Ataque com drone a estação de trens na Ucrânia deixa ao menos 14 mortos
Ataques russos deixaram ao menos 19 mortos na Ucrânia, sendo 14 deles no bombardeio a uma estação de trens em Dnipro por um drone a jato. A ofensiva, que também atingiu Chernigiv e Kremenchuk, fere civis e alvos de energia em meio ao inverno. As agressões ocorrem apesar de uma trégua humanitária restrita a Kherson e provocaram críticas do presidente Zelenski ao alívio de sanções dos EUA a Moscou, enquanto ambos os países planejam retomar negociações diplomáticas sem perspectiva de consenso territorial.
Segundo empresa ferroviária estatal, drone a jato atingiu plataforma lotada na principal estação de Dnipro. Mais cinco pessoas morreram em dois outros ataques russos na Ucrânia.Um drone russo de propulsão a jato atingiu uma plataforma lotada numa estação ferroviária na cidade ucraniana de nesta quinta-feira (29/10), matando ao menos 14 pessoas. Outras cinco morreram em ataques realizados durante o dia em outras cidades, informaram autoridades ucranianas, apesar de uma trégua local em Kherson ter despertado esperanças de uma retomada dos esforços diplomáticos para acabar com a guerra.
O ataque em Dnipro deixou ainda 14 feridos, afirmou o governo da região de Dnipropetrovsk, acrescentando que seis estavam em estado grave após sofrerem múltiplos ferimentos causados por estilhaços, incluindo um menino de 11 anos e um homem que teve ambas as pernas amputadas.
Imagens divulgadas pelos serviços de emergência da Ucrânia mostram corpos na plataforma, equipes de resgate auxiliando vítimas e dois trens de passageiros incendiados, com as janelas estilhaçadas.
A empresa ferroviária estatal Ukrzaliznytsia comunicou que um drone a jato atingiu uma plataforma da principal estação de Dnipro, onde um trem suburbano se preparava para partir em direção à cidade vizinha de Zaporíjia.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, classificou o ataque de "horrendo" e afirmou que ele exige uma resposta dos aliados de Kiev.
Outros dois ataques
Um ataque numa movimentada rua do centro de Chernigiv, ao norte de Kiev, matou duas adolescentes de 15 anos e feriu 23 pessoas, incluindo quatro crianças, comunicou a administração militar da cidade.
Um drone também atingiu um prédio residencial de vários andares na cidade central de Kremenchuk, matando três pessoas e ferindo outras 15, incluindo uma criança de seis anos, segundo o governo local.
A Rússia intensificou os ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia nas últimas semanas, atingindo instalações de energia em torno das principais cidades numa estratégia que, segundo Kiev, busca mergulhar o país no frio e na escuridão durante todo o inverno.
"A Rússia está deliberadamente caçando civis: em trens, estações e edifícios residenciais", afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Sergiy Koretskyi.
Trégua humanitária em Oleshky
Moscou havia deixado claro que uma trégua humanitária de seis dias, mediada pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, se aplicava apenas à região de Kherson, no sul da Ucrânia, permitindo que ajuda humanitária chegasse à cidade de Oleshky, controlada pela Rússia desde 2022 e cujos moradoresenfrentam há meses escassezde alimentos, água e medicamentos.
Nesta quarta-feira, Zelenski afirmou que seria um "grande sucesso" se o cessar-fogo em Oleshky permitisse a retirada de cidadãos isolados na região.
Segundo ambos os países, a trégua seguia sendo respeitada em seu terceiro dia. O defensor público de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, anunciou que havia "partido com a delegação ucraniana rumo a Oleshky" por meio de Belarus e da Rússia.
Mas, em outras regiões, Moscou continua bombardeando a Ucrânia.
O presidente da França, Emmanuel Macron, reagiu com indignação ao ataque em Dnipro, destacando a necessidade de "muito mais do que um cessar-fogo localizado", como o que foi estabelecido em Oleshky.
"É intolerável que a Rússia continue rejeitando todas as propostas nesse sentido, optando, em vez disso, por intensificar a escalada e atacar civis", afirmou.
Zelenski critica decisão de Trump
Após os ataques fatais, Zelenski renovou suas críticas a um acordo firmado neste mês entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o qual flexibilizou algumas sanções à Rússia e permitiu que Moscou voltasse a exportar diesel para os mercados globais.
"Quantos ataques terroristas como este a Rússia realizou contra o nosso povo desde que as sanções foram suspensas para alguns oligarcas russos e para o setor energético, em vez de haver uma redução das tensões?", questionou.
No início desta semana, o Kremlin afirmou que não reduzirá o ritmo geral da guerra, mesmo com os preparativos para a retomada de negociações que estavam paralisadas, sob mediação dos Estados Unidos.
Rússia e Ucrânia devem se reunir no próximo mês com enviados dos Estados Unidos para discutir formas de encerrar o conflito, embora ainda não haja datas definidas para as negociações. Diversas rodadas anteriores não conseguiram aproximar as partes de um acordo.
A Rússia exige mais território no leste da Ucrânia e amplas restrições militares e políticas a Kiev. A Ucrânia e seus aliados afirmam que ceder território a Moscou equivaleria a uma capitulação e deixaria Kiev vulnerável a futuros ataques russos.
as/le (Reuters, AFP)
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