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Americanos faturam até R$ 3,1 mil com venda do próprio sangue

Entenda como a comercialização de plasma sanguíneo deixou de ser um recurso de crise para virar rotina da classe média nos Estados Unidos

23 mar 2026 - 02h45
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O mercado de fluidos corporais nos Estados Unidos atingiu um patamar sem precedentes, transformando o que antes era visto como um ato de caridade em uma estratégia financeira sólida para milhares de famílias. Atualmente, a venda de plasma sanguíneo se tornou uma alternativa cada vez mais comum entre os americanos, alcançando inclusive as camadas mais estáveis da classe média. Essa prática, que mescla a necessidade financeira individual com uma demanda médica global avassaladora, movimenta bilhões de dólares anualmente e já faz parte da rotina de diversos cidadãos. O plasma, a parte líquida e amarelada do sangue, é um componente vital para a fabricação de medicamentos que tratam imunodeficiências, doenças hepáticas e distúrbios de coagulação, tornando-se uma matéria-prima cobiçada pela indústria farmacêutica.

Prática comum nos EUA permite pagamento por plasma
Prática comum nos EUA permite pagamento por plasma
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Entenda o mercado bilionário do plasma nos EUA

Segundo reportagem do jornal "The New York Times", cerca de 215 mil pessoas vendem plasma todos os dias no país. Embora o termo mais utilizado pelas empresas do setor seja "doação", na prática, os participantes recebem pagamentos diretos que variam, em média, entre US$ 60 e US$ 70 por cada sessão realizada. Como a legislação americana permite que o procedimento seja feito até duas vezes por semana, muitos indivíduos conseguem faturar até US$ 600 mensais, o que equivale a aproximadamente R$ 3,1 mil. Para muitos brasileiros e americanos, esse valor representa um alívio imediato no orçamento doméstico. Em muitos casos, há bônus agressivos para novos doadores ou incentivos financeiros para aqueles que mantêm uma frequência rigorosa nas clínicas de coleta. Para a maioria dessas pessoas, o dinheiro já tem destino certo antes mesmo de ser depositado no cartão pré-pago: o pagamento de gasolina, a compra do mês no supermercado, a quitação de contas médicas atrasadas ou até mesmo a prestação da casa própria.

De profissionais de TI a professores nas filas de espera

De acordo com o New York Times, os Estados Unidos respondem por cerca de 70% de todo o plasma coletado no mundo hoje. Um dos principais motivos para essa hegemonia é que o país permite o pagamento direto aos doadores, uma prática que é desencorajada pela Organização Mundial da Saúde, mas que sustenta um setor altamente lucrativo. Só em 2024, os EUA exportaram US$ 6,2 bilhões em plasma para outros países. Em 2025, os doadores americanos produziram a marca impressionante de 62,5 milhões de litros de plasma, o maior volume já registrado na história do setor. A imagem de que apenas pessoas em situação de vulnerabilidade extrema recorrem a esse tipo de renda já não reflete a realidade das filas. A reportagem do New York Times encontrou perfis diversificados, como profissionais de tecnologia tentando economizar para comprar um imóvel, professores buscando cobrir custos de saúde e enfermeiros lidando com as altas despesas de creches para seus filhos. Muitos se consideram classe média e afirmam que, até pouco tempo atrás, não imaginavam precisar comercializar o próprio sangue.

O impacto financeiro e social da venda de plasma

Um dos casos emblemáticos citados pela reportagem é o de Joseph Briseño, de 59 anos. Ele trabalha como supervisor em uma empresa de resíduos e possui um rendimento anual de cerca de US$ 50 mil. Mesmo com um emprego estável, ele passou a vender plasma duas vezes por semana para reforçar o orçamento familiar. Ele descreve a atividade como um "segundo trabalho" necessário para a manutenção do seu padrão de vida. "Isso pode ser dinheiro para gasolina, supermercado ou para guardar para emergências", disse ao New York Times. Em outro momento de desabafo sobre a situação econômica atual, ele admitiu: "Seria ótimo não precisar fazer isso por dinheiro extra". Essa mudança de perfil também é visível na localização dos novos centros de coleta, que estão migrando das periferias para bairros nobres e subúrbios. Um estudo conduzido por pesquisadores da Washington University e da Universidade do Colorado mostra que novos centros estão sendo abertos em regiões ricas, perto de academias e escritórios financeiros. Segundo o New York Times, muitos doadores evitam contar que vendem plasma por vergonha, enquanto outros veem a prática de forma positiva por ajudar em tratamentos médicos, mas a motivação principal permanece sendo financeira.

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