Bolsonaro lidera ato na Paulista por anistia e admite não disputar eleição
'Eu nem preciso ser presidente', afirmou o ex-mandatário em São Paulo
O ex-presidente Jair Bolsonaro comandou neste domingo (29) uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, para pressionar pela aprovação de uma anistia que poderia livrá-lo da cadeia no caso de uma condenação no processo sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado.
O ato ocorreu cerca de 20 dias depois do depoimento do ex-mandatário perante a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que o colocou cara a cara com seu antagonista Alexandre de Moraes.
"Quem me acusa pode ter muita coisa ao seu lado, mas nós temos três coisas que eles não têm: Deus, a verdade e grande parte da população brasileira. Vocês me fortalecem para ser o porta-voz de vocês", disse Bolsonaro em cima de um trio elétrico estacionado nos arredores do Masp.
Em seu discurso, o líder de extrema direita denunciou uma suposta falta de liberdade de expressão no Brasil, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarou, sem apresentar provas, que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as sedes dos três Poderes, em Brasília, foram "orquestrados pela esquerda".
"E assistimos hoje a condenações a 14, 15, 16, 17 anos de prisão. Isso não é justiça, é uma brutal injustiça, por isso lutamos por anistia, que é um remédio previsto na Constituição. É o caminho da pacificação, e quem colabora com ela, mesmo sendo algoz, faz um gesto de altruísmo", afirmou Bolsonaro, que pediu inclusive que o governo Lula apoie o projeto.
O ex-presidente também assegurou que o objetivo da ação em curso no STF é "eliminá-lo" e defendeu que seus apoiadores se concentrem nas eleições para o Legislativo em 2026.
"Se vocês me derem 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil. E eu não quero isso por revanchismo, quero pelo futuro do meu Brasil. E digo mais, eu nem preciso ser presidente", salientou o ex-capitão do Exército, admitindo a possibilidade de não concorrer em 2026, uma vez que está inelegível até 2030 devido a uma condenação por abuso de poder na campanha de 2022.
Bolsonaro é tido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como chefe de um plano para intervir no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prender Moraes e impedir a posse de Lula. Além disso, é acusado de desacreditar o processo eleitoral brasileiro para criar um ambiente propício para uma intervenção militar.
Segundo a PGR, o ex-presidente cometeu os crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado de direito, dano qualificado por violência e grave ameaça contra patrimônio da União, além de deterioração de patrimônio tombado. Se condenado, Bolsonaro pode pegar mais de 30 anos de prisão.