Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

AF 447 caiu inteiro e de barriga no mar, diz França

2 jul 2009 - 10h25
(atualizado às 11h55)
Compartilhar

O primeiro relatório do Escritório de Pesquisa e Análise da França (BEA) sobre o acidente com o voo AF 447, que caiu no Oceano Atlântico no início de junho, aponta que a aeronave não se partiu no ar e caiu inteiro e de barriga no mar. Segundo o chefe das investigações, Alain Bouillard, a aeronave tocou a água com a parte inferior da fuselagem, em uma velocidade muito alta.

Airbus não se partiu no ar, diz relatório:

A divulgação do relatório foi feita nesta quinta-feira. As investigações também apontaram que, pelo fato de nenhum colete salva-vidas ter sido encontrado inflado, é possível que os passageiros não tivessem sido preparados para uma aterrissagem no mar.

Segundo Alain Bouillard, as investigações não foram encerradas e continuam em todas as áreas, no entanto, ainda não é possível determinar as causas do acidente. "Nós estamos bem longe de determinar as causas do acidente (...) É uma investigação difícil, nós não temos os gravadores de voo, não temos a aeronave e não temos testemunhas", disse.

Em relação à busca pelas caixas-pretas, o representante informou que elas não serão encerradas e que o órgão investigador ainda tem esperanças de encontrá-las.

Mensagens do Airbus

O BEA identificou que o Airbus enviou à Air France 26 mensagens de manutenção por um sistema via satélite durante o voo. Duas delas foram emitidas logo após a decolagem e indicavam pequenos problemas nos banheiros. As outras 24 mensagens foram enviadas entre 2h10 (GMT) e 2h15 (GMT) e apontam incoerência entre as velocidades medidas, em especial a que é medida pela sonda pitot. Segundo ele, no entanto, a análise de todas as mensagens ainda está em curso.

A incoerência entre as velocidades indicadas pelas sondas pitot chegou a ser apontada como uma das causas do acidente. O representante do BEA, no entanto, afirmou que o fato é um dos elementos que pode determinar o que provocou o acidente, mas ainda não pode ser apontado como causa da tragédia.

O relatório também detalha a situação meteorológica encontrada pelo avião. O Airbus estava na zona de convergência intertropical, região que tem muitas "células de tempestade", fenômeno característico das condições registradas no mês de junho, segundo o órgão. De acordo com o representante do BEA, uma imagem feita por satélite mostra zonas que apresentam condições "normais" para a região do Equador.

De acordo com o BEA, o controle do Atlântico tentou entrar em contato por três vezes com o AF 447 e não obteve sucesso. A última comunicação por rádio com o Atlântico ocorreu a 1h35 (GMT). O último sinal emitido pelo Airbus foi às 2h10 (GMT). Apenas entre 8h e 8h30 que os centros de controle regionais de Brest (França) e Madri (Espanha) emitiram o aviso de desaparecimento. Segundo Bouillard, a investigação vai tentar identificar o motivo pelo qual se passou tanto tempo entre o último contato e o início das buscas.

Falta de comunicação

De acordo com o BEA, o controle aéreo brasileiro não repassou ao centro de controle do espaço aéreo de Dakar, no Senegal, o plano de voo do Airbus. A aeronave ingressaria no espaço aéreo senegalês às 23h20 do dia 31 de maio.

As autoridades do órgão francês informaram que o repasse do plano de vôo é feito de um organismo de controle aéreo para outro. No caso do vôo AF 447, esse procedimento teria sido "esquecido". "Isso provavelmente foi esquecido no encaminhamento que deveria ter sido feito pelo órgão de controle brasileiro", afirmou um dos representantes do BEA.

Segundo ele, no entanto, o fato de o controle brasileiro não ter repassado as informações de voo não caracteriza negligência, pois o controlador de Dakar redigiu manualmente a informação de velocidade e de hora estimada em que o avião entraria no espaço aéreo senegalês, chamado ponto Tasil. "No fundo nunca houve transferência oficial regulamentar entre Atlântico e Dacar e foi apenas muito mais tarde que nos demos conta que já não tínhamos mais contato com o avião".

A Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou ao Terra que o problema ocorreu com o centro de Dakar, que não passou o plano de voo para o centro de Madri, surgindo, assim, o alerta do desaparecimento da aeronave.

O acidente

O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo (31), às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília).

De acordo com nota divulgada pela FAB, às 22h33 (horário de Brasília) o voo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). O comandante informou que, às 23h20, ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal.

Às 22h48 (horário de Brasília) a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta, segundo a FAB. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude.

A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).

No total, foram achados 51 corpos e mais de 600 partes do Airbus A330 da companhia francesa.

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra