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Ainda se recuperando de enchentes catastróficas, Rio Grande do Sul se prepara para El Niño

19 jun 2026 - 10h11
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‌As comunidades que estão se recuperando das enchentes devastadoras ocorridas no Rio Grande do Sul há dois anos se preparam para um El Niño intenso que, segundo os meteorologistas, pode trazer chuvas extremas neste ano.

Em Porto Alegre os escombros do desastre — incluindo casas ⁠demolidas de moradores que tiveram que deixar suas residências — permanecem como ‌uma lembrança da enchente, que matou pelo menos 181 pessoas em maio de 2024.

"As pessoas estão com medo", disse Marilian Fontoura, ‌em sua casa no bairro de ‌Sarandi, em Porto Alegre. Manchas de água que chegam até ⁠o teto mostram até onde a enchente chegou. "Se chover de novo, se vier outra chuva forte, outra enchente, o que vai acontecer? Vamos perder tudo de novo."

Apesar dos investimentos em infraestrutura, sistemas de alerta e monitoramento, Sarandi continua sendo um símbolo da vulnerabilidade ‌da cidade.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), afirma que a cidade ‌está mais segura do ⁠que em ⁠2024 e que está trabalhando "intensamente" para reparar estações de bombeamento, reconstruir diques e ⁠melhorar comportas.

Nesta semana, a concessionária ‌de água e esgoto ‌de Porto Alegre selecionou um consórcio para realizar obras de proteção contra enchentes financiadas pelo Estado, no valor de cerca de R$24,2 milhões.

"Especificamente para o El Niño, estamos acelerando alguns projetos ⁠imediatos que teriam sido construídos mais tarde", disse Melo.

Ainda assim, a moradora Fontoura reclama de projetos paralisados. Um projeto de dique nas proximidades está parado devido a disputas de desapropriação entre moradores e a prefeitura.

O governo estadual ‌também está se preparando, investindo R$38 milhões em um centro de logística para operações em casos de desastres e R$33 milhões ⁠em um programa de preparação para o El Niño, a fim de proteger os municípios vulneráveis.

Talvez haja pouco tempo a perder. Especialistas em previsões globais afirmam que um forte El Niño — o aquecimento periódico do Pacífico oriental que altera os padrões de chuva em todo o mundo — tem cada vez mais chances de se desenvolver no segundo semestre deste ano.

"O que tem chamado muita atenção é a intensidade prevista", disse o meteorologista Estael Sias, que afirmou que os modelos de previsão sugerem que o El Niño deste ano pode figurar entre os mais fortes já registrados desde o início do monitoramento por satélite.

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