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Alta no petróleo dispara preços de diesel e gasolina; entenda como conflito no exterior afeta o brasileiro

Saiba como a alta do petróleo e do dólar encarece desde o combustível até o prato de comida

20 mar 2026 - 08h39
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A escalada dos conflitos no Oriente Médio e o bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz já apresentam reflexos severos no cotidiano financeiro do Brasil. O principal motor dessa crise reside na valorização acentuada do barril de petróleo, que atingiu a marca de US$ 115 nesta quinta-feira. Esse movimento global impulsiona uma carestia generalizada que afeta diretamente o valor dos combustíveis e o custo da energia elétrica em território nacional.

Guerra no Oriente Médio faz petróleo disparar e diesel sobe 11%
Guerra no Oriente Médio faz petróleo disparar e diesel sobe 11%
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Perfil Brasil

De acordo com levantamentos realizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel saltou mais de 11% em apenas uma semana. O litro, que custava R$ 6,08, passou a ser comercializado por R$ 6,80. Como o diesel é o pilar da logística brasileira, qualquer variação negativa em seu preço gera um efeito cascata que atinge desde o frete rodoviário até o valor final dos alimentos nas prateleiras dos supermercados.

Impacto no diesel eleva custos de transporte e alimentos

Especialistas consultados pelo g1 indicam que a pressão inflacionária deve se tornar mais visível para o consumidor comum dentro de aproximadamente um mês. O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, destaca ao g1 que os reflexos indiretos podem elevar a inflação em 0,11 ponto percentual ainda em 2026. "O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses", diz Romão.

Além do combustível, a valorização do dólar, que atingiu R$ 5,26, atua como um agravante. Em tempos de instabilidade geopolítica, investidores buscam refúgio na moeda americana, encarecendo produtos importados e insumos industriais. Esse cenário força as empresas a repassarem custos operacionais aos clientes, dificultando o controle do custo de vida. O preço do petróleo quase dobrou em comparação ao final de 2025, quando era negociado a US$ 60.

Petróleo caro afeta produção agrícola e conta de luz

A indústria e o agronegócio sentem o golpe através do encarecimento de matérias-primas essenciais, como plásticos, fertilizantes e medicamentos. "Quanto mais o conflito se prolongar e comprometer o fluxo de petróleo pelo mundo, maior será a tendência de alta nos preços do barril", afirma André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, ao g1. Ele recorda que a gasolina sozinha representa 5% do IPCA, tornando qualquer reajuste extremamente sensível para o índice oficial de inflação.

No campo, o custo de operação de máquinas e a importação de adubos químicos, muitos vindos do próprio Irã, pressionam a rentabilidade dos produtores. Até a conta de luz pode sofrer alterações, caso as termelétricas sejam acionadas para suprir a demanda nacional. Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, alerta ao g1 para a vulnerabilidade do setor: "A indústria brasileira está inserida em cadeias globais, e qualquer instabilidade em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz repercute nos fretes, nos seguros e na energia".

Banco Central interrompe ciclo de queda dos juros

O cenário de incerteza forçou o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar uma postura de vigilância. Embora tenha ocorrido uma redução da taxa Selic para 14,75% ao ano, o Banco Central suspendeu a sinalização de novos cortes. Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office, explica ao g1 que a moeda americana se valoriza em momentos de cautela internacional, o que exige atenção redobrada da autoridade monetária para evitar que o choque de oferta descontrole a inflação de médio prazo.

Em comunicado oficial, o Copom reiterou a necessidade de prudência diante dos desdobramentos externos. "No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações", afirmou o colegiado. Com juros em patamares elevados, o crédito se torna mais escasso e caro, esfriando a atividade econômica para tentar conter a subida desenfreada dos preços.

Perfil Brasil
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