Cela de 65 m²: mídia francesa repercute condições 'mais favoráveis' de Bolsonaro na Papudinha
Os sites dos jornais franceses repercutem nesta sexta-feira (16) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, anunciada na véspera, de transferir o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, em Brasília.
"Jair Bolsonaro foi transferido a uma prisão onde as condições de detenção são mais favoráveis", diz o título de uma matéria no site do jornal Le Monde. O diário destaca que o anúncio ocorreu duas semanas após o ex-presidente brasileiro ter seu pedido recusado para cumprir, em casa, a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Le Monde também ressalta os benefícios da mudança de local: uma cela de 65 m2, mais tempo para receber visitas e equipamentos para se exercitar, como uma bicicleta elétrica e uma esteira. O espaço ainda conta com uma cozinha, cama de casal, área externa e compreende uma área que habitualmente seria destinada a acolher quatro detentos, reitera a matéria.
O site do jornal Le Figaro lembra que Bolsonaro foi protagonista de "um julgamento histórico no maior país da América Latina", em setembro, tendo sido considerado culpado de ter conspirado para se manter no poder de maneira "autoritária" após sua derrota para Lula nas eleições presidenciais de 2022. O diário salienta que, nas últimas semanas, a família, os advogados e os aliados do ex-líder da extrema direita travaram uma intensa campanha para denunciar suas condições de detenção, exigindo que ele cumpra a pena em sua residência em Brasília.
"Ambiente prisional severo"
O site do canal France 24 indica que um dos filhos do ex-presidente, o ex-vereador Carlos Bolsonaro criticou a decisão de Moraes de transferir o pai para a Papudinha, que classificou de "ambiente prisional severo". Na rede social X, ele publicou que a medida é "um marco simbólico de um confronto institucional" entre Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A matéria ainda enfatiza que o Congresso brasileiro aprovou em dezembro uma lei que diminuiria a pena de Bolsonaro para pouco mais de dois anos. Lula vetou o texto em 8 de janeiro, mas os parlamentares podem derrubar essa decisão, conclui a France 24.