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A segunda disputa de Ronaldo Caiado pela Presidência

A primeira vez que Caiado disputou a presidência foi em 1989, quando obteve menos de 1% dos votos. Agora, tenta emplacar o discurso de 'direita moderada' para capitalizar votos de quem não quer Lula, nem Flávio Bolsonaro.

30 mar 2026 - 15h26
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Governador oficializou pré-candidatura pelo PSD nesta segunda-feira (30/3)
Governador oficializou pré-candidatura pelo PSD nesta segunda-feira (30/3)
Foto: Matheus Leite/BBC / BBC News Brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vai anunciar nesta segunda-feira (30/03) sua pré-candidatura à presidência. Há um ano, no início de abril, Caiado já havia feito o mesmo anúncio, em Salvador, durante um grande evento do União Brasil, dando a largada às eleições de 2026, faltando um ano e meio para o pleito.

Seu segundo anúncio, agora sem palco, plateia, batuques ou berrantes, ocorre após filiação ao PSD, oficializada no último dia 14. Pelo partido de Gilberto Kassab, Caiado encerrará, com o anúncio, a disputa pela candidatura da sigla.

Na semana passada, o governador do Paraná, Ratinho Jr., informou a desistência de concorrer ao Planalto pelo PSD, abrindo caminho para Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que também disputava a vaga.

Logo após a desistência do governador do Paraná, Leite publicou um vídeo em seu perfil no Instagram afirmando que seguia firme com sua pré-candidatura à presidência pelo PSD.

Pesquisa Quaest divulgada no último dia 11 mostrava que, dentre os três governadores, Ratinho Jr. era o candidato mais competitivo, com 7% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No cenário testado com Caiado, o governador de Goiás aparecia também em terceiro lugar, mas com percentual mais baixo de intenções de voto: 4%. Já Leite ficava em quarto lugar, com 3% dos votos, atrás do governador de Minas Gerais, Romeo Zema (Novo).

Num eventual segundo turno disputado com Lula, o petista tem 44% das intenções de voto, e Caiado, 32%. Já em um cenário de disputa com Leite, Lula tem 42%, enquanto o governador do Rio Grande do Sul aparece com 26%.

Antes mesmo do anúncio oficial de Caiado, Leite criticou a posição do PSD. Em um vídeo publicado em suas redes sociais na manhã desta segunda, ele afirmou que a candidatura de Caiado "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país".

Por outro lado, Ratinho Jr. elogiou a escolha, dizendo que Caiado é um "homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança".

Segunda candidatura

Esta é a segunda vez que Caiado se candidata à presidência da República. Na primeira, em 1989, ficou em 10º lugar, com 0,72% dos votos. Na época, Lula também estava na disputa.

Em um debate na Band antes do primeiro turno, com a mediação da jornalista Marília Gabriela, Lula faz uma piada com Caiado, devido às poucas intenções de voto.

Na vez de Lula fazer uma pergunta, ele escolhe Paulo Maluf para responder. Caiado então interrompe e pede que Lula pergunte a ele. O petista retruca: "quando você crescer, eu faço". E, olhando para Marília Gabriela, afirma: "quando ele chegar a 1,5% eu faço".

Naquela campanha, Caiado, com forte sotaque goiano, se defendia na TV, dizendo ser "confundido", nas grandes cidades, como "o candidato do interior".

Agora, o experiente político, que se formou em medicina e fez fortuna vendendo e comprando cabeças de gado, tem se apresentado como um representante de uma ala "mais moderada do agronegócio".

Quando se lançou pré-candidato, no ano passado, pelo União Brasil, a sigla fazia parte do governo Lula, e ensaiava também uma federação com o Progressistas (PP), o que deixaria ainda mais embaralhado o cenário de uma candidatura majoritária.

Esse ensaio caminhou e, na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o registro da federação. A aliança se tornou o grupo com a maior bancada na Câmara dos Deputados, o maior número de prefeitos e as maiores fatias de recursos públicos para campanhas, segundo o G1.

Ainda não está cravado, no entanto, se a federação União-PP apoiará formalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Por isso, o passo de Caiado para fora do União Brasil era determinante, caso ele quisesse seguir com o plano de se candidatar, novamente, à presidência.

Direita moderada

Assim como o "agro moderado", Caiado pretende se colocar como um candidato da "direita moderada". Ao mesmo tempo em que se autointitula como alguém com a maior "antecedência de confronto com o Lula e o PT", também diz que não é "encabrestado de ninguém" e tem a sua "independência intelectual", referindo-se a Jair Bolsonaro (PL).

Sua relação com o ex-presidente, hoje preso em regime domiciliar, tem um histórico de idas e vindas ao longo dos últimos anos. Embora tenha apoiado a eleição do ex-presidente em 2018 e depois em 2022, eles romperam em 2024, quando Bolsonaro não apoiou os candidatos do governador nas cidades goianas.

E, ainda não tenha ido às manifestações pela anistia organizadas por bolsonaristas, Caiado já afirmou ser a favor de uma anistia "ampla, geral e irrestrita" a todos os envolvidos nos atos pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, sendo esse seu primeiro ato como presidente caso seja eleito.

Ao mesmo tempo em que se diz mais moderado, Caiado vem implementando uma política linha-dura na Segurança Pública em Goiás, pauta na qual a direita radical finca os dois pés, a exemplo de El Salvador. Seu Estado tem visto crescer o índice de letalidade policial nos últimos anos, segundo o Observatório Brasileiro de Segurança Pública.

Ao ser questionado sobre isso em entrevista à BBC News Brasil em abril do ano passado, afirmou que atribuía à "segurança plena". "Não foi a polícia que foi lá confrontar com ele. Eles é que foram confrontar com a polícia", afirmou, sobre as pessoas que morreram por policiais.

Na mesma linha, Caiado é contrário ao uso de câmaras corporais por policiais militares, posição que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já compartilhou, mas voltou atrás, dizendo que teve "visão equivocada" sobre o tema.

Afirmou ser um "ato populista" aumentar o imposto para os mais ricos e pretende, se eleito, criar novamente o Ministério da Segurança Pública, proposta análoga à de Flávio Bolsonaro.

Além de Caiado, Lula e Flávio Bolsonaro, outros pré-candidatos já anunciaram seu lugar na disputa, incluindo Romeu Zema, o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP).

Esse quadro, contudo, pode mudar. Até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no TSE, novos nomes podem surgir e outros desistir da disputa.

O primeiro turno das eleições gerais deste ano está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno, previsto para 25 de outubro.

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