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Brasil ganha mais de 9 mil milionários em um ano, aponta relatório

Estudo global revela crescimento de fortunas no país e avanço do mercado financeiro

30 jun 2026 - 16h09
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O Brasil registrou um avanço expressivo em sua população de indivíduos de alta renda no último ano. O país ganhou 9.215 milionários em dólar no período, o que eleva para 386 mil o número de pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão em todo o território nacional. Os dados pertencem ao Global Wealth Report 2026, uma pesquisa anual realizada pelo banco UBS. Com esse desempenho, o mercado brasileiro ocupa agora a 19ª posição no ranking mundial de fortunas.

Brasil soma 386 mil milionários em dólar, aponta UBS
Brasil soma 386 mil milionários em dólar, aponta UBS
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Apesar do crescimento numérico, o cenário interno segue marcado por uma severa disparidade na distribuição dos recursos. O país continua figurando entre os mercados com maior concentração de riqueza do planeta, ocupando o quarto lugar no ranking global de desigualdade patrimonial. No contexto da América Latina, os brasileiros permanecem isolados na liderança em quantidade de ricaços. O México aparece na segunda posição da região, contabilizando um total de 333 mil pessoas nessa faixa de patrimônio.

Expansão das grandes fortunas na América Latina

O avanço verificado no continente ocorreu em um ano marcado por forte aceleração no crescimento das posses pessoais. No ano de 2025, essa expansão se consolidou pelo terceiro ano consecutivo. A riqueza pessoal medida em dólares registrou uma alta de 10,8%, patamar que representa mais que o dobro do ritmo de crescimento anotado nos anos de 2023 e 2024. Ao longo de todo esse período de expansão global, quase um milhão de pessoas ingressaram no seleto grupo de milionários ao redor do mundo.

De acordo com o chefe de Global Wealth Management para a América Latina do UBS, Marcello Chilov, em entrevista ao Valor Econômico,

o resultado é um reflexo direto da valorização dos mercados financeiros e dos ativos reais. O executivo também pondera que o enfraquecimento do dólar no período contribuiu para o resultado positivo. Ele destaca o papel preponderante da inovação e do desenvolvimento da tecnologia no processo de geração de riqueza, um fenômeno observado sobretudo nos Estados Unidos.

A evolução patrimonial abrangeu a riqueza financeira, a não financeira e as dívidas corporativas e pessoais. Pela primeira vez desde 2023, os ativos não financeiros, com destaque para o mercado imobiliário, apresentaram crescimento relevante. O levantamento demonstra que a perda de força da moeda americana ajudou a ampliar os ganhos nominais em todas as sub-regiões acompanhadas. A riqueza média cresceu cerca de 1,6% no Sudeste Asiático e 4,6% na Grande China.

O efeito do câmbio no cenário financeiro global

A América Norte registrou expansão de aproximadamente 8,8%, enquanto a Europa Ocidental saltou quase 17%. O maior avanço ocorreu na Europa Oriental, onde o crescimento atingiu a marca de 28%. Para Marcello Chilov, parte desse desempenho geral é explicado justamente pelo efeito cambial incidente sobre os bens. A valorização de moedas fortes como o euro e o franco suíço perante o dólar acabou inflando o patrimônio total quando os valores foram convertidos para a divisa dos Estados Unidos.

A expansão das fortunas ocorreu de forma disseminada pelo planeta. Pela primeira vez na história do relatório do UBS, todos os 56 mercados avaliados apontaram um acréscimo no contingente de pessoas ricas. No panorama global, a população de milionários cresceu 1,5%, gerando cerca de 2.680 novos ricos por dia. Esse grupo de nações monitoradas representa cerca de 92% de toda a riqueza mundial.

Os Estados Unidos puxaram a fila desse crescimento global, adicionando 441.078 novos integrantes ao grupo. Esse avanço representa mais de 1,2 mil novos ricos diariamente, respondendo por 40% do crescimento mundial. Países como Reino Unido, França, Espanha, Japão e Índia também exibiram resultados robustos. Ao final do ano passado, o planeta contabilizava 57,5 milhões de milionários, sendo que 23,6 milhões deles estabeleceram residência em solo americano.

A evolução das fortunas em solo brasileiro acompanha de perto o movimento externo. Atualmente, o país abriga 43 mil pessoas com posses avaliadas entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões. No entanto, o enriquecimento geral não foi capaz de alterar a severa concentração patrimonial histórica. O Brasil segue como o quarto pior mercado em desigualdade entre os 56 analisados, superado apenas por Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul.

Perfil Brasil
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