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Ameba 'comedora de cérebro': o que é a infecção que matou menina de 8 anos nos EUA

Embora seja pouco frequente, a doença pode comprometer o cérebro em poucos dias e apresenta dificuldade de diagnóstico

25 ago 2026 - 17h43
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Resumo
A morte de uma menina de 8 anos nos EUA reacendeu o alerta sobre a Naegleria fowleri, a "ameba comedora de cérebro". Presente em águas doces e quentes, ela entra pelo nariz e causa meningoencefalite amebiana primária, infecção que destrói o tecido cerebral. Embora seja extremamente rara e não transmissível entre humanos, a doença tem evolução rápida, diagnóstico difícil e letalidade quase total. O CDC recomenda evitar a entrada de água nasal em lagos e rios para prevenir o contágio.

A morte de Lillian Smart, de 8 anos, chamou atenção nos Estados Unidos para uma infecção extremamente rara causada pela Naegleria fowleri, conhecida como "ameba comedora de cérebro". A menina, moradora da Louisiana, morreu no domingo (22), após contrair a doença que provavelmente teve relação com um banho no Lago Claiborne. O caso foi confirmado pelas autoridades de saúde do estado.

Embora seja pouco frequente, a ameba "comedora de cérebro" grave inflamação em poucos dias e apresenta dificuldade de diagnóstico
Embora seja pouco frequente, a ameba "comedora de cérebro" grave inflamação em poucos dias e apresenta dificuldade de diagnóstico
Foto: Reprodução/Facebook/Smith Collection/Gado/Getty Images / Perfil Brasil

A ocorrência reacende o alerta sobre uma doença pouco frequente, mas que pode evoluir rapidamente. Segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), normalmente menos de 10 pessoas desenvolvem a infecção por ano no país. Além disso, a maioria dos casos acarreta óbito.

O que é a "ameba comedora de cérebro"?

A Naegleria fowleri é uma ameba microscópica que vive principalmente em água doce quente, como lagos, rios, lagoas e fontes termais. Em condições muito específicas, ela pode entrar no organismo pelo nariz e chegar ao cérebro. Nesses casos, o microrganismo pode provocar a meningoencefalite amebiana primária (MAP), uma infecção grave que destrói o tecido cerebral e provoca inflamação e inchaço no órgão.

Apesar de causar alarde quando há notificações, a infecção é extremamente incomum. Dados do CDC mostram que os estados de clima mais quente concentram a maior parte dos registros, embora casos também possam ocorrer em regiões mais ao norte dos EUA.

Por que a doença é tão grave?

Um dos principais problemas está na velocidade de evolução. Os primeiros sintomas podem surgir rapidamente depois da exposição e costumam incluir dor de cabeça, febre, náusea e vômitos. Contudo, o quadro pode avançar em pouco tempo. Conforme a infecção progride, podem aparecer:

  • Rigidez na nuca;
  • Confusão e desorientação;
  • Perda de equilíbrio;
  • Convulsões;
  • Alucinações;
  • Coma.

De acordo com levantamento, a maioria das pessoas com MAP morre entre um e 18 dias depois do início dos sintomas. Além disso, o diagnóstico pode ser difícil porque os primeiros sinais se parecem com os de outras infecções, como a meningite bacteriana.

Quantos casos já foram registrados nos EUA?

Entre 1962 e 2023, foram identificadas 164 pessoas infectadas nos Estados Unidos, das quais apenas quatro sobreviveram. O próprio CDC destaca que o risco individual é muito baixo. A organização também explica que as infecções não se espalham de pessoa para pessoa e não provocam surtos por transmissão entre indivíduos.

O caso de Lillian, portanto, não significa que exista uma disseminação da doença entre a população. Ele chama atenção, sobretudo, para uma forma rara de exposição que pode acontecer durante atividades recreativas em água doce quente. A menina teria contraído a infecção após nadar no Lago Claiborne, segundo as autoridades da Louisiana.

Como acontece a contaminação?

O principal risco ocorre quando água contaminada entra pelo nariz. A partir daí, a ameba pode alcançar o cérebro. Por outro lado, beber a água não provoca a infecção. Da mesma forma, uma pessoa não transmite a Naegleria fowleri para outra.

O CDC também afirma que não há evidências de transmissão por vapor ou pequenas gotas de água no ar. A maioria dos casos está relacionada a atividades como nadar, mergulhar ou brincar em água doce quente. Por isso, o verão e períodos prolongados de calor merecem atenção especial.

É possível reduzir o risco?

Não existe uma maneira simples de saber se um lago ou rio contém a ameba. Por isso, o CDC recomenda adotar medidas de precaução sempre que houver contato com água doce quente. Entre os cuidados estão:

  • Evitar que a água entre pelo nariz;
  • Usar um clipe nasal ao nadar ou mergulhar;
  • Evitar mexer no fundo de áreas rasas;
  • Manter a cabeça fora da água em fontes termais;
  • Utilizar água destilada ou fervida para a lavagem nasal.

A história de Lillian trouxe novamente a Naegleria fowleri para o centro das atenções nos Estados Unidos. Ainda assim, profissionais apontam que se trata de uma infecção muito rara. O principal alerta, portanto, está em reconhecer as formas de exposição e procurar atendimento médico rapidamente diante de sintomas compatíveis após contato com água doce quente.

Perfil Brasil
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