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Ribeiro é o quarto ministro de Bolsonaro a 'cair' no MEC; relembre as crises anteriores

Além do gabinete paralelo da gestão Milton Ribeiro, o Ministério da Educação também enfrentou dificuldades com Ricardo Vélez, Abraham Weintraub e até com Carlos Alberto Decotelli, que caiu antes de assumir

28 mar 2022 14h36
| atualizado em 29/3/2022 às 08h30
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A saída de Milton Ribeiro do Ministério da Educação marca o fim da terceira gestão conturbada do órgão sob o governo de Jair Bolsonaro. Desde 2019, todos os nomeados para a Pasta foram protagonistas de controvérsias que acabaram, em maior ou menor medida, desgastando o Executivo federal. Desta vez, o ministro colocou o cargo à disposição do presidente após denúncias de corrupção apresentadas em série de reportagens do Estadão.

Primeiro titular da pasta na gestão Bolsonaro, Ricardo Vélez disse em abril de 2019, em entrevista ao Valor Econômico, que os livros didáticos deveriam rever a forma como retratam o período do regime militar, que, segundo ele, não foi instituído por meio de golpe.

Em outra ocasião, o Estadão revelou que o Ministério mandou um e-mail para todas as escolas do País pedindo que os alunos fossem filmados cantando o hino nacional e que fosse lido, para eles, o slogan de campanha de Bolsonaro: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Além das polêmicas envolvendo declarações e orientações às escolas, a passagem de Vélez foi marcada por críticas de ingerência. O próprio presidente Bolsonaro chegou a dizer que faltava "gestão" na pasta, que teve 15 exonerações em poucos meses. Sob o comando do ministro, o MEC também viveu uma crise interna entre os servidores mais técnicos e os mais ideológicos, admiradores do escritor Olavo de Carvalho, o chamado "guru" do bolsonarismo.

Vélez acabou sendo demitido em 8 de abril de 2019. Em seu lugar, entrou o economista Abraham Weintraub. Apresentado por Bolsonaro como "doutor", o novo titular não possuía esse título.

Uma das primeiras medidas de Weintraub foi anunciar um corte orçamentário para a educação básica e o ensino superior, afetando principalmente as universidades públicas federais. Com somente cerca de um mês no cargo, ele teve de enfrentar manifestações contra sua gestão em todo o País. Milhares de pessoas foram às ruas em cerca de 250 cidades, nos 26 Estados e no Distrito Federal.

Em sua passagem pelo Ministério, Weintraub colecionou episódios controversos. Um dos que mais geraram repercussão foi sua fala na reunião ministerial de abril de 2020, quando ele declarou que, por ele, "mandava todos esses vagabundos para a cadeia", se referindo aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois, em meio à pandemia de covid-19, o ministro foi ao Twitter criticar a China. Em tom jocoso, ele trocou as letras "r" por "l" ao escrever que o país poderia se beneficiar da doença. "Geopoliticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?", publicou. A postagem foi considerada ofensiva.

É de Weintraub, também, a famosa declaração de que as universidades públicas brasileiras seriam locais de "balbúrdia" e "plantações de maconha".

Weintraub saiu do cargo em junho de 2020.
Weintraub saiu do cargo em junho de 2020.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil / Estadão

No Twitter, o ministro virou piada por cometer erros de Língua Portuguesa diversas vezes. Enquanto era titular da pasta, ele chegou a escrever "insitaria", do verbo incitar; disse que "haviam emendas parlamentares", em vez de "havia"; escreveu "paralização", com "z"; errou crases, entre outras.

Weintraub saiu do cargo em junho de 2020, após a crise em torno do vídeo da reunião ministerial. A princípio, ele seria substituído por Carlos Alberto Decotelli, mas este entregou uma carta de demissão cerca de uma semana após sua nomeação. O motivo foi uma série de questionamentos sobre seu currículo. O ministro foi desmentido por instituições estrangeiras das quais ele dizia ter obtido títulos, como a Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, e a Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

Por fim, em julho de 2020, Bolsonaro nomeou Milton Ribeiro como titular do MEC. Após o anúncio da nomeação, publicações nas redes sociais recuperaram um vídeo do pastor, publicado em 2016 pela Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em que ele fala à comunidade evangélica sobre a "vara da disciplina" e a importância de disciplinar as crianças. "Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor."

Em agosto de 2021, Ribeiro defendeu separar crianças com deficiência das outras nas escolas, criando salas especiais para elas. Segundo ele, "é impossível a convivência em sala de aula" com alunos que tenham determinado grau de deficiência.

"A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela 'atrapalhava' - entre aspas, essa palavra eu falo com muito cuidado - ela atrapalhava o aprendizado dos outros", disse Ribeiro em entrevista à TV Brasil. As declarações motivaram críticas e, em seguida, ele se desculpou nas redes sociais.

Em março deste ano, o Estadão revelou que, sob a gestão de Ribeiro, o MEC passou a operar com um gabinete paralelo comandado por dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura. Eles controlam a agenda do ministro, facilitam o empenho de verbas para municípios específicos e, segundo prefeitos, cobram propina para protocolar pedidos na pasta. Após pressão sofrida pelas denúncias, Ribeiro colocou o cargo à disposição do presidente Bolsonaro nesta segunda-feira, 28.

Estadão
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