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Brasileiros vindos da Líbia chegam ao Recife

28 fev 2011 - 19h32
(atualizado às 23h31)
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Celso Calheiros
Direto do Recife

Aterrissou às 18h desta segunda-feira, em Recife, o voo com 148 brasileiros vindos da Líbia. O grupo, composto de funcionários da empresa Queiroz Galvão e de seus familiares, deixou a cidade de Benghazi, no leste da Líbia, até Lisboa, em Portugal, de onde pegou o voo para o Brasil. Dos 148 a bordo, 56 ficam na região do Recife, e 92 seguem para outros Estados.

Henrique Canuto e Marcos Jordão, funcionários da empresa, repondem a perguntas após a chegada no Recife
Henrique Canuto e Marcos Jordão, funcionários da empresa, repondem a perguntas após a chegada no Recife
Foto: Ana Lima Freitas / Especial para Terra

Marcos Jordão, diretor da empresa para a região da África do Norte e Oriente, falou a jornalistas depois do desembarque. "Desde quarta-feira começaram os distúrbios (em Benghazi), e todos foram reunidos para facilitar um possível resgate." De acordo com Jordão, que falou ao lado de Henrique Canuto, diretor de obras da empresa, não houve momento de pânico, mas somente de apreensão em virtude do sons dos tiroteios travados entre as forças de segurança e os oposicionistas do governo de Muammar Kadafi.

O diretor explicou que, para garantir a segurança dos brasileiros em Benghazi, os funcionários casados foram levados com suas famílias até casas da empresa, nos arredores da cidade, ao passo que solteiros foram encaminhados a hoteis. Por quatro dias, acrescentou Jordão, ninguém deixou seus alojamentos, evitando os riscos de se envolver na onda de violência em Benghazi.

Ao contrário do resgate de outros estrangeiros em solo líbio, muitos dos quais tomaram voos para deixar o país, o grupo enfrentou o desafio de o aeroporto de Benghazi ter sido inutilizado durante os protestos. A operação teve assim de ser divivida primeiro no transporte marítimo à Europa para depois tomar o voo para casa. O diretor regional da Queiroz Galvão acrescentou que, desde o início, as embaixadas de Brasil e Portugal deram assistência na operação.

Um dos funcionários de volta ao Brasil era Cícero Gonçalvez, encarregado mecânico da empresa em Benghazi. Muito cansado, ele era um dos poucos que evidenciava o medo passado durante o período dos protestos. Cícero conta que tinha muito medo que fossem realizados bombardeios na cidade. "Agora estou feliz", desabafou.

Apesar do perigo, Ricardo Novacosque, 35, demonstrava confiança. Ele elogiou o serviço de apoio prestado pela Queiroz Galvão na Líbia e garaniu: "Eu voltaria para lá". Ricardo aterrissou com seu irmão, Legil Covacosque, 48, mecânico da empresa. Legil, que há um mês não via sua família, pouco falou enquanto abraçava longamente suas três filhas que foram ao aeroporto recepcioná-lo.

Antes da chegada, Angela Melo, 48, esperava com ansiedade do engenheiro Wellington Gonzales, 30, de quem é madrinha. "Temia pelo pior desde quarta-feira, quando perdemos o contato", conta ela. Wellington, que gerenciava trabalhos de reconstrunção em Benghazi, estava havia dois anos na Líbia, com a mulher Márcia Carolina.

Também na expectativa estava Jessé Silva, pai do topógrafo Douglas Menzes. Jessé relata que estava mais tranquilo por ter conseguido manter contato quase diariamente com o filho através da ferramenta skype e do telefone celular. Ele conta que viveu momentos de ansiedade, mas que agora está tudo bem: Douglas vai agora conhecer sua filha Dayanne, nascida em 22 de fevereiro.

Quando os protestos na Líbia tomaram corpo, há ceca de 12 dias, o trabalho na empresa foi suspenso. As famílias dos funcionários relataram que seus parentes saem com uma boa impressão do povo líbio, que prestou auxílio durante os dias em que esperavam pelo resgate.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

Fonte: Especial para Terra
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