Berlim não cede à chantagem, e hackers vazam milhões de documentos
Após o governo de Berlim se recusar a pagar um resgate de 2 milhões de euros, o grupo hacker Rhysida vazou na deepweb mais de 5 terabytes de dados estaduais (cerca de 1,4 milhão de arquivos). O material roubado inclui informações confidenciais de segurança nacional e defesa civil, dados de infraestruturas críticas e registros pessoais de cidadãos e servidores. Especialistas apoiaram a recusa oficial à extorsão, enquanto a polícia investiga o ciberataque a poucas semanas das eleições locais.
Grupo vaza na deepweb mais de 5 terabites roubados em ciberataque, incluindo dados sensíveis para a segurança da Alemanha. Autoridades de Berlim se negaram a pagar de 2 milhões de euros para evitar vazamento.Um grupo de hackers vazou, nesta sexta-feira (04/09), cerca de 1,4 milhões de arquivos do governo estadual de Berlim na deepweb, depois que as autoridades se negaram a pagar 2 milhões de euros (R$ 12 milhões) exigidos pelos criminosos para impedir a divulgação.
"Todos os arquivos estão disponíveis para acesso público", informaram os hackers. "Caçadores de dados, divirtam-se!", diz a página do grupo Rhysida.
De acordo com o jornal berlinense Der Tagesspiegel, entre os dados roubados estão documentos sensíveis para a segurança da Alemanha e da capital. Há informações e listas de pessoas, objetos, imóveis, empresas e instalações que devem receber protenção especial em caso de ameaça nacional. Entre os itens de "relevância para a defesa civil" estão usinas que abastecem hospitais, depósitos de combustível, sistemas de energia de emergência e subestações elétricas, acrescentou o Tagesspiegel.
No pacote de mais de 5 terabytes, também constam documentos confidenciais sobre empresas do setor de defesa consideradas particularmente vulneráveis. Há também arquivos pessoais, processos de multas, contracheques, documentos confidenciais de comissões parlamentares e análises de vulnerabilidade de água potável de Berlim, acrescentou a agência de notícias Deutsche Presse-Agentur (dpa).
Os criminosos já haviam alegado ter roubado logins e senhas sem qualquer proteção, inclusive de bancos de dados administrativos e de empresas de processamento de pagamentos. "De acordo com as informações disponíveis até o momento, entre esses dados podem estar dados pessoais de funcionários do estado de Berlim, assim como de cidadãos e empresas", admitiu a administração berlinense.
A ataque ocorre poucas semanas antes das próximas eleições para o governo berlinense, marcada para 20 de setembro. "Não há indícios de ligações com a Rússia ou mesmo com o Estado russo, mas isso também não pode ser descartado", disse a porta-voz de Berlim, Christine Richter. Nos últimos meses, a Alemanha vem sofrendo uma série de "ameaças híbridas", na forma de sabotagens, invasões cibernéticas e drones.
Segundo a dpa, agentes do Departamento Estadual de Polícia Criminal (LKA) e do Departamento Federal de Segurança da Informação (BSI) estão envolvidos na investigação e no gerenciamento do incidente.
Governo se negou a ceder à extorsão
A administração do estado de Berlim já havia confirmado o ataque cibernético, que veio à tona em 14 de agosto. Naquela data, várias repartições da capital alemã ficaram isoladas da rede por uma semana.
Os hackers exigiram um resgate de 30 bitcoins, o equivalente a cerca de 2 milhões de euros. O governo da cidade-estado já havia reiterado que, por uma questão de princípio, não cederia à extorsão e não pagaria.
Segundo o Rhysida, os hackers tiveram acesso às redes das secretarias estaduais de Obras e Transporte entre os dias 7 e 12 de agosto. Desde a última sexta-feira (28/08), os criminosos vinham oferecendo os dados para venda na darknet por meio de um leilão - com uma contagem regressiva.
A recusa da cidade em ceder à tentativa de chantagem foi considerada acertada pelos especialistas. Bianca Kastl, do Chaos Computer Club, disse à emissora pública RBB Inforadio que a decisão foi correta. "Se esses grupos continuassem recebendo apoio na forma de dinheiro ou outros recursos, eles, naturalmente, continuariam agindo", afirmou Kastl. "Precisamos cortar a fonte de financiamento deles", acrescentou.
Já Christof Fischer, especialista em segurança de TI, observou que, por lei, o estado não tem permissão para efetuar pagamentos em resposta a chantagens.
No entanto, a situação em casos como o de Berlim é muito complicada, afirmou Fischer. "Os dados estão nas mãos de criminosos e, em muitos casos, a divulgação deles traz consequências bastante prejudiciais. Até o momento, não tenho conhecimento de nenhum caso em que tenha sido feito um pagamento e os dados tenham sido divulgados mesmo assim", disse o especialista.
fcl (dpa, ots)
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