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Bolsonaro ataca Lula e presidente do BNDES diz que charutos foram garantia de empréstimo a Cuba

Em live, Bolsonaro e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, comentaram casos de mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas, entre os quais o episódio em que Cuba deu charutos ao Brasil como garantia de um empréstimo

27 jan 2022 22h41
| atualizado às 22h42
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) destinou grande parte de sua transmissão ao vivo nas redes sociais desta quinta-feira, 27, para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto. Bolsonaro escalou o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para comentar casos de mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas, entre os quais o episódio em que Cuba deu charutos ao Brasil como garantia de um empréstimo.

Segundo Montezano, o BNDES emprestou R$ 3,6 bilhões para Cuba e obteve charutos como garantia. "Cuba deixou em garantia recebíveis de venda de charuto doméstico. Se não pagasse, o governo brasileiro iria lá em Cuba penhorar a venda de charuto", afirmou o presidente do BNDES na live. O negócio teria ocorrido em 2010.

Bolsonaro e Montezano também citaram empréstimos concedidos à JBS, que teria usado a verba para financiar campanhas eleitorais. "Foram fantásticos em obras fora do Brasil, em especial (para) ditaduras", disse o presidente sobre programas de crédito em governos petistas. "Eu tenho certeza que o BNDES fez coisa além do que deveria fazer como, por exemplo, obras no exterior. Eu vou citar algumas obras aqui: Angola, Cuba, Equador, Venezuela. Que tipo de obras? Hidrelétricas. Temos problema de hidrelétrica. Poderia ter feito essas obras no Brasil, mas foi feito fora", completou. O chefe do Executivo admitiu, porém, que não abriu a "caixa preta" do banco, como prometera na campanha de 2018.

Bolsonaro e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, falaram na live sobre mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas.
Bolsonaro e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, falaram na live sobre mau uso de dinheiro público no banco, durante governos petistas.
Foto: Reprodução Youtube / Estadão

Na transmissão ao vivo pelas redes sociais, Bolsonaro também afirmou que irá ao Rio Grande do Norte, na primeira semana de fevereiro, para inaugurar a última fase da transposição do Rio São Francisco. O presidente estará ao lado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pré-candidato ao Senado.

Como mostrou o Estadão, Bolsonaro aposta na transposição do São Francisco para ajudar a alavancar sua popularidade no Nordeste. Não é à toa que a "paternidade" da megaobra de infraestrutura é disputada não só por Bolsonaro, mas também por Lula e pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os três são pré-candidatos à Presidência.

A transposição teve início no governo Lula, com Ciro como ministro da Integração Nacional. A conclusão da obra, no entanto, só deve ocorrer em 2024.

Bolsonaro encerrou a live sem citar a intimação expedida no início da noite pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que preste depoimento nesta sexta-feira, às 14 horas, na Polícia Federal. O presidente é investigado no inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos da Polícia Federal durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais promovida por ele, no ano passado.

Estadão
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