Após anúncio de ação militar por Trump, Irã divulga mapa com alertas no Estreito de Ormuz
Novo mapa das Forças Armadas iranianas é publicado após operação anunciada por Washington para a região
O cenário internacional no Golfo Pérsico atinge um novo nível de complexidade com as recentes movimentações territoriais na região. O Irã publicou nesta segunda-feira (4) um novo mapa oficial contendo linhas vermelhas que delimitam os limites da área sob o controle de suas forças militares. Essa divulgação ocorre exatamente um dia após o anúncio de uma operação dos Estados Unidos para garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Mapeamento e tensões no Oriente Médio
O gráfico apresentado pelo governo iraniano expõe duas linhas vermelhas estratégicas na região do Estreito. Segundo as autoridades locais, o traçado serve para demarcar "a nova área sob gestão e controle das Forças Armadas do Irã". A primeira linha situa-se a oeste da passagem, posicionando-se entre a ilha de Qeshm e a faixa costeira dos Emirados Árabes Unidos, a noroeste de Dubai. A segunda linha está localizada ao sul do estreito, delimitando o espaço entre o território norte de Omã e a costa iraniana.
A publicação do material cartográfico aconteceu logo depois que Donald Trump informou que as tropas norte-americanas passariam a guiar os navios comerciais retidos na região do Golfo Pérsico. A agência estatal Fars chegou a noticiar que dois mísseis teriam atingido um navio de guerra norte-americano perto da ilha de Jask. De acordo com o canal, o ataque aconteceu após a tripulação ignorar os avisos emitidos pelo governo local, forçando a embarcação a dar meia volta. Contudo, o Exército dos Estados Unidos negou veementemente a ocorrência de qualquer ataque contra suas forças.
Ameaças diretas do comando militar iraniano
Pouco antes da divulgação do mapa, o setor militar do Irã já havia emitido um comunicado ameaçando atacar qualquer embarcação estrangeira que se aproximasse do Estreito de Ormuz, reforçando que mantém "controle total" sobre o tráfego local. De acordo com as diretrizes divulgadas pela mídia estatal, qualquer trânsito na via precisa passar por coordenação prévia com Teerã.
O comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi, representante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, foi direto em sua declaração oficial sobre o tema. "Advertimos que qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada", destacou o militar. O general Mohseni, porta-voz da Guarda Revolucionária, também enfatizou o rigor com que as ordens serão cumpridas. Ele afirmou que "movimentações marítimas que contrariem os princípios anunciados pela Marinha da Guarda Revolucionária enfrentarão sérios riscos e serão detidas com firmeza".
O impacto econômico e o Projeto Liberdade
O Estreito de Ormuz representa um ponto crucial para a estabilidade econômica global, visto que é responsável por escoar aproximadamente vinte por cento do fluxo mundial de petróleo. O local permanece bloqueado desde o final de fevereiro, quando o atual conflito com Israel e os Estados Unidos teve início. Desde então, a passagem de navios comerciais foi reduzida a números mínimos.
Apesar do cessar-fogo vigente desde o início de abril, a rota marítima continua fechada pelo governo de Teerã. Como forma de pressionar as autoridades iranianas, o governo norte-americano mantém seu próprio bloqueio na área desde o dia treze daquele mês. Conforme dados do Exército dos Estados Unidos, a medida já resultou no redirecionamento de quarenta e oito embarcações ligadas ao regime do Irã.
Para tentar amenizar a situação, a nova iniciativa batizada como "Projeto Liberdade" busca auxiliar a travessia de navios para socorrer pessoas, empresas e nações descritas por Donald Trump como "vítimas das circunstâncias". O presidente norte-americano alertou sobre a necessidade de respeito ao projeto. "Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza", declarou. Em paralelo aos confrontos e bloqueios, o regime de Teerã avalia uma resposta diplomática dos Estados Unidos a uma proposta de quatorze pontos enviada anteriormente com o auxílio do Paquistão.
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