Após assumir caso Master, Mendonça posta vídeo sobre não se submeter a 'propostas tentadoras'
Em uma pregação de um culto evangélico, magistrado faz considerações sobre poder político, visibilidade e ambições pessoais
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou em seu perfil no Instagram um vídeo em que reflete sobre aquilo que chamou de “tentações do poder”. A gravação foi feita durante um culto evangélico em São Paulo, no qual o magistrado faz considerações sobre poder político, visibilidade e ambições pessoais.
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Na publicação, Mendonça afirma que “o poder político e institucional é uma bênção de Deus, se guiado por Deus”, e aconselha: “não busque o poder, não busque os holofotes; busque a Deus e procure discernir, cheio do Espírito, o que é proposta de Deus e o que é fruto da vaidade ou de intenções equivocadas”.
Em outro trecho, o ministro também aborda o que define como “propostas tentadoras no aspecto financeiro”. Segundo ele, é preciso cautela para não ceder a interesses materiais que ultrapassem aquilo que considera ser a vontade divina.
“Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro. Nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar”, declarou.
Indicado ao STF em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça atua como pastor na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Recentemente, seu nome voltou ao centro das atenções ao assumir a relatoria do chamado caso Master na Corte, após a saída de Dias Toffoli.
Toffoli decidiu deixar a relatoria das investigações sobre fraudes no Banco Master após a sua conduta na condução do caso ter gerado incômodo a integrantes do Supremo.
Toffoli admitiu ser sócio da empresa que vendeu participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), a um fundo da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de fundos ligados ao Banco Master.
O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o dono dos fundos que adquiriram parte da participação dos irmãos de Toffoli no empreendimento, avaliada, à época, em R$ 6,6 milhões.
Toffoli admitiu a transação, mas negou saber quem eram os operadores do fundo e ainda sustentou que não tinha relação de amizade com o banqueiro.
Por conta da venda das cotas no Tayayá, Toffoli recebeu dinheiro da transação. Na nota oficial divulgada quando anunciou a saída da relatoria do caso, o ministro fala em dividendos que ele teria declarado à Receita Federal.