Quem é a nova premiê 'workaholic' que assusta japoneses
Sanae Takaichi foi nomeada ao cargo em outubro do ano passado e declarou precisar apenas de 'quatro horas de sono por noite'
Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa desde outubro, tem gerado controvérsia com sua postura workaholic e propostas de flexibilização das restrições a horas extras, suscitando preocupações sobre o aumento de casos de exaustão e mortes relacionadas ao trabalho.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de 64 anos, vem ganhando cada vez mais holofotes pelo seu espírito workaholic. Inspirada na ex-premiê britânica Margareth Tatcher, a japonesa declarou que precisa de, no máximo, quatro horas de sono por noite e afirmou esperar o mesmo comprometimento de seus ministros e de toda a população.
Recentemente, Takaichi convocou uma reunião às 3h da manhã em seu gabinete, antes mesmo de um outro encontro, marcado para às 9h. Nomeada em outubro, ela declarou na ocasião: 'vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar".
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O perfil da primeira-ministra, contudo, vem despertando preocupação de alguns setores da sociedade. Ela solicitou ao ministro do Trabalho que analisasse a possibilidade de flexibilizar as restrições a horas extras – fixadas em um máximo de 720 horas por ano –, a fim de incentivar o crescimento econômico.
Por outro lado, Tomoko Yoshino, primeira mulher a chefiar o Rengo, o maior sindicato do Japão, rebateu informando que o número já está próximo do limite e que uma eventual alteração aumentaria o risco de 'karoshi', termo japonês que significa morte por excesso de trabalho.
"Não podemos permitir que o limite máximo seja flexibilizado. Ainda estamos apenas na metade do caminho para reduzir o karoshi a zero e promover reformas no estilo de trabalho", disparou a sindicalista.
Um grupo de advogados de familiares de vítimas de 'karoshi' também emitiu uma nota demonstrando preocupação com as intenções de Takaichi, bem como o próprio Ministro da Saúde. Takamaro Fukuoka afirmou que a pasta "acredita que perder a vida ou a saúde devido ao excesso de trabalho não deve acontecer".
O temor pelos comentários da primeira-ministra fizeram até mesmo um representante da Human Rights Watch em Tóquio disparar um comentário.
"Não acredito que esse seja um fenômeno particularmente japonês. Existem locais de trabalho com culturas e regras tóxicas em vários outros países. Dito isso, a cultura corporativa japonesa tende a enfatizar excessivamente a presença em vez da produtividade, o que pode levar os trabalhadores a se sentirem obrigados a comparecer ao trabalho mesmo que estejam doentes ou saibam que não serão produtivos por algum outro motivo", disse Teppei Kasai à Deutsche Welle.
Segundo dados do governo japonês, ao final de 2024, o país bateu um recorde negativo ao somar 1.304 casos de mortes e problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho , o que significa um aumento de 196 casos em relação ao ano anterior.
Do total, 1.057 foram de distúrbios de saúde mental relacionados ao trabalho, incluindo "abuso de poder por parte de superiores ou outras pessoas” e "assédio por parte de clientes".