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Aliados de Flávio defendem resultado das eleições após senador divulgar carta falando em fraude

29 out 2026 - 11h11
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Resumo
Após ser derrotado nas eleições por mais de 4,4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro viajou aos EUA e publicou carta alegando fraude sem apresentar provas. Em reação, aliados próximos como Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Rogério Marinho se distanciaram das acusações e defenderam o respeito ao resultado das urnas. O PL e partidos aliados também reconheceram a vitória do pleito, enquanto o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reafirmou a normalidade e a lisura de todo o processo eleitoral.

Senador divulgou carta falando em "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Políticos próximos ao candidato derrotado se distanciaram das declarações. Nunes Marques, presidente do TSE, defendeu lisura do pleito.Aliados do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) defenderam o resultado das eleições após o senador divulgar, dos Estados Unidos, uma carta de teor golpista contestando o resultado do pleito sem nenhuma prova.

Até mesmo Alfredo Gaspar (dir.), candidato a vice na chapa de Flávio, reconheceu derrota no segundo turno
Até mesmo Alfredo Gaspar (dir.), candidato a vice na chapa de Flávio, reconheceu derrota no segundo turno
Foto: DW / Deutsche Welle

Na carta, divulgada no fim da tarde desta quarta-feira (28/10), horas depois de ele aterrissar nos EUA com a mulher e as duas filhas, Flávio afirma, sem apresentar provas, que o segundo turno das eleições foi fraudado. A suposta "fraude", segundo ele, teria consistido na prorrogação da votação por duas horas por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio, contudo, omite dois fatos em sua carta: a extensão do horário de votação também foi pedida pelo próprio partido dele, o PL; e o número de eleitores que depositou seus votos após as 17h foi de pouco mais de 34 mil, segundo dados do TSE. O senador perdeu a eleição por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos.

Após a divulgação da carta nas redes sociais, diversos aliados próximos do senador se distanciaram das declarações.

Tarcísio de Freitas: "A eleição acabou; o caminho é respeitar o resultado das urnas"

Um dos principais cabos eleitorais de Flávio na campanha, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em entrevista ao Estadão que a eleição acabou e é preciso respeitar o resultado das urnas.

"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", disse logo após a divulgação da carta de Flávio.

Um dia antes, na terça-feira (27/10), Tarcísio já havia publicado em vídeo em que reconhecia a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora sem citá-lo nominalmente, e repetia seis vezes que "a eleição passou".

Ricardo Nunes: presidente é quem o TSE declarou eleito

Também aliado do bolsonarismo, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou ao Estadão que o presidente do Brasil é "aquele que o TSE declarou eleito", e defendeu que a oposição fiscalize e cobre "o cumprimento das promessas".

Rogério Marinho: não é possível falar em fraude sem provas

Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN) disse que não é possível falar em fraude eleitoral sem provas. "O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu, porque não há provas nesse sentido", disse.

Marinho classificou a carta de Flávio com um "desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado" e referiu-se ao aliado como "exilado político". Ele negou ter tido conhecimento dos planos de Flávio para deixar o país.

Antes mesmo da divulgação da carta, o próprio PL também já havia reconhecido o resultado da eleição. "Reconhecemos o resultado presidencial [...], mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos", disse o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

O candidato a vice na chapa de Flávio, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), seguiu linha semelhante, criticando a condução das eleições, mas reconhecendo o resultado. "Lutamos até o fim, permanecemos de pé, mantivemos nossos princípios. Tem vitórias que representam derrotas e tem derrotas que são verdadeiras vitórias. Nós ganhamos, permanecemos firmes naquilo que acreditamos", declarou.

União Brasil pede respeito ao resultado da eleição

O partido do Centrão, que declarou apoio a Flávio após ele sair na frente no primeiro turno, defendeu em nota a lisura do segundo turno e pediu respeito aos resultados.

A legenda afirma que a democracia "não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas", e que " é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país".

Antes disso, a Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — também já havia defendido o reconhecimento do resultado. Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, como o Republicanos, o Podemos e o MDB.

Kássio Nunes Marques: eleições "dentro da mais absoluta normalidade"

Indicado ao Supremo Tribunal Federal durante o governo de Jair Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reagiu à carta de Flávio afirmando que as eleições "transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais".

"Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes", afirmou. Nunes Marques ressaltou que todos os "questionamentos feitos dentro do devido processo legal" serão analisados e respondidos.

ra/cn (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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