele ano, quando o homem disse que se afastaria dela "para não cometer uma loucura", como engravidá-la. Porém, em 2023, ele tentou uma “reaproximação” da adolescente, que gravou a conversa e mostrou o áudio.
A mãe da vítima diz ter ficado chocada quando soube dos abusos. Ela tinha um relacionamento de 12 anos com o homem e disse que ele se considerava "pai" da menina. "Meu mundo desabou. Não só o meu, mas de toda a família", desabafou a mãe da adolescente. "Fiquei sem chão, pois não esperava isso dele, que conhecia a minha filha desde bebê".
Testosterona
De acordo com o relato da adolescente, ainda naquele ano, o homem lhe aplicou duas doses de testosterona. Ele a levava para academia, lá ele elogiava o corpo dela e comentava que ela tinha “mais corpo do que muito mulheres, mas que não conseguiria resultado ‘só treinando’”.
"Comentava que eu tinha mais corpo do que muitas mulheres, e por eu menstruar e ter menos testosterona que o homem, não iria conseguir resultado nenhum 'só treinando'", escreveu a menina. "Dizia que eu ficaria com um corpo mais bonito [com a testosterona]".
A adolescente acrescentou na carta que o homem ficou bravo quando ela demonstrou que não queria receber a dose do hormônio. "Disse que eu não poderia parar de tomar, senão meu corpo ficaria cheio de estrias, celulites e espinhas, [além da] queda de cabelo".
Investigações
Em entrevista à TV Tribuna, a delegada Lyvia Bonella, da DDM de Praia Grande (SP), informou que o homem prestou depoimento e disse que a enteada é quem demonstrava interesse por ele.
"Tentou inverter a situação, como se a adolescente estivesse interessada nele e feito 'investidas', abraçando e beijando", explicou a delegada, que acrescentou que, apesar do depoimento do homem, o fato dele ter admitido que "retribuiu" o beijo da adolescente já configura um crime.
A defesa do padrasto afirmou ainda que o cliente é inocente e que as "acusações propostas pela suposta vítima e sua genitora são inverídicas, pois não passam de uma armação".
Em nota ao Terra, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que demais detalhes serão preservados em razão da natureza da ocorrência e por envolver menor de 18 anos.